Todos os problemas são um só problema.
Cito palavras de uma amiga:
“Vejo que você persegue essa resposta, sobre o porquê das desigualdades entre seres criados iguais, há bastante tempo. Sei que a pergunta é importante, mas se não há nenhuma religião ou doutrina que dê a resposta, como você mesmo disse, essa perseguição não terá fim”.
Resp: minha amiga, não perseguimos a resposta; perseguimos conseguir mais alguém, dentro das doutrinas, que compreenda, pelo refletir sobre a questão, que a resposta está noutra direção. A intenção desta perseguição é fazer refletir, fazer abrir os olhos; as pessoas aceitam facilmente o que lhes vem às mãos desde que confiem nas fontes; se questionassem, muitos não teriam seus olhos voltados só para aquilo em que crêem e, com certeza, decidiriam abrir seu leque de buscas, como a própria DE recomenda. Não estamos buscando a resposta àquela questão; estamos buscando que alguém mais reflita a respeito. Há resposta e explicação, sim. Por isso é que temos de olhar para outros lados, se não ficaremos na ignorância sobre muitas coisas que nos auxiliam na compreensão da vida. Se as pessoas encontrassem e acreditassem na resposta, coisa somente possível com o abandono de todos os preconceitos, muitos não estariam sofrendo tanto pelos males que “julgam” estão praticando; não sofreriam por remorsos, culpas, medos por não terem obedecido aos mandamentos ou ética de sua crença, pelo medo de não estar protegido, o medo de não agradar ou de ofender a Deus; medo de não cumprir os mandamentos de sua crença particular e vir a ser, como conseqüência, sentenciado, num hipotético juízo, que se dará num hipotético final dos tempos, a sofrer os castigos de um purgatório, inferno ou umbral; ou de reencarnações dolorosas ou em seres inferiores da escala evolutiva... Veja se não é assim: talvez a maioria daqueles que seguem, mais ou menos, sua religião, numa análise mais profunda, obedecem aos mandamentos de Deus e de suas igrejas, por medo do que poderá acontecer se não obedecerem, pois todas as religiões infundem medo a seus seguidores.
Muitos sofrem, também, por se sentirem indignos por não terem pedido perdão por suas faltas, por não terem feito sacrifícios; pelo medo de ficar sujeito a castigos pelos “pecados” cometidos, medo dos desejos escusos, das ações de desamor etc.
O medo é produto da ignorância e é a causa de “todos” os sofrimentos do mundo. Devido ao medo nos agarramos a promessas, ilusões e esperanças que as crenças nos dão, e ficamos cheios de remorsos e culpas, pois vivemos dentro dessa tremenda ilusão de que somos culpados ou responsáveis pelos males do mundo e por nosso próprio sofrimento, e medo de que haja uma lei que nos fará expiar, talvez por séculos, pelos erros cometidos.
O que acontece é que o ser humano está fechado na escuridão de sua enorme ignorância e nada vê, nada percebe, nada interpreta corretamente. Ele está com os olhos “cheios de terra”, como disse Teresa de Ávila; com os olhos “cheios de espessas trevas”, como disse Jesus. Essa é toda a causa do sofrimento que existe no mundo: os olhos “tapados”, a ignorância que só pode ser dissipada com o conhecimento da verdade que liberta.
Todos esses “remédios” que a ciência, a medicina, a psicologia apontam para os traumas, para os sofrimentos, de quaisquer espécies que sejam, são apenas paliativos; podem servir por certo tempo, mas os problemas sempre voltarão. Contudo, todos esses problemas são “um só” problema; não há diferentes problemas: todos se resumem num só; assim, se um é resolvido completamente, todos estarão resolvidos...
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
domingo, 16 de janeiro de 2011
MEDITAÇÃO - UM TESTEMUNHO
Um amigo diz:
“Vejo que a tendência de vários amigos é a de engrandecer a meditação, chegam até a colocá-la como uma salvação!”
Resp: não é “como” uma salvação; é a própria “salvação”, se bem que, como testemunham aqueles que já estiveram “lá”, não há qualquer necessidade de salvação para ninguém; “todos” os problemas com que nos envolvemos em nossa vida, no mundo, como a prática de qualquer forma de mal, por atos, pensamentos, ou o que for, são apenas fruto das ilusões do ego. Vamos ver um testemunho:
“Richard Maurice Bucke, psiquiatra canadense, que passou pela experiência, tentando explicá-la diz: “Ela está além das palavras e símbolos (Paulo: “... e lá vi e ouvi coisas inefáveis”); a) a pessoa, de repente, sem aviso, tem a sensação de estar mergulhada numa chama ou nuvem cor de rosa ou avermelhada, ou de que sua mente está preenchida por essa nuvem; b) no mesmo instante, se vê banhada por uma emoção de alegria, confiança, triunfo, salvação; esta palavra não representa exatamente o que significa a coisa, mas é a convicção de que a salvação não é necessária, pois o esquema do universo já é nesse sentido (Paulo: “Não é por vossas obras que sereis salvos, mas pela graça de Deus”). É um êxtase muito além de tudo imaginado. Isso foi relatado em todo o tempo por aqueles que passaram por ele. Assim, Jesus (o Cristo), em seus sermões e parábolas, Gautama (o Buda), em seus discursos, preservados pelos Sutras; Paulo, nas Epistolas; Dante, no Purgatório e no Paraíso; Shakespeare, nos Sonetos; Balzac, em Serafita; Whitman, em Folhas da Relva; Eduard Carpenter, em Rumo à Democracia; Pascal, em seu Amuleto Místico, e muitos outros); c) simultaneamente, recebe uma iluminação intelectual impossível de ser descrita (sabedoria). Como um raio, apresenta-se à sua consciência uma clara compreensão que lhe dá o significado e direção do universo. A pessoa não passa simplesmente a crer, mas “vê e sabe” que o cosmos não é matéria morta, mas presença viva. Que os seres sencientes são partículas de morte relativa num oceano infinito de vida. Vê que a vida do homem é eterna; que a alma do homem é tão imortal quanto Deus. Que o universo é construído e ordenado de tal forma que, sem sombra de dúvida, todas as coisas funcionam juntas para o bem de todos; que o principio criador do mundo é o que chamamos amor e que a felicidade de todos é absolutamente certa. A pessoa conhecerá, em alguns instantes de duração dessa experiência, mais do que poderia conhecer em muitos anos com os melhores mestres. Aprenderá o que nenhum estudo jamais ensinou nem poderia ensinar. Obtém, sobretudo, uma concepção da totalidade, do Todo, da unicidade de todas as coisas, que excede a qualquer outra concepção, imaginação ou especulação. Tal concepção torna velhas, insignificantes e até ridículas todas as tentativas anteriores de apreender o significado do universo e seu sentido. Os mistérios maiores não lhe são revelados: ele os “contempla”. Vê a origem de todos eles, de todos os contrastes e princípios discordantes, de toda dureza e suavidade, severidade e brandura, doçura e amargor, amor e sofrimento, bem e mal, céu e inferno. Junto com essa elevação moral e iluminação intelectual surge uma consciência de imortalidade. É muito mais do que uma convicção, é muito mais simples e elementar; é uma certeza absoluta e total de que sempre foi assim. O medo da morte, que faz sofrer a todos, cai como um manto velho, não como resultado do raciocínio, mas simplesmente desaparece. O mesmo acontece com a noção de pecado; não que a pessoa, a partir da experiência, escape do pecado, mas ela deixa de ver no mundo qualquer pecado do qual deva escapar. Essa iluminação é como deslumbrante relâmpago numa noite escura que ilumina tudo que se acha oculto à mente; é a visão total. Mesmo a aparência da pessoa pode se tornar semelhante à de quem está sob intensa alegria (a transfiguração de Jesus, Moisés, Francisco de Assis, Walt Whitman). Há uma gigantesca ampliação da consciência e das faculdades intelectuais independentemente de qualquer processo de aprendizado. O individuo percebe que absolutamente não é um individuo ou um “eu” separado, uma consciência separada das demais e do mundo; que tudo é Um. Adquire, instantaneamente, uma capacidade infinitamente maior de conhecimento e de iniciativa para praticar qualquer ação (sabedoria). Sabe que o universo está construído para a felicidade de todos; que a existência continua para além do que chamamos morte.
Resumindo: 1) luz subjetiva; 2) elevação moral; 3) iluminação intelectual; 4) consciência de imortalidade; 5) perda do medo da morte; 6) perda da noção de pecado; 7) desponta subitamente; o fascínio adquirido pela personalidade que faz com que os demais se sintam atraídos por ela; 9) a aparência de “transfiguração”, muitas vezes percebida pelos outros; 10) com tudo isso vem uma certeza esmagadora de que o universo, exatamente como sempre foi e como é neste momento, é tão completamente correto e perfeito que não necessita de qualquer explicação ou justificativas além da de que ele simplesmente é. A existência não apenas deixa de ser um problema; a mente fica tão maravilhada diante de tudo, das coisas e fatos, incluindo até aquilo que, comumente, seria considerado “o pior”, que não consegue encontrar palavras para expressar a perfeição e a beleza da experiência. Vem-lhe a impressão de que o mundo se tornou luminoso e transparente, enquanto sua simplicidade dá a impressão de que tudo é ordenado por uma inteligência suprema. É comum perceber que todo o mundo se tornou seu próprio corpo e que o indivíduo sente que aquilo que ele é, não apenas se tornou assim com a experiência, mas que sempre foi aquilo que tudo o mais é. Percebe que a existência individual é apenas um ponto de vista adotado por “alguma coisa” desmedidamente maior do que ele mesmo. O cerne da experiência parece ser a convicção ou compreensão de que o “agora” imediato, seja qual for sua natureza, é a meta e a realização de todo o viver. Êxtase emocional, sensação de profundo alivio, liberdade e leveza e, com freqüência, um amor quase insuportável pelo mundo, fluem dessa percepção. E a compreensão disso tudo nunca se apaga”.
Cito o amigo:
“As pessoas que vocês alegam terem se iluminado através da meditação, já não traziam dentro de si a iluminação e o fato de meditarem foi apenas um efeito e não a causa?”
Resp: boa pergunta; contudo, todos os que passaram pela “experiência” asseguram que não há uma continuidade do “eu”; que o “eu” é apenas uma ilusão, um feixe de memórias que a vida “marcou” no cérebro de cada um.
O amigo:
“Eu acredito no efeito benéfico que a meditação produz nas pessoas, mas esse momento especial de buscar alguma coisa a mais dentro de si mesmo, é porque essa coisa já esta dentro de nós, esse conhecimento já esta assimilado e foi vivenciado por nós. São as idéias inatas que se encontram no âmago de cada ser. Essa idéia de encontrar as respostas apenas meditando e contraria a lei de reencarnação, pois ela afirma que precisamos vivenciar para adquirir o conhecimento”.
Resp: é certo o que vc diz: “tudo” já está dentro de nós, toda a sabedoria e felicidade, a solução de todos os conflitos e problemas, nada nos vem de fora; por isso mesmo Jesus disse: “... pois o reino de Deus já está dentro de vós”, Paulo: “O Senhor habita vossos corações”, “Vós sois o templo do Altíssimo”, “O Senhor está à esquerda e à direita, à frente e atrás, em cima e em baixo, dentro e fora”, “Nele vivemos e respiramos...”.
O amigo:
“No meu entendimento a meditação apenas nos proporciona uma vaga lembrança ao nosso conhecimento espiritual já adquirido e que pode mudar a nossa visão da vida que levamos, ou seja, nos dá uma outra perspectiva e não que ela nos proporcionará uma absorção de novos conhecimentos e muito menos de podermos ver a Deus”.
Resp: ninguém vê Deus; Deus não é uma coisa, um objeto, alguém que pode ser visto; Deus, “sente-se” pela grandiosidade que “desperta”. E é um estado de ser muito mais rico e perfeito do que podemos imaginar em nossos "mais ousados vôos de fantasia". Como disse o Buda, é o "fim de todo sofrimento" e, como disse Jesus é a "libertação".
Abraço.
“Vejo que a tendência de vários amigos é a de engrandecer a meditação, chegam até a colocá-la como uma salvação!”
Resp: não é “como” uma salvação; é a própria “salvação”, se bem que, como testemunham aqueles que já estiveram “lá”, não há qualquer necessidade de salvação para ninguém; “todos” os problemas com que nos envolvemos em nossa vida, no mundo, como a prática de qualquer forma de mal, por atos, pensamentos, ou o que for, são apenas fruto das ilusões do ego. Vamos ver um testemunho:
“Richard Maurice Bucke, psiquiatra canadense, que passou pela experiência, tentando explicá-la diz: “Ela está além das palavras e símbolos (Paulo: “... e lá vi e ouvi coisas inefáveis”); a) a pessoa, de repente, sem aviso, tem a sensação de estar mergulhada numa chama ou nuvem cor de rosa ou avermelhada, ou de que sua mente está preenchida por essa nuvem; b) no mesmo instante, se vê banhada por uma emoção de alegria, confiança, triunfo, salvação; esta palavra não representa exatamente o que significa a coisa, mas é a convicção de que a salvação não é necessária, pois o esquema do universo já é nesse sentido (Paulo: “Não é por vossas obras que sereis salvos, mas pela graça de Deus”). É um êxtase muito além de tudo imaginado. Isso foi relatado em todo o tempo por aqueles que passaram por ele. Assim, Jesus (o Cristo), em seus sermões e parábolas, Gautama (o Buda), em seus discursos, preservados pelos Sutras; Paulo, nas Epistolas; Dante, no Purgatório e no Paraíso; Shakespeare, nos Sonetos; Balzac, em Serafita; Whitman, em Folhas da Relva; Eduard Carpenter, em Rumo à Democracia; Pascal, em seu Amuleto Místico, e muitos outros); c) simultaneamente, recebe uma iluminação intelectual impossível de ser descrita (sabedoria). Como um raio, apresenta-se à sua consciência uma clara compreensão que lhe dá o significado e direção do universo. A pessoa não passa simplesmente a crer, mas “vê e sabe” que o cosmos não é matéria morta, mas presença viva. Que os seres sencientes são partículas de morte relativa num oceano infinito de vida. Vê que a vida do homem é eterna; que a alma do homem é tão imortal quanto Deus. Que o universo é construído e ordenado de tal forma que, sem sombra de dúvida, todas as coisas funcionam juntas para o bem de todos; que o principio criador do mundo é o que chamamos amor e que a felicidade de todos é absolutamente certa. A pessoa conhecerá, em alguns instantes de duração dessa experiência, mais do que poderia conhecer em muitos anos com os melhores mestres. Aprenderá o que nenhum estudo jamais ensinou nem poderia ensinar. Obtém, sobretudo, uma concepção da totalidade, do Todo, da unicidade de todas as coisas, que excede a qualquer outra concepção, imaginação ou especulação. Tal concepção torna velhas, insignificantes e até ridículas todas as tentativas anteriores de apreender o significado do universo e seu sentido. Os mistérios maiores não lhe são revelados: ele os “contempla”. Vê a origem de todos eles, de todos os contrastes e princípios discordantes, de toda dureza e suavidade, severidade e brandura, doçura e amargor, amor e sofrimento, bem e mal, céu e inferno. Junto com essa elevação moral e iluminação intelectual surge uma consciência de imortalidade. É muito mais do que uma convicção, é muito mais simples e elementar; é uma certeza absoluta e total de que sempre foi assim. O medo da morte, que faz sofrer a todos, cai como um manto velho, não como resultado do raciocínio, mas simplesmente desaparece. O mesmo acontece com a noção de pecado; não que a pessoa, a partir da experiência, escape do pecado, mas ela deixa de ver no mundo qualquer pecado do qual deva escapar. Essa iluminação é como deslumbrante relâmpago numa noite escura que ilumina tudo que se acha oculto à mente; é a visão total. Mesmo a aparência da pessoa pode se tornar semelhante à de quem está sob intensa alegria (a transfiguração de Jesus, Moisés, Francisco de Assis, Walt Whitman). Há uma gigantesca ampliação da consciência e das faculdades intelectuais independentemente de qualquer processo de aprendizado. O individuo percebe que absolutamente não é um individuo ou um “eu” separado, uma consciência separada das demais e do mundo; que tudo é Um. Adquire, instantaneamente, uma capacidade infinitamente maior de conhecimento e de iniciativa para praticar qualquer ação (sabedoria). Sabe que o universo está construído para a felicidade de todos; que a existência continua para além do que chamamos morte.
Resumindo: 1) luz subjetiva; 2) elevação moral; 3) iluminação intelectual; 4) consciência de imortalidade; 5) perda do medo da morte; 6) perda da noção de pecado; 7) desponta subitamente; o fascínio adquirido pela personalidade que faz com que os demais se sintam atraídos por ela; 9) a aparência de “transfiguração”, muitas vezes percebida pelos outros; 10) com tudo isso vem uma certeza esmagadora de que o universo, exatamente como sempre foi e como é neste momento, é tão completamente correto e perfeito que não necessita de qualquer explicação ou justificativas além da de que ele simplesmente é. A existência não apenas deixa de ser um problema; a mente fica tão maravilhada diante de tudo, das coisas e fatos, incluindo até aquilo que, comumente, seria considerado “o pior”, que não consegue encontrar palavras para expressar a perfeição e a beleza da experiência. Vem-lhe a impressão de que o mundo se tornou luminoso e transparente, enquanto sua simplicidade dá a impressão de que tudo é ordenado por uma inteligência suprema. É comum perceber que todo o mundo se tornou seu próprio corpo e que o indivíduo sente que aquilo que ele é, não apenas se tornou assim com a experiência, mas que sempre foi aquilo que tudo o mais é. Percebe que a existência individual é apenas um ponto de vista adotado por “alguma coisa” desmedidamente maior do que ele mesmo. O cerne da experiência parece ser a convicção ou compreensão de que o “agora” imediato, seja qual for sua natureza, é a meta e a realização de todo o viver. Êxtase emocional, sensação de profundo alivio, liberdade e leveza e, com freqüência, um amor quase insuportável pelo mundo, fluem dessa percepção. E a compreensão disso tudo nunca se apaga”.
Cito o amigo:
“As pessoas que vocês alegam terem se iluminado através da meditação, já não traziam dentro de si a iluminação e o fato de meditarem foi apenas um efeito e não a causa?”
Resp: boa pergunta; contudo, todos os que passaram pela “experiência” asseguram que não há uma continuidade do “eu”; que o “eu” é apenas uma ilusão, um feixe de memórias que a vida “marcou” no cérebro de cada um.
O amigo:
“Eu acredito no efeito benéfico que a meditação produz nas pessoas, mas esse momento especial de buscar alguma coisa a mais dentro de si mesmo, é porque essa coisa já esta dentro de nós, esse conhecimento já esta assimilado e foi vivenciado por nós. São as idéias inatas que se encontram no âmago de cada ser. Essa idéia de encontrar as respostas apenas meditando e contraria a lei de reencarnação, pois ela afirma que precisamos vivenciar para adquirir o conhecimento”.
Resp: é certo o que vc diz: “tudo” já está dentro de nós, toda a sabedoria e felicidade, a solução de todos os conflitos e problemas, nada nos vem de fora; por isso mesmo Jesus disse: “... pois o reino de Deus já está dentro de vós”, Paulo: “O Senhor habita vossos corações”, “Vós sois o templo do Altíssimo”, “O Senhor está à esquerda e à direita, à frente e atrás, em cima e em baixo, dentro e fora”, “Nele vivemos e respiramos...”.
O amigo:
“No meu entendimento a meditação apenas nos proporciona uma vaga lembrança ao nosso conhecimento espiritual já adquirido e que pode mudar a nossa visão da vida que levamos, ou seja, nos dá uma outra perspectiva e não que ela nos proporcionará uma absorção de novos conhecimentos e muito menos de podermos ver a Deus”.
Resp: ninguém vê Deus; Deus não é uma coisa, um objeto, alguém que pode ser visto; Deus, “sente-se” pela grandiosidade que “desperta”. E é um estado de ser muito mais rico e perfeito do que podemos imaginar em nossos "mais ousados vôos de fantasia". Como disse o Buda, é o "fim de todo sofrimento" e, como disse Jesus é a "libertação".
Abraço.
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
PORQUE SOMOS BONS, PORQUE SOMOS MAUS?
Amigos
Comentários a uma carta recebida de um amigo:
O amigo:
“Quer dizer que se o homem é mau isso se deve às experiências pelas quais passou desde que veio à existência, e se o homem é bom, isso também se deve às experiências vividas desde que veio à existência?”
Resposta: mas é evidente; se não fosse assim de onde lhe viriam a maldade ou a bondade? Todas as experiências significam aprendizado que o influenciam, levando-o a ser o que é (junte-se a essas experiências a genética que também influencia no seu crescimento fisiológico e moral/psicológico). Não fosse assim, o que é que faria o homem ser bom ou mau? Sua vontade? Não pode ser, pois a vontade também é fruto da compreensão, por sua vez construída pelas influencias advindas de todo o seu passado; logo, sua vontade, no sentido do bem ou no sentido do mal, é conforme a vida o moldou, desde que veio à existência até este presente momento. A vontade é, portanto, também conseqüência das experiências que teve.
Amigo: (aqui, o amigo relata a história de pessoas que, influenciadas pelo ambiente doméstico, ou por outros fatores, com os quais conviveram longo tempo, nem por isso seguiram os exemplos bons ou maus de genitores ou familiares ou de quem seja).
Resp: Isso que você relata é verdade e não é raro; contudo, é preciso ver que as influências que modelam, que marcam o homem, que o constroem e fazem que ele seja o que é, não se restringem às experiências só da convivência familiar, ou de experiências adquiridas em algumas outras situações. As experiências/influências vêm de “todos” os eventos, em qualquer tempo e lugar, das ações externas percebidas pelos órgãos de relacionamento com o mundo, das reações internas à essas ações externas, associações etc. Concorda?
Amigo:
“Onde ele aprendeu essas coisas, a vida o ensinou? O que lhe faltou? Sabedoria?”
Resp: se não foi a vida que o ensinou, meu amigo, quem foi? Onde ele aprendeu essas coisas? Se não foi no mundo, terá sido antes de vir ao mundo, certo? Então, criatura divina que ele é, teria sido criada por Deus e vindo já à existência com o mal em sua natureza. Se veio já com esse “defeito”, isso apenas mostra que a criação divina o fez assim, e nenhuma responsabilidade ou culpa lhe cabe por seus “pecados”. Qual será seu demérito que o faça ser submetido à justiça divina e o leve a ser, após a morte, condenado a alguma espécie de castigo, se já veio à vida com o mal em sua natureza? Agora, se lhe faltou sabedoria, é evidente que sim. Se fosse sábio, conheceria as conseqüências de seus pecados e, evidentemente, não pecaria. Se o homem sabe que sofrerá por seus pecados somente os cometerá se for ignorante, ou se estiver naquela condição de dementado, como vimos anteriormente.
Amigo:
“Será que o homem já nasce pré-determinado?”
Resp: você mesmo pode responder essa pergunta: se não é, como me parece você está sugerindo, a vida que o fez o que é, quem o fez? Há, aquém ou além da vida, alguma coisa mais que possa levar o homem a ser bom ou mau? Não é uma predestinação, mas um processo, de instante a instante, no qual o homem é levado, pelo fluir incerto da vida, a ser moldado, a se transformar e a vir a ser o que é, também de instante a instante.
Amigo:
“Mas, todos nós temos a liberdade de escolha; assim podemos escolher o caminho que desejamos seguir, mas devemos ter algo em mente e em nossas ações: nem todo o caminho é o caminho correto”.
Resp: e porque, se como você diz temos liberdade de escolha, escolhemos tantas vezes o mal? O amigo já fez uma análise séria e profunda dessa liberdade de escolha? Existe realmente uma escolhade fazermos isto ou aquilo, ou toda escolha está, também, , e totalmente presa, às experiências da vida, às experiências do passado? A capacidade de escolha é mesmo livre? Vamos procurar ter uma idéia.
Como, pelas doutrinas cristãs, não pode ser Deus o causador do sofrimento do mundo e dos erros ou “pecados” dos homens, e como o representante do mal, o tentador, o diabo, há muito saiu de cena, chegou-se à conclusão “lógica” e “inescapável” de que a criatura divina procedente de Deus é a causa de todos os males; que, se o homem sofre, é porque agiu erradamente, pecou; se é feliz, é porque agiu acertadamente, não pecou. O mal não pode proceder de Deus, mas pode proceder da criatura divina que procede de Deus! No entanto, procedendo de onde for, tem o beneplácito, o consentimento, a aprovação do Criador, sem o qual nada se faz.
O homem sofre e faz que outros sofram quando peca, quando age erradamente. Mas, qualquer tentativa de explicar que será condenado por isso, que haverá sofrimentos decorrentes da “condenação” por seus “pecados” (provenientes, é evidente, de seus desacertos na vida de relacionamento), sofrimentos que podem durar a eternidade, não cabe dentro da idéia de um Criador onisciente, onipotente e de infinitos amor e justiça; de um Criador que, por sua onisciência, sabe, desde sempre, quando, onde, como, em que circunstâncias “cada uma”, uma a uma, das divinas criaturas dele procedentes, por ele planejadas, produzidas, criadas e lançadas ao mundo entre outros bilhões, fará de incorreto, “pecará”, ou fará de correto, relativamente às suas leis ou às leis da vida; sabe, também, o que, cada uma, uma a uma, individualmente, sofrerá devido a seus pecados. Tanto que, de antemão, também criou leis com normas punitivas, para a expiação desses pecados, expiação que durará por algum tempo ou para sempre.
Seria, numa simples comparação apenas para ajudar a refletir, como o fabricante de brinquedos que, mesmo com total e absoluta certeza de que o brinquedo de sua fabricação, vai apresentar defeitos destrutivos, maléficos e, por isso, será perigoso, destruirá, matará, produzirá tantos e tão terríveis sofrimentos, tragédias e desgraças, assim mesmo o produz e o entrega às crianças. Quando surgem as conseqüências dos defeitos, os “pecados”, e os conseqüentes sofrimentos, quem é o responsável? O brinquedo ou o fabricante?
E a liberdade de escolha, existe realmente? O que é a escolha senão a opção apoiada naquilo que a escola que é a vida já ensinou? Veja só um exemplo simples de como não existe liberdade de escolher: você caminha por uma estrada que, de repente, se bifurca; por qual das duas vai continuar? Você não decide ou escolhe como num jogo de cara-ou-coroa, nem num estalar de dedos. Sempre vai analisar, por mais simples que essa analise seja, qual a estrada a seguir; a mais vantajosa, a mais sombreada, a que tem menos obstáculos a transpor. E porque você faz essa analise? Porque, pelas experiências anteriores de sua vivência de todos os dias, você já aprendeu alguma coisa; aprendeu que é mais vantajoso continuar por aquela cuja ponte está intacta, pela mais sombreada, pela cujo pavimento é melhor, pela mais curta etc. Só não faz essa análise o ignorante, o que está desesperado, dementado, descontrolado e, por isso, pode até continuar sua marcha pela estrada pior, ou cometer absurdos, como vemos no mundo. Mas esse não tem controle, não raciocina, é ignorante.
Até para escolher entre guloseimas, analisamos: se o apetite é grande, a maior; se não, a que nos parece mais saborosa, bonita, ou qualquer uma, se por curiosidade etc.
Portanto, liberdade de escolha é utopia; a escolha nunca é; está sempre totalmente ao conhecimento, à compreensão anterior, que já temos das coisas e do mundo. Todas as escolhas que fazemos e todas as decisões que tomamos estão totalmente presas ao nosso passado, ao conhecimento já adquirido nesta escola que é a vida, escola do bem e do mal. Do mesmo modo acontece em todos os aspectos da vida individual ou coletiva. Sempre, qualquer decisão, ou escolha, por mais simples e inocente que seja, ou por mais complexa e arriscada (desde a simples compra de um objeto, um lápis, por exemplo, até uma declaração de guerra) depende totalmente da experiência anteriormente adquirida. Não escolhemos livremente. Talvez, por isso o apóstolo Paulo tenha afirmado: “É o Senhor que opera em nós o pensar, o querer e o fazer” e, ainda: “Não é por vossas obras que sereis salvos, mas pela graça de Deus”. Pense nisso!
Por essas coisas, percebemos que é preciso de, urgente e necessariamente, repensar as concepções religiosas. Ou todos vamos permanecer cheios de ilusões, remorsos, esperanças e, sobretudo, culpas e medos, pois vivemos dentro dessa tremenda ilusão de que a criatura divina é culpada ou responsável pelos males do mundo e que será, pelos seus pecados, sentenciado e condenada a penas dolorosas e longas.
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Comentários a uma carta recebida de um amigo:
O amigo:
“Quer dizer que se o homem é mau isso se deve às experiências pelas quais passou desde que veio à existência, e se o homem é bom, isso também se deve às experiências vividas desde que veio à existência?”
Resposta: mas é evidente; se não fosse assim de onde lhe viriam a maldade ou a bondade? Todas as experiências significam aprendizado que o influenciam, levando-o a ser o que é (junte-se a essas experiências a genética que também influencia no seu crescimento fisiológico e moral/psicológico). Não fosse assim, o que é que faria o homem ser bom ou mau? Sua vontade? Não pode ser, pois a vontade também é fruto da compreensão, por sua vez construída pelas influencias advindas de todo o seu passado; logo, sua vontade, no sentido do bem ou no sentido do mal, é conforme a vida o moldou, desde que veio à existência até este presente momento. A vontade é, portanto, também conseqüência das experiências que teve.
Amigo: (aqui, o amigo relata a história de pessoas que, influenciadas pelo ambiente doméstico, ou por outros fatores, com os quais conviveram longo tempo, nem por isso seguiram os exemplos bons ou maus de genitores ou familiares ou de quem seja).
Resp: Isso que você relata é verdade e não é raro; contudo, é preciso ver que as influências que modelam, que marcam o homem, que o constroem e fazem que ele seja o que é, não se restringem às experiências só da convivência familiar, ou de experiências adquiridas em algumas outras situações. As experiências/influências vêm de “todos” os eventos, em qualquer tempo e lugar, das ações externas percebidas pelos órgãos de relacionamento com o mundo, das reações internas à essas ações externas, associações etc. Concorda?
Amigo:
“Onde ele aprendeu essas coisas, a vida o ensinou? O que lhe faltou? Sabedoria?”
Resp: se não foi a vida que o ensinou, meu amigo, quem foi? Onde ele aprendeu essas coisas? Se não foi no mundo, terá sido antes de vir ao mundo, certo? Então, criatura divina que ele é, teria sido criada por Deus e vindo já à existência com o mal em sua natureza. Se veio já com esse “defeito”, isso apenas mostra que a criação divina o fez assim, e nenhuma responsabilidade ou culpa lhe cabe por seus “pecados”. Qual será seu demérito que o faça ser submetido à justiça divina e o leve a ser, após a morte, condenado a alguma espécie de castigo, se já veio à vida com o mal em sua natureza? Agora, se lhe faltou sabedoria, é evidente que sim. Se fosse sábio, conheceria as conseqüências de seus pecados e, evidentemente, não pecaria. Se o homem sabe que sofrerá por seus pecados somente os cometerá se for ignorante, ou se estiver naquela condição de dementado, como vimos anteriormente.
Amigo:
“Será que o homem já nasce pré-determinado?”
Resp: você mesmo pode responder essa pergunta: se não é, como me parece você está sugerindo, a vida que o fez o que é, quem o fez? Há, aquém ou além da vida, alguma coisa mais que possa levar o homem a ser bom ou mau? Não é uma predestinação, mas um processo, de instante a instante, no qual o homem é levado, pelo fluir incerto da vida, a ser moldado, a se transformar e a vir a ser o que é, também de instante a instante.
Amigo:
“Mas, todos nós temos a liberdade de escolha; assim podemos escolher o caminho que desejamos seguir, mas devemos ter algo em mente e em nossas ações: nem todo o caminho é o caminho correto”.
Resp: e porque, se como você diz temos liberdade de escolha, escolhemos tantas vezes o mal? O amigo já fez uma análise séria e profunda dessa liberdade de escolha? Existe realmente uma escolha
Como, pelas doutrinas cristãs, não pode ser Deus o causador do sofrimento do mundo e dos erros ou “pecados” dos homens, e como o representante do mal, o tentador, o diabo, há muito saiu de cena, chegou-se à conclusão “lógica” e “inescapável” de que a criatura divina procedente de Deus é a causa de todos os males; que, se o homem sofre, é porque agiu erradamente, pecou; se é feliz, é porque agiu acertadamente, não pecou. O mal não pode proceder de Deus, mas pode proceder da criatura divina que procede de Deus! No entanto, procedendo de onde for, tem o beneplácito, o consentimento, a aprovação do Criador, sem o qual nada se faz.
O homem sofre e faz que outros sofram quando peca, quando age erradamente. Mas, qualquer tentativa de explicar que será condenado por isso, que haverá sofrimentos decorrentes da “condenação” por seus “pecados” (provenientes, é evidente, de seus desacertos na vida de relacionamento), sofrimentos que podem durar a eternidade, não cabe dentro da idéia de um Criador onisciente, onipotente e de infinitos amor e justiça; de um Criador que, por sua onisciência, sabe, desde sempre, quando, onde, como, em que circunstâncias “cada uma”, uma a uma, das divinas criaturas dele procedentes, por ele planejadas, produzidas, criadas e lançadas ao mundo entre outros bilhões, fará de incorreto, “pecará”, ou fará de correto, relativamente às suas leis ou às leis da vida; sabe, também, o que, cada uma, uma a uma, individualmente, sofrerá devido a seus pecados. Tanto que, de antemão, também criou leis com normas punitivas, para a expiação desses pecados, expiação que durará por algum tempo ou para sempre.
Seria, numa simples comparação apenas para ajudar a refletir, como o fabricante de brinquedos que, mesmo com total e absoluta certeza de que o brinquedo de sua fabricação, vai apresentar defeitos destrutivos, maléficos e, por isso, será perigoso, destruirá, matará, produzirá tantos e tão terríveis sofrimentos, tragédias e desgraças, assim mesmo o produz e o entrega às crianças. Quando surgem as conseqüências dos defeitos, os “pecados”, e os conseqüentes sofrimentos, quem é o responsável? O brinquedo ou o fabricante?
E a liberdade de escolha, existe realmente? O que é a escolha senão a opção apoiada naquilo que a escola que é a vida já ensinou? Veja só um exemplo simples de como não existe liberdade de escolher: você caminha por uma estrada que, de repente, se bifurca; por qual das duas vai continuar? Você não decide ou escolhe como num jogo de cara-ou-coroa, nem num estalar de dedos. Sempre vai analisar, por mais simples que essa analise seja, qual a estrada a seguir; a mais vantajosa, a mais sombreada, a que tem menos obstáculos a transpor. E porque você faz essa analise? Porque, pelas experiências anteriores de sua vivência de todos os dias, você já aprendeu alguma coisa; aprendeu que é mais vantajoso continuar por aquela cuja ponte está intacta, pela mais sombreada, pela cujo pavimento é melhor, pela mais curta etc. Só não faz essa análise o ignorante, o que está desesperado, dementado, descontrolado e, por isso, pode até continuar sua marcha pela estrada pior, ou cometer absurdos, como vemos no mundo. Mas esse não tem controle, não raciocina, é ignorante.
Até para escolher entre guloseimas, analisamos: se o apetite é grande, a maior; se não, a que nos parece mais saborosa, bonita, ou qualquer uma, se por curiosidade etc.
Portanto, liberdade de escolha é utopia; a escolha nunca é
Por essas coisas, percebemos que é preciso de, urgente e necessariamente, repensar as concepções religiosas. Ou todos vamos permanecer cheios de ilusões, remorsos, esperanças e, sobretudo, culpas e medos, pois vivemos dentro dessa tremenda ilusão de que a criatura divina é culpada ou responsável pelos males do mundo e que será, pelos seus pecados, sentenciado e condenada a penas dolorosas e longas.
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domingo, 9 de janeiro de 2011
EGO, QUE É, COMO ELIMINÁ-LO - PREDESTINAÇÃO - O MAL PODE SER EVITADO?
Bom domingo.
O que é o ego?
Veja: quando o espírito/criança vem à existência no espaço-tempo, no calor e aroma da mãe, usufruindo do alimento morno e saboroso, na tranqüilidade e segurança que a mãe lhe oferece, está num verdadeiro paraíso; nada a perturba; tudo está perfeito. Contudo, logo essa paz se desfaz; as primeiras cólicas, o outro que lhe tira o que tem na mão, e a criança descobre o não-eu, um mundo ameaçador a seu redor; aí nasce o ego, verdadeira defesa psicológica, que a acompanhará até ser destruído, ou pela morte biológica, ou pela iluminação; esse é o ego: uma capa protetora que, para nossa segurança, filtra tudo, interpreta, desconfia, repele, e cuja ação é intensificada pelos condicionamentos que a vida lhe acrescenta, entre eles as ilusões que nos são impostas, desde que nascemos, pelas tradições, costumes, crenças, religiões, cultura, suposições, sociedade. Todo nosso relacionamento com o mundo é feito através desse véu protetor, carregado de ilusões, mas que impede que saibamos o que e quem somos e o que o Todo é, pois nos oculta a realidade. Esse é o ego.
Como eliminar o ego?
O ego é destruído, ou pela iluminação, ou pela morte biológica, pois então não há mais necessidade de defesas. Logo, é eliminado, ou pelo meditar, ou pelo morrer.
A prática do mal poderia ser evitada?
Veja o que é a vida, o que somos nós: a vida é um eterno fluir de eventos sempre incertos e impermanentes; uma correnteza sem fim que tudo arrasta; somos apenas bolhas que na corrente se formam, duram mais ou menos tempo e são destruídas; somos, a cada instante, o resultado de todos os movimentos desse fluir, desde o “início” de tudo. Esse movimento contém tudo que nos constrói, instante a instante, e que nos chega através de nossos antepassados mais remotos, e que continuam em nós, com todas as transformações que a vida exigiu; somos o resultado de todas as reações internas, psicológicas e fisiológicas, vindas das ações externas percebidas em nosso relacionamento com o não-eu. Tudo fez e continua fazendo o que somos: somos, portanto, o resultado do passado. Logo, nenhuma autonomia temos. É essa “massa” que nos empurra para frente. Talvez, por isso, Paulo tenha afirmado: “É o Senhor que opera em nós o pensar, o querer e o fazer”; pois não somos “donos” nem de nossos pensamentos! Talvez, também, por isso, assegurou Paulo: “Não é por vossas obras que sereis salvos, mas pela graça de Deus”.
Se já está tudo predestinado?
Talvez não seja bem assim; talvez, para nós, isso se configure como destino, porque nada podemos fazer; somos apenas testemunhas. Mas, predestinação implica finalidade, planejamento, objetivo a atingir e, conforme os sábios, nada disso existe; tudo apenas é o que é, dentro desse fluir; tudo vai acontecendo e somos arrastados pela corrente, às vezes turbulentas, às vezes tranqüilas, conforme encontre ou não obstáculos pela frente, e quer queiramos ou não. Talvez por isso tenha aconselhado Krishnamurti: “... uma boa dose de humor e uma grande dose de indiferença” e Jesus: “... não vos preocupeis... olhai os lírios do campo... as aves do céu... a cada dia basta seu mal; o amanhã cuidará de si mesmo”.
Um abraço.
O que é o ego?
Veja: quando o espírito/criança vem à existência no espaço-tempo, no calor e aroma da mãe, usufruindo do alimento morno e saboroso, na tranqüilidade e segurança que a mãe lhe oferece, está num verdadeiro paraíso; nada a perturba; tudo está perfeito. Contudo, logo essa paz se desfaz; as primeiras cólicas, o outro que lhe tira o que tem na mão, e a criança descobre o não-eu, um mundo ameaçador a seu redor; aí nasce o ego, verdadeira defesa psicológica, que a acompanhará até ser destruído, ou pela morte biológica, ou pela iluminação; esse é o ego: uma capa protetora que, para nossa segurança, filtra tudo, interpreta, desconfia, repele, e cuja ação é intensificada pelos condicionamentos que a vida lhe acrescenta, entre eles as ilusões que nos são impostas, desde que nascemos, pelas tradições, costumes, crenças, religiões, cultura, suposições, sociedade. Todo nosso relacionamento com o mundo é feito através desse véu protetor, carregado de ilusões, mas que impede que saibamos o que e quem somos e o que o Todo é, pois nos oculta a realidade. Esse é o ego.
Como eliminar o ego?
O ego é destruído, ou pela iluminação, ou pela morte biológica, pois então não há mais necessidade de defesas. Logo, é eliminado, ou pelo meditar, ou pelo morrer.
A prática do mal poderia ser evitada?
Veja o que é a vida, o que somos nós: a vida é um eterno fluir de eventos sempre incertos e impermanentes; uma correnteza sem fim que tudo arrasta; somos apenas bolhas que na corrente se formam, duram mais ou menos tempo e são destruídas; somos, a cada instante, o resultado de todos os movimentos desse fluir, desde o “início” de tudo. Esse movimento contém tudo que nos constrói, instante a instante, e que nos chega através de nossos antepassados mais remotos, e que continuam em nós, com todas as transformações que a vida exigiu; somos o resultado de todas as reações internas, psicológicas e fisiológicas, vindas das ações externas percebidas em nosso relacionamento com o não-eu. Tudo fez e continua fazendo o que somos: somos, portanto, o resultado do passado. Logo, nenhuma autonomia temos. É essa “massa” que nos empurra para frente. Talvez, por isso, Paulo tenha afirmado: “É o Senhor que opera em nós o pensar, o querer e o fazer”; pois não somos “donos” nem de nossos pensamentos! Talvez, também, por isso, assegurou Paulo: “Não é por vossas obras que sereis salvos, mas pela graça de Deus”.
Se já está tudo predestinado?
Talvez não seja bem assim; talvez, para nós, isso se configure como destino, porque nada podemos fazer; somos apenas testemunhas. Mas, predestinação implica finalidade, planejamento, objetivo a atingir e, conforme os sábios, nada disso existe; tudo apenas é o que é, dentro desse fluir; tudo vai acontecendo e somos arrastados pela corrente, às vezes turbulentas, às vezes tranqüilas, conforme encontre ou não obstáculos pela frente, e quer queiramos ou não. Talvez por isso tenha aconselhado Krishnamurti: “... uma boa dose de humor e uma grande dose de indiferença” e Jesus: “... não vos preocupeis... olhai os lírios do campo... as aves do céu... a cada dia basta seu mal; o amanhã cuidará de si mesmo”.
Um abraço.
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
De mãos dadas...
Para reflexão, uma pequena-grande e sugestiva experiência.
Nuvens brancas, céu claro; daqui de baixo, uma escada perfeita que sobe e, lá em cima, mergulha e se desfaz numa estrela chamejante; subindo, degrau a degrau, lado a lado, mãos dadas, o assassino e o assassinado; o explorador e o explorado, o egoísta e o solidário, o orgulhoso e o humilde, o corruptor e o que foi corrompido, o perverso e sua vítima, o rei e o indigente, o malfeitor e o benfeitor, lado a lado, mãos dadas, subindo, subindo...
Nuvens brancas, céu claro; daqui de baixo, uma escada perfeita que sobe e, lá em cima, mergulha e se desfaz numa estrela chamejante; subindo, degrau a degrau, lado a lado, mãos dadas, o assassino e o assassinado; o explorador e o explorado, o egoísta e o solidário, o orgulhoso e o humilde, o corruptor e o que foi corrompido, o perverso e sua vítima, o rei e o indigente, o malfeitor e o benfeitor, lado a lado, mãos dadas, subindo, subindo...
domingo, 2 de janeiro de 2011
MEDITAÇÃO NÃO É REFLETIR; É ESQUECER.
Amigos
Cito uma amiga:
”... não se ascende espiritualmente através da meditação; a meditação apenas ajuda a pessoa a encontrar-se consigo mesma e com Deus... somente através da vida encarnatória... é que a pessoa consegue evoluir, e evolui porque sofre as vicissitudes da vida e...”.
Aí ela estabeleceu uma longa e séria conceituação do que seja a meditação. Lembrem-se que meditar, no sentido do sagrado, nada tem a ver com o sentido que o profano lhe dá; não é pensar ou refletir sobre um tema elevado, no amor ao próximo, nos exemplos que Jesus deixou, na paz mundial, imaginar ou visualizar isto ou aquilo; pedir graças, orar, suplicar, agradecer... nada disso” A meditação visa apenas aquietar o eu, silenciar o eu (Antigo Testamento: “Aquieta-te e sabe: eu sou Deus”). O que pode nos levar à percepção do Sagrado não são as religiões e crenças populares, nem as orações e súplicas, mas o afastamento do ego através da meditação. Depois que a própria ciência mais avançada do mundo, a física quântica, concluiu que as meditações das tradições orientais podem levar a estados elevados de consciência (estados que, até há pouco tempo, nem eram considerados pela ciência ocidental), estados nos quais nós podemos entrar numa condição de felicidade indescritível, chamada de ‘bem-aventurança’ pelos místicos e iluminados, muitos cientistas, psicólogos, religiosos e estudantes praticam técnicas de meditação. Mas, o objetivo dessa meditação, agora, não é mais apenas, como geralmente acreditamos no mundo ocidental, acabar com o estresse ou trazer saúde para o corpo. É muito mais do que isso: é conhecer a verdade que liberta, o que ou quem realmente somos; o que é o “eu”, conhecer aquilo a que damos o nome de Deus.
Por isso um sábio aconselhou: “Você tem de se libertar (de todos os problemas, ignorância, dúvidas e conflitos) e essa libertação não é alcançada nem pelo pensamento, nem pelo raciocínio. Ela é alcançada pela meditação – meditação que traz a compreensão da totalidade da vida, sem qualquer forma de fragmentação. Uma vez que você tenha chegado a essa compreensão, estará livre de toda ignorância e sofrimento”.
Assim, tb, o sentido de “O Tao da Física”, de Fritjoff Capra, cientista quântico pesquisador do hinduísmo. Esse livro, passo a passo, compara as revelações atuais da nova ciência com as revelações obtidas pelos místicos, desde há milhares de anos, nas suas penetrações, pela meditação, em níveis mais elevados de consciência.
A meditação proveitosa leva à percepção de Deus, que sempre esteve dentro de nós, como afirmaram Jesus, Paulo, Teresa de Ávila, João da Cruz, Jacob Boheme, Meister Eckart, todos os místicos ocidentais e orientais e, hoje, a ciência moderna.
Para as doutrinas cristãs essas palavras parecem blasfêmias. A crença católica, a evangélica, a espírita e outras, ensinam que somos incapazes de nos aproximar de Deus, porque estamos cheios de pecados e imperfeições. Enquanto isso, as revelações trazidas pela meditação ensinaram ao místico que desde sempre somos a própria divindade (‘eu e o Pai somos um’); que nosso trabalho, para nos libertarmos da ignorância e do sofrimento é, como afirmou Jesus, conhecer essa verdade. Por isso, hoje, a meditação é praticada, no Ocidente, por cientistas, psicólogos, psiquiatras, padres, monges, freiras, estudantes. Ela é a porta pela qual o ego sai e Deus entra. Hoje, e pela primeira vez na história do mundo, religião e ciência, tradicionais adversárias, se dão as mãos, pois a visão de mundo da ciência se confunde com a visão de mundo do misticismo milenar, o mesmo misticismo que a ciência ocidental considerava, até há pouco tempo, um amontoado de superstições, bobagens e até patologia.
Como vimos, o objetivo da meditação é: calar a mente, aquietar a mente, isto é, cessar com todas as operações mentais; trazer silêncio ao cérebro, fazer cessar o ‘eu’, com suas lembranças e condicionamentos e, se houver perseverança nessa condição, podemos vir a perceber aquilo que os místicos perceberam: que nós não somos essas criaturas impotentes e sofredoras, envolvidas pela escuridão da ignorância; que podemos dar o vôo da águia, subir às alturas e conhecer que somos a própria divindade que em nós habita.
Por isso: ‘Aquieta-te e sabe: Eu sou Deus!’, isto é, aquiete o ego, cesse com suas ações de pensar, imaginar, recordar, se emocionar e você poderá, se for perseverante, ‘ouvir’ a voz de Deus, ‘sentir’ Deus, ‘tocar’ Deus. Como disse o iluminado: ‘Aquele que perseverar até o fim será salvo!’.
Quando falamos de místicos, estamos falando de místicos de todas as denominações porque qualquer e toda denominação cessam ao, pela meditação, se conhecer a verdade. Todas as ‘religiões’ do Ocidente e do Oriente, judaísmo, cristianismo, budismo, bramanismo, todos os numerosos ‘ismos’, isto é, quer sejam religiões populares ou tradições sérias buscadoras da ‘re-ligação’ com a divindade, perdem as características que as tornam diferentes umas das outras, e ‘se fundem numa única compreensão perfeita e universal’ (como disse Jung (ou Einstein?) quando se tem o conhecimento da verdade; isto é, quando se tem a extraordinária percepção de que ‘eu e o Pai somos um’. Em qualquer época da história e em qualquer lugar onde tenha ocorrido, a experiência é semelhante ou igual para todos os que a tiveram.
A experiência vinda da meditação foi exaltada por todos os que por ela passaram como a experiência mais sublime que o ser humano pode ter. Jung, o psiquiatra, usou palavras semelhantes, e Jesus a considerou a pérola, o tesouro que quem encontra ‘vende tudo o que tem’, isto é, desiste de tudo o mais, e ‘compra aquele campo’. Jesus chegou até a afirmar que, ‘quem não abandona pai e mãe para segui-lo’, isto é, para buscar essa experiência, ‘não é digno dela’; com essas palavras fazendo ver que esse tesouro é muito mais importante do que qualquer outra coisa, conquista, bem ou posse.
Outros, como Teresa de Ávila, afirmaram que ‘comparado com essa experiência tudo mais é lixo’; Krishnamurti, o sábio indiano contemporâneo, ensinou que ‘tudo o mais é fútil e infantil’; e um poema Zen assegura que, ‘se você já esteve lá’, isto é, se você já teve a experiência, ‘como lhe parecem sem importância todas as outras coisas’.
Maharish Maharesh Yogi, que trouxe para o Ocidente a Meditação Transcendental, afirma que, enquanto não temos essa experiência, somos, ainda, meramente subumanos, enquanto Krishnamurti diz que a vida só tem significado quando chegamos ‘lá’. Por isso, com razão, Jesus aconselhou: “Buscai o reino de Deus...”; disse que, conhecida a verdade, de nada mais necessitamos. Vamos perceber, então, que a morte não existe e que não há necessidade de salvação, pois que desde sempre estamos salvos porque ‘Eu e o Pai somos um’. Com disse Paulo: “Não somos salvos por nossas obras, mas pela graça de Deus”.
Portanto, a meditação é de extrema importância, pois é a única saída da escuridão em que estamos. É aquietar o eu, esquecer o eu’, penetrar numa condição além do eu. A meditação nos leva para além de nosso nível comum de consciência, além das limitações de nossa mente, e faz com que penetremos em níveis mais elevados de compreensão.
Então, minha amiga, a única solução para todos os problemas é a meditação. Sentar-se em posição confortável, na qual nada esteja perturbando ou oprimindo, e esquecer o ‘eu’, esquecer tudo, até mesmo que estamos meditando; até mesmo o desejo de esquecer, sempre sem qualquer esforço ou esperança, que apenas reforçam o ego. Esse esquecimento nos leva para ‘além do ego’, para fora do tempo e do espaço. Esse é o verdadeiro ‘salto quântico’, um salto para fora do sistema do espaço-tempo, para o atemporal, onde podemos vir a perceber Deus.
E isso será o fim de todo sofrimento e de toda ignorância e o começo da felicidade, da sabedoria e do amor.
Lembrem-se das palavras, hoje esquecidas, de padres do cristianismo dos primeiros tempos: ‘Meditação é a coisa mais importante que a humanidade tem a fazer’.
Um abraço.
Cito uma amiga:
”... não se ascende espiritualmente através da meditação; a meditação apenas ajuda a pessoa a encontrar-se consigo mesma e com Deus... somente através da vida encarnatória... é que a pessoa consegue evoluir, e evolui porque sofre as vicissitudes da vida e...”.
Aí ela estabeleceu uma longa e séria conceituação do que seja a meditação. Lembrem-se que meditar, no sentido do sagrado, nada tem a ver com o sentido que o profano lhe dá; não é pensar ou refletir sobre um tema elevado, no amor ao próximo, nos exemplos que Jesus deixou, na paz mundial, imaginar ou visualizar isto ou aquilo; pedir graças, orar, suplicar, agradecer... nada disso” A meditação visa apenas aquietar o eu, silenciar o eu (Antigo Testamento: “Aquieta-te e sabe: eu sou Deus”). O que pode nos levar à percepção do Sagrado não são as religiões e crenças populares, nem as orações e súplicas, mas o afastamento do ego através da meditação. Depois que a própria ciência mais avançada do mundo, a física quântica, concluiu que as meditações das tradições orientais podem levar a estados elevados de consciência (estados que, até há pouco tempo, nem eram considerados pela ciência ocidental), estados nos quais nós podemos entrar numa condição de felicidade indescritível, chamada de ‘bem-aventurança’ pelos místicos e iluminados, muitos cientistas, psicólogos, religiosos e estudantes praticam técnicas de meditação. Mas, o objetivo dessa meditação, agora, não é mais apenas, como geralmente acreditamos no mundo ocidental, acabar com o estresse ou trazer saúde para o corpo. É muito mais do que isso: é conhecer a verdade que liberta, o que ou quem realmente somos; o que é o “eu”, conhecer aquilo a que damos o nome de Deus.
Por isso um sábio aconselhou: “Você tem de se libertar (de todos os problemas, ignorância, dúvidas e conflitos) e essa libertação não é alcançada nem pelo pensamento, nem pelo raciocínio. Ela é alcançada pela meditação – meditação que traz a compreensão da totalidade da vida, sem qualquer forma de fragmentação. Uma vez que você tenha chegado a essa compreensão, estará livre de toda ignorância e sofrimento”.
Assim, tb, o sentido de “O Tao da Física”, de Fritjoff Capra, cientista quântico pesquisador do hinduísmo. Esse livro, passo a passo, compara as revelações atuais da nova ciência com as revelações obtidas pelos místicos, desde há milhares de anos, nas suas penetrações, pela meditação, em níveis mais elevados de consciência.
A meditação proveitosa leva à percepção de Deus, que sempre esteve dentro de nós, como afirmaram Jesus, Paulo, Teresa de Ávila, João da Cruz, Jacob Boheme, Meister Eckart, todos os místicos ocidentais e orientais e, hoje, a ciência moderna.
Para as doutrinas cristãs essas palavras parecem blasfêmias. A crença católica, a evangélica, a espírita e outras, ensinam que somos incapazes de nos aproximar de Deus, porque estamos cheios de pecados e imperfeições. Enquanto isso, as revelações trazidas pela meditação ensinaram ao místico que desde sempre somos a própria divindade (‘eu e o Pai somos um’); que nosso trabalho, para nos libertarmos da ignorância e do sofrimento é, como afirmou Jesus, conhecer essa verdade. Por isso, hoje, a meditação é praticada, no Ocidente, por cientistas, psicólogos, psiquiatras, padres, monges, freiras, estudantes. Ela é a porta pela qual o ego sai e Deus entra. Hoje, e pela primeira vez na história do mundo, religião e ciência, tradicionais adversárias, se dão as mãos, pois a visão de mundo da ciência se confunde com a visão de mundo do misticismo milenar, o mesmo misticismo que a ciência ocidental considerava, até há pouco tempo, um amontoado de superstições, bobagens e até patologia.
Como vimos, o objetivo da meditação é: calar a mente, aquietar a mente, isto é, cessar com todas as operações mentais; trazer silêncio ao cérebro, fazer cessar o ‘eu’, com suas lembranças e condicionamentos e, se houver perseverança nessa condição, podemos vir a perceber aquilo que os místicos perceberam: que nós não somos essas criaturas impotentes e sofredoras, envolvidas pela escuridão da ignorância; que podemos dar o vôo da águia, subir às alturas e conhecer que somos a própria divindade que em nós habita.
Por isso: ‘Aquieta-te e sabe: Eu sou Deus!’, isto é, aquiete o ego, cesse com suas ações de pensar, imaginar, recordar, se emocionar e você poderá, se for perseverante, ‘ouvir’ a voz de Deus, ‘sentir’ Deus, ‘tocar’ Deus. Como disse o iluminado: ‘Aquele que perseverar até o fim será salvo!’.
Quando falamos de místicos, estamos falando de místicos de todas as denominações porque qualquer e toda denominação cessam ao, pela meditação, se conhecer a verdade. Todas as ‘religiões’ do Ocidente e do Oriente, judaísmo, cristianismo, budismo, bramanismo, todos os numerosos ‘ismos’, isto é, quer sejam religiões populares ou tradições sérias buscadoras da ‘re-ligação’ com a divindade, perdem as características que as tornam diferentes umas das outras, e ‘se fundem numa única compreensão perfeita e universal’ (como disse Jung (ou Einstein?) quando se tem o conhecimento da verdade; isto é, quando se tem a extraordinária percepção de que ‘eu e o Pai somos um’. Em qualquer época da história e em qualquer lugar onde tenha ocorrido, a experiência é semelhante ou igual para todos os que a tiveram.
A experiência vinda da meditação foi exaltada por todos os que por ela passaram como a experiência mais sublime que o ser humano pode ter. Jung, o psiquiatra, usou palavras semelhantes, e Jesus a considerou a pérola, o tesouro que quem encontra ‘vende tudo o que tem’, isto é, desiste de tudo o mais, e ‘compra aquele campo’. Jesus chegou até a afirmar que, ‘quem não abandona pai e mãe para segui-lo’, isto é, para buscar essa experiência, ‘não é digno dela’; com essas palavras fazendo ver que esse tesouro é muito mais importante do que qualquer outra coisa, conquista, bem ou posse.
Outros, como Teresa de Ávila, afirmaram que ‘comparado com essa experiência tudo mais é lixo’; Krishnamurti, o sábio indiano contemporâneo, ensinou que ‘tudo o mais é fútil e infantil’; e um poema Zen assegura que, ‘se você já esteve lá’, isto é, se você já teve a experiência, ‘como lhe parecem sem importância todas as outras coisas’.
Maharish Maharesh Yogi, que trouxe para o Ocidente a Meditação Transcendental, afirma que, enquanto não temos essa experiência, somos, ainda, meramente subumanos, enquanto Krishnamurti diz que a vida só tem significado quando chegamos ‘lá’. Por isso, com razão, Jesus aconselhou: “Buscai o reino de Deus...”; disse que, conhecida a verdade, de nada mais necessitamos. Vamos perceber, então, que a morte não existe e que não há necessidade de salvação, pois que desde sempre estamos salvos porque ‘Eu e o Pai somos um’. Com disse Paulo: “Não somos salvos por nossas obras, mas pela graça de Deus”.
Portanto, a meditação é de extrema importância, pois é a única saída da escuridão em que estamos. É aquietar o eu, esquecer o eu’, penetrar numa condição além do eu. A meditação nos leva para além de nosso nível comum de consciência, além das limitações de nossa mente, e faz com que penetremos em níveis mais elevados de compreensão.
Então, minha amiga, a única solução para todos os problemas é a meditação. Sentar-se em posição confortável, na qual nada esteja perturbando ou oprimindo, e esquecer o ‘eu’, esquecer tudo, até mesmo que estamos meditando; até mesmo o desejo de esquecer, sempre sem qualquer esforço ou esperança, que apenas reforçam o ego. Esse esquecimento nos leva para ‘além do ego’, para fora do tempo e do espaço. Esse é o verdadeiro ‘salto quântico’, um salto para fora do sistema do espaço-tempo, para o atemporal, onde podemos vir a perceber Deus.
E isso será o fim de todo sofrimento e de toda ignorância e o começo da felicidade, da sabedoria e do amor.
Lembrem-se das palavras, hoje esquecidas, de padres do cristianismo dos primeiros tempos: ‘Meditação é a coisa mais importante que a humanidade tem a fazer’.
Um abraço.
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