segunda-feira, 18 de julho de 2011

A UNICIDADE - ASSARHADON, REI DA ASSÍRIA (Tolstoi)

(27) Amigos, para alguns será repetição a leitura deste texto pois já o coloquei noutros sites, há tempos.




ASSARHADON, REI DA ASSÍRIA (Tolstoi)


Uma das tentativas de Tolstoi de fazer que se veja, através de uma parábola, que a diversidade é, apenas, aparente; que a realidade é a unicidade.

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Assarhadon, rei da Assíria, conquistou o reino do rei Lahilié. Destruiu todas as cidades, levou todos os habitantes para a Assíria, mandou matar os guerreiros, e prendeu o rei numa jaula.

À noite, já no leito, Assarhadon imaginava suplícios para infligir a Lahilié quando ouviu um ruído ao lado. Abrindo os olhos, viu um velho de grandes barbas brancas, ao lado da cama.

- Queres matar Lahilié? - perguntou o velhinho.

- Sim! - respondeu o rei, assustado. - Falta-me apenas descobrir um suplício adequado.

- Mas Lahilié és tu! - tornou o ancião.

- Não é verdade: eu sou eu e Lahilié é Lahilié.

- Tu e Lahilié não sois mais que um! - retrucou o velho - Parece-te que não sejas Lahilié e que Lahilié não sejas tu.

- Como parece-me? Eis-me deitado num leito macio, rodeado de escravos e, amanhã, estarei me divertindo com os meus companheiros, enquanto Lahilié será empalado e se contorcerá até rebentar; e seu corpo será lançado aos cães.

- Tu não tens o poder de aniquilar a vida dele! - observou o intruso.

- E que dizes dos 14 mil guerreiros que massacrei e com os quais fiz montanhas de cadáveres? Eu estou vivo; eles estão mortos. Logo, posso aniquilar a vida.

- Como sabes que eles não existem mais?

- Porque não os vejo. Eles foram torturados e mortos e eu não. Eles sofreram e eu me sinto bem.

- Isso, também, somente parece a ti. A ti é que torturaste, não a eles.

- Não compreendo! - disse Assarhadon.

- Queres compreender? Aproxima-te! - pediu o velho, mostrando ao rei uma tina cheia de água.

O rei levantou-se, aproximando-se da tina.

- Despe-te e entra na água!

Assarhadon obedeceu.

- Agora, quando eu começar a derramar a água sobre ti, mergulha a cabeça! - disse o velho, enchendo um cântaro de água e inclinando-o sobre a cabeça do rei.

Daí por diante, Assarhadon não se sentiu mais Assarhadon e sim outro homem: viu-se sobre rica cama, ao lado de linda mulher. Nunca a tinha visto, mas sabe que é sua mulher. Ela se levanta e lhe diz:

- Meu caro marido Lahilié; estavas fatigado por teres trabalhado muito ontem; por isso não te acordei. Os príncipes já estão reunidos a tua espera, no salão. Veste-te e vai recebê-los!

Assarhadon, compreendendo por estas palavras que ele é Lahilié, longe de se admirar e antes surpreso de não o ter sabido até então, levanta-se, veste-se e se dirige ao salão.

Os príncipes se curvam diante de Lahilié; este faz que eles se sentem. O mais antigo dos príncipes inicia discurso mostrando a impossibilidade de suportar os numerosos ultrajes do perverso rei Assarhadon e a necessidade de entrar em guerra contra ele. Lahilié não é da mesma opinião e determina que se enviem embaixadores a Assarhadon, com o propósito de modificar-lhe a atitude. Encerrada a audiência, dá instruções, aos embaixadores indicados, sobre o que devem transmitir ao rei.

Feito isso, Assarhadon, agora Lahilié, vai para as montanhas à caça de onagros, e só ele mata dois animais. De volta, com seus companheiros, festeja, apreciando a dança dos escravos.

No dia seguinte, como sempre, dá audiência e sentencia sobre vários assuntos. Depois, vai novamente á caça, seu prazer predileto, matando uma leoa e capturando seus dois leõezinhos. Repetem-se as festas, a música, a dança; a noite, ele a passa com sua mulher amada.

Decorrem, assim, dias e semanas, à espera dos embaixadores enviados a Assarhadon, que outrora fora ele. Os embaixadores só voltam um mês depois, com o nariz e as orelhas cortadas. O rei Assarhadon manda dizer a Lahilié que a mesma sorte o aguarda se não enviar, sem demora, o tributo fixado em prata, ouro e madeiras e se, em pessoa, não lhe vier prestar suas homenagens.

Lahilié, noutro tempo Assarhadon, reúne novamente os príncipes e se aconselha sobre as medidas a tomar. Decidem fazer guerra a Assarhadon sem esperar seu ataque.

O rei aceita o conselho, põe-se à frente do exército e parte para a luta. A marcha dura uma semana e todos os dias o rei passa em revista suas tropas e lhes estimula a coragem. No oitavo dia, encontra-se finalmente com as tropas de Assarhadon, numa vasta planície sulcada por um rio.

Os guerreiros de Lahilié combatem corajosamente, mas Lahilié, antes Assarhadon, vê os inimigos descerem das montanhas como formigas, inundarem o vale e rechaçarem suas tropas. Então, no meio da batalha, precipita-se com seu carro, trespassando e abatendo os seus inimigos em derredor. Mas, eis que se sente ferido e é feito prisioneiro.

Por nove dias, marcha acorrentado entre outros prisioneiros, cercados pelos guerreiros de Assarhadon. No décimo dia, chega a Nínive e é fechado numa prisão.

Lahilié sofre menos da fome e dos ferimentos do que de sua raiva impotente. Está furioso por não poder infligir ao inimigo todo o mal que ele e os seus estão sofrendo. E toma a firme resolução de tudo suportar com coragem e sem lamentos, para não dar ao inimigo o prazer de ver que está sofrendo.

Há vinte dias está na prisão, esperando o suplício. Vê passarem seus parentes e amigos, ouve os gritos dos supliciados a quem são cortados os braços e pernas ou que são esfolados vivos, mas sua face não trai nenhuma emoção. Vê sua mulher preferida ser carregada pelos eunucos. Sabe que ela vai tornar-se escrava de Assarhadon, e tudo suporta sem deixar escapar um queixume.

Eis que dois carrascos abrem a prisão, prendem-lhe as mãos com uma correia e o conduzem ao local do suplício, todo inundado de sangue. Lahilié vê a estaca pontiaguda e ensangüentada, donde acabou de ser retirado o cadáver de um de seus amigos, e adivinha que ela está livre em sua intenção. Despem-no. Ele se espanta da magreza de seu corpo, outrora tão belo e robusto. Os carrascos levantam-no pelas coxas magras e vão pendurá-lo no poste do suplício.

- Eis a morte! - pensa Lahilié e, se esquecendo do propósito de se manter corajoso e calmo até o fim, prorrompe em soluços e implora perdão. Ninguém o escuta.

- Não é possível! - pensa ele. Estou dormindo; isto é um sonho! - e faz esforço para acordar. - Eu não sou Lahilié; sou Assarhadon! - diz de si para consigo.

Acorda, de fato, mas para verificar que não é nem Assarhadon, nem Lahilié, mas um animal. Assombra-se de ser animal e, ao mesmo tempo, surpreende-se de não o ter ainda percebido. Pasta, agora, no vale, a erva carnuda. Espanta as moscas com a longa cauda e sente um peso estranho nas mamas cheias de leite. Perto, salta e brinca um burrico cinzento-escuro, de dorso listrado e pernas compridas. Escoiceando, o burrico se curva sob a fêmea, noutro tempo Assarhadon, passa por baixo do ventre materno e procura a teta com o focinho; depois, encontrando-a, mama e se acalma.

Assarhadon compreende que ele é uma jumenta, mãe deste burrinho e não se admira nem se entristece com isso; antes se alegra. Sente a emoção feliz do movimento da vida em si e em sua cria.

Subitamente, alguma coisa voa, sibilando, e penetra em seu flanco. Sentindo dor, a jumenta arranca a teta da boca do burrinho e, com as orelhas baixas, foge em direção à récua de burros de que tinha se afastado. O filho corre a seu lado e, quando vai atingir a tropilha, uma flecha se enterra em seu pescoço; ele fraqueja e cai sobre os joelhos. A jumenta, outrora Assarhadon, estaca, disposta a não abandoná-lo. É quando, um ser terrível, com duas pernas, um homem, aparece e corta o pescoço do burrinho.

- Não é possível! Ainda é um sonho, pensa Assarhadon, reunindo todas as forças para acordar.

Grita e, ao mesmo tempo, tira a cabeça da água. Vê, perto dele, o velhinho que joga, sobre sua cabeça, a água do cântaro.

- Oh! Como sofri e por quanto tempo padeci! - exclama Assarhadon.

- Muito tempo? Nem bem mergulhaste a cabeça e já a retiraste! Observa, o cântaro ainda está quase cheio... Compreendeste agora?

Assarhadon nada respondeu, mas fitou o ancião com terror na face.

- Compreendeste, agora, que Lahilié és tu e que os guerreiros que mataste são também tu mesmo? Não só os guerreiros, mas até os animais que matas na caça e devoras nos teus festins, são tu. Pensas que a vida está somente em ti; arranquei o véu da mentira de teus olhos e percebeste que, fazendo mal aos outros, fazes mal a ti mesmo. A vida é um todo e tu não conténs senão uma de suas parcelas. E somente nessa parcela, podes melhorar ou viciar, acrescer ou diminuir a vida. Melhorá-la tu só o podes, suprimindo as barreiras que separam tua vida da dos outros seres vivos, amando-os, considerando-os como um outro ‘eu’ em relação a ti. A vida das criaturas que mataste não foi aniquilada, somente desapareceu dos teus olhos. Crês poder alongar a tua existência e abreviar a dos outros, mas não tens esse poder. A vida não tem tempo nem lugar. A que dura um segundo, como a que dura mil anos, têm o mesmo valor. Não pode ser abolida, nem transformada, porque somente ela existe. Tudo o mais é apenas ilusão.

Com estas palavras, o velho desapareceu.

Na manhã seguinte, o rei Assarhadon mandou suspender as execuções e libertar Lahilié e todos os outros prisioneiros. No terceiro dia, transmitiu o poder real ao seu filho Assurbanipal. Retirou-se, depois, para o deserto a fim de meditar sobre o que tinha aprendido.

Mais tarde, fez-se peregrino e percorrendo cidades e vilas, ensinava a todos que a vida é uma só e que os homens só fazem mal a eles mesmos, quando fazem o mal aos outros.

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(24) PAI NOSSO (Jan 08)

(24) PAI NOSSO - ENTREQUENO-NOS (Jan 08)
(jcl-ribpreto)


O Pai nosso, o Absoluto inefável, está no céu, em todos nós e em todas as coisas, e todos nós e todas as coisas estamos n’Ele.

Santificado, santo, seja, para todos nós, o Seu nome, o Eu Sou. Que compreendamos o significado de Sua presença em cada um de nós, em todos e em tudo. Pois só assim ficaremos todos perfeitamente sãos da carne e do espírito.

Venha a nós, pela atenção da busca, o percebimento de sua presença e da realidade de seu reino em nós e que nossa consciência tenha percepção de que somos da mesma natureza d’Ele, da mesma compaixão, sabedoria, inteligência e abundância de todos os bens.

Seja aceita a Sua vontade, que é sempre perfeita e que representa amor, vida, felicidade, entendimento, luz - embora, a interpretemos, por vezes, como tragédia, conflito, sofrimento, caos - sem qualquer bloqueio de nossa parte, isto é, tão facilmente como ela é aceita onde não há resistências a sua realização, em todo lugar, assim na terra como no céu.

O pão nosso, a energia destinada ao nosso despertar da escuridão, que estejamos a ela abertos a cada dia, hoje e a todos os instantes.

Que superemos, nos relacionamentos, os erros de falta de paciência, de cobranças indevidas, de irritações sem motivos, de intolerância pelas falhas mútuas, ou pequenas faltas, pelo cansaço, pelo egocentrismo de cada um quando acha que seus problemas são maiores que os dos outros, e que saibamos perdoar as dívidas que temos uns com os outros, não sete vezes, mas setenta vezes sete vezes... sempre, porque ninguém escolhe, e, portanto, ninguém tem culpa.

Que não nos deixemos cair na tentação de pensar que, por nós, podemos alguma coisa.

E que estejamos livres de praticar, por pensamentos, palavras ou obras, qualquer mal, em particular contra os inocentes das questões que tenhamos uns com os outros, aos quais não foi sequer perguntado, pois não saberiam compreender nem responder, se o passo que dávamos lhes conviria.

E que saibamos que somente Seu é o poder e a escolha de tudo.

Assim seja.

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Essa oração não conteria pedidos a Deus, pois que Ele não modificaria o equilíbrio dos cosmos simplesmente para atender à vontade de alguém. Conteria, sim, exortações e lições endereçadas aos homens. Jesus desejava ensinar aos homens que a divindade já está em nós, que devemos, portanto, considerar sagrados todos e tudo, pois que tudo é obra de Deus, Ele está e é tudo, inclusive nós mesmos. Que tenhamos a percepção de que já estamos no reino divino, embora não o percebamos, ainda; que saibamos que a vontade de Deus, queiramos ou não, aceitemos ou não, deve ser acolhida por todos, porque não há o que fazer para modificá-la se a considerarmos desagradável. Que saibamos buscar a energia, os pensamentos inspiradores que nos dêem o impulso necessário para a busca do reino de Deus. Que saibamos perdoar a todos, pois que todos, como nós, nada fazemos por nossa vontade, pois a escolha não é nossa. Que a vontade divina seja, não por pedirmos, mas por nossa esperança, no sentido de que não fiquemos, por nossa ignorância, tentados a fazer qualquer mal a qualquer ser vivo, humano ou não; portanto, que o desejo de todos seja sempre de não praticar e de não sofrer o mal de modo algum. E que fiquemos conhecendo que de Deus é o reino, isto é, o poder e a vontade sobre nós e sobre tudo.

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Entreguemo-nos, confiantes, ao Inefável.

Que nossa consciência seja ampliada, para que possamos compreender.

Que vejamos o amor que nela está, embora obscurecido pelo egoísmo, pela irritação fácil, pela impaciência.

Que nos entendamos, nos comuniquemos e nos perdoemos sempre que estivermos em conflito.

E que saibamos fazer felizes a nós mesmos e a todos os que, junto de nós, sofrem sem que lhes caiba nenhuma culpa pelos erros que nós praticamos.

Que saibamos, pois, chegar à consciência de compreender e perceber.

Assim seja.

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domingo, 17 de julho de 2011

O PODER DA FÉ

Amigos (ref #0)


Olá, novo companheiro trouxe um tópico intitulado “O poder da fé”. Vamos tentar alguns comentários.

Cel: amigos, o q é a fé senão crença? Não é uma convicção absoluta. Fé é crer ou ter esperanças de q algo q não conhecemos, seja uma verdade sem q a tenhamos provado como verdade. Pelo fato de depositarmos confiança em quem a comunicou, acreditamos q seja verdade ou q realmente vai acontecer.

Quando Jesus disse “se tiverdes fé do tamanho de um grão de mostarda, direis a esta montanha...”, ele apenas nos mostrou que nossa fé é muito pequena, que não temos fé nenhuma. Não que tenhamos culpa disso; apenas que não temos fé nenhuma. Quem é q pode, à força, passar a ter fé? A fé incondicional, a convicção absoluta, só pode ser alcançada com o percebimento da verdade, com o conhecimento da verdade, a verdade de que “eu e o Pai somos um”.

É essa percepção que liberta, para sempre, de todos os sofrimentos, de toda ignorância, e que torna possível uma criatividade com resultados que nem podemos imaginar. Foi esse conhecimento, essa criatividade, que deve ter tornado Jesus capaz de produzir os chamados “milagres”.

Vejam: todos estamos condicionados a, para problemas gerados por determinada necessidade, repetir sempre a mesma solução q já lhe demos, repetidas vezes, anteriormente. Nossa mente é limitada; todos os nossos raciocínios, planejamentos, decisões e ações estão dentro dos limites acanhados da mente, devido a entendermos o mundo através da interpretação, suspeita e parcial, do ego. Sempre o ego é o obstáculo interposto entre nós e a realidade de nossa verdadeira identidade. Eliminado esse obstáculo, tomamos conhecimento da verdade e agimos totalmente libertos dos condicionamentos. Nós, egos, acreditamos q, para determinado problema, somente existe aquela ou aquelas soluções q sempre usamos. No entanto, aquele q se liberta do ego (“... a verdade vos libertará”) tem acesso a outras “n” soluções para a mesma necessidade; nao é mais a simples fé q o faz caminhar; ele, agora, tem convicção absoluta. Sua consciência criativa se expande e, enquanto nós, ao encontrarmos em nosso caminho, um rio nos impedindo de continuar, desistimos e recuamos, sua criatividade lhe permite “andar sobre as águas”, controlar elementos da natureza como fez Jesus, acalmando tempestades, multiplicando e transformando alimentos e bebidas, curando. Esse, q se ilumina, tem acesso ao “campo das infinitas possibilidades”, como denominado por Maharish Mahresh Yogue.

Continuação do texto do amigo:

“2. No sentido próprio, é certo que a confiança nas suas próprias forças torna o homem capaz de executar coisas materiais, que não consegue fazer quem duvida de si”.

Cel: essa é uma verdade; apenas um reparo: a confiança nas próprias forças não torna o homem capaz de executar coisas materiais; essa confiança o torna capaz, tão somente, de “tentar” executar. Ninguém, nem ele mesmo, sabe se as executará ou não.

Texto do amigo:

“3. Noutra acepção, entende-se como fé a confiança que se tem na realização de uma coisa, a certeza de atingir determinado fim”.

Cel: nunca, para aquele q raciocina e reflete, existe uma certeza de atingir qualquer fim; apenas existe esperança de q o fim procurado seja atingido. Na vida não existe senão duas certezas absolutas: a primeira certeza é q a morte, inexoravelmente, está à nossa frente; a segunda certeza absoluta é que não temos certeza de mais nada, nem se vamos estar em casa esta noite, nem o q pode acontecer no próximo minuto. Podemos planejar, esperar, imaginar o q iremos fazer daqui a pouco, mas nunca ter certeza de q o faremos realmente.

Texto do amigo:

“Ela dá uma espécie de lucidez que permite se veja, em pensamento, a meta que se quer alcançar e os meios de chegar lá, de sorte que aquele que a possui caminha, por assim dizer, com absoluta segurança. Num como noutro caso, pode ela dar lugar a que se executem grandes coisas”.

Cel: a fé muitas vezes, funciona como um auto-hipnotismo, nos levando realmente a realizar coisas q, sem ela, não realizaríamos. Ela dá força e coragem mas, apenas, para “tentar”. Só tem segurança de q realizará seu desejo, aquele q não raciocina perfeitamente, pois q não observou a totalidade da vida. Não existe segurança absoluta, nem fisiológica nem psicológica, em qualquer ação, situação, escolha ou decisão. Pode haver possibilidades de que tudo corra bem; apenas possibilidades!

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ESTUDANDO CÉREBROS DE MEDITADORES

Cérebros de Monges Meditadores são Escaneados



Num laboratório de Nova Iorque, um neurologista vem colocando monges Budistas Tibetanos numa máquina do tamanho de um carro, para escanear o seu cérebro de modo a melhor entender a antiga prática de meditação.



Mas poderia essa pesquisa incomum não somente revelar os segredos de uma vida harmoniosa mas também ajudar a entender algumas das mais misteriosas doenças do mundo?



Zoran Josipovic, um cientista pesquisador e professor adjunto na New York University, diz que ele tem observado os cérebros dos monges durante a meditação para entender como os cérebros se re-organizam durante esse exercício.



Desde 2008, o pesquisador tem colocado as mentes e corpos de proeminentes figuras Budistas numa máquina de imagem por ressonância magnética funcional (fMRI) que pesa 5 toneladas.



O escaneamento segue o fluxo sanguíneo no cérebro dos monges enquanto eles meditam dentro do confinamento da máquina, que produz um ritmo musical ao estar em operação.



O Dr. Josipovic, que também faz um bico como monge Budista, diz que espera descobrir como alguns meditadores atingem um estado de "não-dualidade" ou "unicidade" com o mundo, uma consciência unificada entre a pessoa e o seu meio-ambiente.



"Uma das coisas que a meditação oferece para aqueles que a praticam muito é o desenvolvimento da atenção," diz o Dr. Josipovic, adicionando que o aprimoramento dessa habilidade pode conduzir a um estado com mais tranqüilidade e felicidade.



"As pesquisas da meditação, particularmente nos últimos 10 anos, têm sido muito promissoras porque apontam para uma habilidade do cérebro de mudança e otimização de um modo que antes não se sabia ser possível."



Ao relaxar no estado de unicidade, a rede de neurônios dos praticantes com experiência muda na medida em que a barreira psicológica com o meio ambiente é reduzida, diz o Dr. Josipovic.



E essa reorganização no cérebro pode conduzir ao que alguns meditadores afirmam ser uma profunda harmonia com aquilo que os cerca.



Mudando a atenção

A pesquisa do Dr. Josipovic faz parte de um esforço mais amplo para compreender aquilo que os cientistas denominaram o circuito automático no cérebro.



Ele diz que o cérebro parece estar organizado em dois circuitos: o circuito extrínseco e o circuito intrínseco, ou automático.



A parte extrínseca do cérebro se torna ativa quando os indivíduos estão focados em atividades externas, tal como praticar esportes ou colocando café numa xícara.



O circuito automático está ativo quando as pessoas refletem sobre temas que envolvem elas mesmas e as suas emoções.



Mas os circuitos estão ativos ao mesmo tempo apenas raramente. Igual a uma gangorra, quando um está ativado o outro é reduzido.



Essa organização neural permite que os indivíduos se concentrem com mais facilidade num determinado momento numa determinada tarefa, sem ser absorvido por distrações como por exemplo sonhar acordado.



"O que estamos tentando fazer é basicamente identificar as mudanças nos circuitos no cérebro na medida em que a pessoa muda essas formas de atenção," diz o Dr. Josipovic.



O Dr. Josipovic descobriu que alguns monges Budistas e outros meditadores experientes têm habilidade em manter ambos circuitos neurais ativos ao mesmo tempo durante a meditação - isto é, eles encontraram uma forma de manter ambos extremos da gangorra no alto, ao mesmo tempo.



E o Dr. Josipovic acredita que essa habilidade de manter ambos circuitos interno e externo ativos ao mesmo tempo pode fazer com que os monges experimentem uma sensação de unicidade harmoniosa com o meio ambiente.



Introspecção

Antes os cientistas acreditavam que o circuito introspectivo automático no cérebro estava ativo simplesmente quando a pessoa não tinha nenhuma tarefa na qual focar a sua atenção.



Mas os pesquisadores descobriram na última década que essa parte do cérebro se enche de atividade quando a pessoa pensa no eu.



O circuito automático veio à luz em 2001 quando o Dr. Marcus Raichle, um neurologista na Washington University School of Medicine no estado de Missouri, EUA, começou a escanear os cérebros de indivíduos que não haviam recebido nenhuma tarefa para ser realizada.



Os participantes rapidamente se entediaram e o Dr. Raichle observou um segundo circuito, que antes não havia sido observado, muito ativo. Mas para o pesquisador não ficou claro porque essa atividade estava ocorrendo.



Outros cientistas rapidamente sugeriram que os pacientes do Dr. Raichle poderiam na verdade estar pensando sobre si mesmos.



Pouco tempo depois outros neurologistas, que conduziam estudos empregando filmes para estimular o cérebro, descobriram que quando havia uma trégua nas ações no filme, o circuito automático começava a brilhar - indicando que os participantes no estudo poderiam ter começado a pensar em si mesmos devido ao tédio.



Mas o Dr. Raichle diz que o circuito automático é importante não somente para pensar no jantar da noite passada.



"Os pesquisadores têm se debatido com essa idéia de como sabemos que somos quem somos. O circuito automático tem algo da resposta sobre como isso pode ter surgido," ele diz.



E o Dr. Raichle adiciona que aqueles que estudam o circuito automático também podem ajudar a desvendar os segredos que cercam alguns distúrbios psicológicos, como a depressão, autismo e até mesmo Alzheimer.



"Se você analisar a doença de Alzheimer e verificar se há alguma região em particular do cérebro afetada, o que é surpreendente, é que na verdade a doença afeta o circuito automático," diz o Dr. Raichle, adicionando que a pesquisa do circuito intrínseco, tal como a feita pelo Dr. Josipovic, pode ajudar a explicar porque acontece isso.



Cindy Lustig, professora assistente de psicologia e neurologia na Universidade de Michigan concorda.

"É um circuito importante mas pouco estudado no cérebro que parece estar muito envolvido em muitos distúrbios neurológicos, incluindo o autismo e Alzheimer, e é importante compreender como esse circuito interage com o circuito orientado para tarefas (extrínseco)," ela diz. "É como se fosse a outra peça do quebra-cabeças que foi ignorada durante muito tempo."



O Dr. Josipovic escaneou os cérebros de mais de 20 meditadores experientes, ambos monges e monjas, que estudam o estilo de meditação do Budismo Tibetano, para melhor entender esse circuito misterioso.



Ele diz que a sua pesquisa, que será publicada em breve, irá por enquanto continuar se concentrando na explicação das implicações neurológicas da unicidade e da tranqüilidade - embora a melhora no entendimento, como parte do processo, do autismo e Alzheimer, seria um bônus significativo.
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sábado, 16 de julho de 2011

O ESFORÇO DA SEMENTE

Amigos,




Há uma bela e sugestiva alegoria, sobre o desenvolvimento do espírito encarnado/homem, suas vicissitudes, e a alegria e felicidade ao “romper a casca e a terra e ver a luz do sol”, em um de seus fragmentos de vida. Nessa alegoria, “O Esforço da Semente”, o espírito é comparado com uma sementinha, que aos poucos e por seu esforço se desenvolve até se tornar árvore adulta.


Podemos ver, nessa alegoria, como podemos ver ao observar a vida, uma grande verdade que muitos, inclusive doutrinas e religiões, não vêem: o esforço da semente, de modo algum, é apenas dela isoladamente, como o “esforço” do homem, para se desenvolver e “crescer”, de modo algum, é apenas do homem isoladamente... O “esforço” é da da natureza, ou do universo como um todo orgânico, ou de Deus. Até mesmo para desprender-se da árvore e cair ao solo não foi por seu esforço, mas do conjunto da natureza, do movimento eterno do universo, onde se incluem o vento, a força da gravidade, o preenchimento das condições para soltar-se da arvore, isto é, o tempo de cair... (a sabedoria do Eclesiastes).




Cito o texto:


“E a (semente, agora árvore) acolhia a todos, satisfeita por poder ser útil. Sentia-se agora feliz e realizada; reconhecia o quanto devia à terra que a agasalhara em seu seio por tanto tempo, à água que mantivera sua vida latente, e ao calor do sol que lhe dera condições de crescer e se desenvolver”.




Foi muito feliz a autora do texto, pois mostra exatamente que nada é fruto de um esforço individual e sim de um conjunto ou totalidade, isto é, do “esforço” ou movimento do conjunto do universo, natureza, vento, chuva, terra, sol, fatores que lhe deram condições para nascer no fruto, viver na terra, perdurar mesmo frente a condições adversas; fatores que fizeram com se desenvolvesse convenientemente e, numa explicação usando uma palavra “perfeita”, que se desenvolvesse !


E, depois, todo o conjunto que a levou a existir, a natureza, se beneficia e se vale dela: pássaros, animais, vermes, homens e, mais à frente, novas sementes e novas árvores... Essa é a tarefa a que lhe é destinada pela própria natureza, pelo todo do universo, por Deus...


As “dificuldades” para romper a casca, a terra e ver a luz do sol, nada mais são que o movimento do universo, do todo absoluto, de Deus, estações, frio e calor... O processo pelo qual passa a semente está inserido num processo maior, o processo único da vida, processo globalizante que envolve, afeta e beneficia o Todo Universal, do qual fazemos parte a sementinha e nós.


Isolando-o, figurativamente, do processo global, o processo da semente é: semente, broto, árvore, fruto, semente, broto, árvore, fruto... sem fim.


Esse mesmo processo ou movimento universal envolve/engloba o homem que, como a semente, a cada instante é o que é porque as forças do universo, ou de Deus, como se queira, o fazem ser o que é...


Texto:


“Sentia-se importante a árvore de dar seus frutos e sombras aos homens e animais...”


Outra comparação feliz: é o que ocorre com os homens por desconhecerem esse processo universal que abrange o TODO; por desconhecerem essa verdade, as pessoas se julgam as fazedoras do próprio destino, pensam que são elas que estão agindo, se esforçando para ser o que são e, se o sucesso lhes chega, se enchem de orgulho por se julgarem mais capazes, mais vivas, inteligentes, “importantes”, capacitadas que as demais; daí também vem o egoísmo, vinculado ao ego, defesa contra aqueles que, imagina o homem, podem lhe usurpar o trono de “melhor que os demais”.


O texto, do início ao fim, mostra-nos exatamente que, nem a semente, nem nós somos os “fazedores” ou responsáveis por nossos destinos, ou dignos de méritos ou de deméritos, pelo que somos a cada instante; somos aquilo que a vida, a natureza, o movimento eterno, imprevisível e incerto do universo faz que sejamos a cada instante: saudáveis, fortes, inteligentes, bons, ricos, belos, alegres, solidários, humildes, felizes ou, por outro lado, doentios, fracos, néscios, perversos, miseráveis, feios, egoístas, orgulhosos, infelizes. Por tudo isso, porque não somos nós que nos fazemos, ao contrário, por sermos o que o universo faz que sejamos, é necessário que, percebamos que é culpado ou responsável por seus erros, como também, ninguém é merecedor de recompensas por seus acertos. Não há culpas, porque não há “pecados” (afirmações não admitidas pelas doutrinas e religiões). Assim, como bem observou alguém, “é tão absurdo punir um malfeitor, quanto premiar um benfeitor”.


Se amigos que lerem e analisarem esta mensagem encontrarem alguma incoerência, absurdo, ou erro, por favor, os aponte para que possamos conversar a respeito. Digo isto porque para muitas, talvez, todas as religiões e crenças, o homem é que faz seu destino e é ele o responsável por seus sofrimentos e pelos sofrimentos dos semelhantes.


Abraços.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

A "VISÃO DIVINA"

Bom dia


Uma amiga, se referindo a frases de Pascal, me fez lembrar o q coloco abaixo.

Pascal foi cientista de renome, matemático, filósofo, teólogo, inventor, escritor de tratados de física e matemática e de obras sobre a espiritualidade; é sua a conhecida frase “O coração tem razões q a propria razão desconhece”. Ele passou por uma experiência a q denominou “visão divina” e, mais tarde, por outra, a q chamou de “novo milagre”; a partir dessas experiências se dedicou profundamente à teologia; nessa época escreveu importantes livros de conteúdo filosófico-religioso. Abaixo, cito sua primeira experiência, “visão divina”:

A partir de certo dia, ele se afastou da sociedade e se tornou recluso em sua própria casa (como Jesus, nas chamadas tentações, no deserto; Paulo, que foi viver entre tecelões, depois de sua visão na estrada de Damasco, e outros que, depois da experiência, se retiraram para, na solidão, tentar compreender o que lhes havia ocorrido).

Depois de certo tempo, Pascal recomeçou a escrever, mas suas obras, agora, tinham um caráter mais elevado, e direcionado à teologia. Sua compreensão de vida e de mundo tinha se modificado de maneira drástica. Quando morreu, um criado encontrou, costurado com cuidado dentro da bainha de seu gibão (túnica), um pergaminho onde estavam escritas as seguintes palavras:

“Ano da graça de 1654, segunda-feira, 23 de novembro... desde cerca das dez e meia da noite até meia-noite e meia... FOGO, FOGO... transfiguração... Deus de Abraão, Deus de Isaac, Deus de Jacob... Certeza, alegria, certeza, sentimento de alegria e paz... Deus de Jesus Cristo, meu Deus e teu Deus... Esqueci-me do mundo e de tudo, exceto de Deus. Ele só é encontrado nos caminhos dos Evangelhos... a GRANDEZA DA ALMA HUMANA... agora vejo que ela é o próprio Deus. Pai justo, o mundo não te conhece, mas eu te conheci. Alegria, alegria, alegria, lágrimas de alegria! Eu não me separarei jamais de ti... Meu Deus, esta é a vida eterna que se ganha depois de te conhecer, o único Deus verdadeiro, e aquele que tu enviaste - o Cristo; com ele, tudo é Um... Renúncia total e doce... submissão total a Cristo... eternamente em alegria por um momento de aprendizado sobre a terra... jamais esquecerei o que hoje me ensinaste... Amém”.

Esse pergaminho existe até hoje. Recebeu o nome de “amuleto místico de Pascal” e está na Biblioteca Nacional, em Paris.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

(22) A CIENCIA EM BUSCA DE DEUS Jan 2008

(22) A CIENCIA EM BUSCA DE DEUS Jan 2008


(da revista “Tudo”, dez/2002).

Novas tecnologias ajudam a desvendar a cadeia de reações provocadas no organismo durante uma prece (oração, meditação). Além de elevar a auto-estima, esse tipo de experiência aciona circuitos cerebrais responsáveis pela sensação de transcendência espiritual.

“No momento mais sublime, tive uma sensação de paz interior e elevação espiritual. Havia uma consciência de Deus ao meu redor, um aquietar da mente. E um sentimento de plenitude, como se a presença do Criador estivesse permeando todo o meu ser”. (Relato de uma freira franciscana, após oração de 45 minutos). Este depoimento faz parte de um dos mais importantes estudos científicos já realizados sobre a relação Deus-mente humana. O trabalho, feito na Universidade da Pensilvânia, com tomógrafo de última geração, de 10 milhões de dólares, mostrou que o lobo parietal cerebral sofria bloqueio do fluxo contínuo de informações transmitidas pelos sentidos objetivos, durante as orações ou meditação. Essa área do cérebro é responsável por distinguir os limites entre o indivíduo e o mundo. Quando deixa de receber estímulos e pára, a pessoa sente-se parte do infinito e intimamente conectada com todos os seres e coisas do universo, disse Newberg, pesquisador. Esta descoberta está aproximando Deus da ciência, que foi sempre e tradicionalmente cética em relação a esses assuntos e que encarava, por exemplo, o espiritismo como uma das principais causas de doenças mentais.

Segundo pesquisas cientificas recentes, sabe-se, hoje, que pessoas que cultivam alguma crença e praticam orações ou meditação vivem mais, estão menos sujeitas aos males da vida moderna, como o estresse, e recuperam-se mais rapidamente de cirurgias, entre outras coisas (ver as pesquisas sobre Meditação Transcendental, de Maharesh Maharish Yogi).

Durante a prece ou oração (meditação), o lobo parietal cerebral vai se acalmando até ficar completamente inativo. Nesse momento tem-se a sensação de estar fundido com o universo. Segundo as pesquisas, o lobo frontal fica intensamente iluminado durante a prece. O lobo temporal central produz o êxtase, a alegria, a calma e outras sensações conhecidas na experiência religiosa.

Cientistas começaram a levantar a hipótese de que algo maior seria a fonte desses fenômenos, não descartando a possibilidade de que a ocorrência do Big-Bang, que deu origem ao universo atual, poderia ter sido provocada por essa força maior e desconhecida, esse algo mais, que, sem sombra de dúvida, se confundiria com o próprio Deus.

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