segunda-feira, 29 de novembro de 2010

A EXPERIÊNCIA

(11) A ‘EXPERIÊNCIA’ de Finney (Jan2008)

(Extrato de ‘Despertamento, a ciência de um milagre’).



Charles G Finney, professor e advogado, pregador evangélico, por muitos comparado a Paulo, nem na juventude, nem adulto, dera atenção a assuntos religiosos. Em Adams, cidadezinha americana onde foi advogar, ouviu, pela primeira vez, a prédica do pastor Gale, formado em Princeton. Os dois tornaram-se amicíssimos, mesmo não se compreendendo um ao outro; o pastor não conseguia responder a todas as perguntas sobre a religião que pregava, que lhe fazia Finney. A perplexidade do advogado tornava-se cada vez maior diante da aparente incoerência entre as orações dos crentes e a falta de respostas. Oravam e oravam, pediam e pediam, e nada acontecia.

Finney comentou com alguns vizinhos:

‘Desde que assisto aos cultos, vocês têm orado o suficiente para expulsar desta vila até mesmo o diabo, se é que há poder em suas orações. No entanto, vocês ainda continuam orando e se lastimando, como se suas orações nunca houvessem sido ouvidas nem atendidas’. (orações formais não passam de exterioridades; não levam a Deus. O que pode levar a Deus são as orações de recolhimento e de quietude, ensinadas por Tereza de Ávila e místicos).

Ele viria a aprender, após, que muitas questões não se resolvem nem com orações, nem com sermões, mas somente por meio do conhecimento pessoal (direto, a experiência mística) daquele em quem está toda sabedoria: Deus. ’

Mais tarde, Finney se converteu, e a narrativa desse acontecimento, em muitos sentidos, assemelha-se à de Saulo, na estrada de Damasco. Finney não possuía instrução religiosa, mas era homem sério, enérgico, inteligente, de mente aberta. Como Saulo, ele também teve sua ‘visão’, e saiu, dessa transformadora experiência, resolvido a abrir os olhos e ouvidos dos demais.

Em suas próprias palavras:

‘Certo domingo, no outono de 1821, decidi resolver, duma vez por todas, a questão da salvação de minha alma e reconciliar-me com Deus. Andava ocupadíssimo, no escritório, de modo que sabia que jamais conseguiria realizar esse desejo se não me aplicasse a ele com total firmeza de propósito. Estava disposto a pôr de lado, até onde fosse possível, todo o meu trabalho, tudo quanto pudesse distrair-me a atenção, e a me dedicar exclusivamente a esse objetivo.

‘Nos dois dias seguintes, minhas convicções aumentaram, mas parecia que meu coração se endurecia cada vez mais. Não conseguia orar. A oração não passava de um sussurro e, às vezes, me parecia que, se estivesse sozinho onde ninguém pudesse me ouvir, ergueria a voz e gritaria minhas preces. Tornei-me esquivo, evitando falar com quem quer que fosse, pois não queria deixar que ninguém desconfiasse que eu estava buscando salvar minha alma.

‘Na terça-feira, já estava muito nervoso, e durante a noite me veio uma estranha impressão, como se eu estivesse prestes a morrer. E eu sabia que, se morresse sem me reconciliar com Deus, seria condenado ao inferno, mas procurei acalmar-me o quanto pude até o amanhecer.

‘No dia seguinte, saí cedo para o escritório e, pouco antes de chegar, fui desafiado por perguntas que, parecia, vinham de dentro de mim, como se uma voz interior me dissesse: ‘Que está esperando? Não prometeu seu coração a Deus? Porque se esforça? Está querendo alcançar a justiça por você mesmo?’ (porque toda justiça e toda salvação vêm de Deus e não de nosso esforço).

‘Nesse momento, abriu-se diante de mim todo o plano de Deus para a salvação do homem, de uma forma que achei muitíssimo maravilhosa naquele instante. Parece-me que vi, então, tão claramente como nunca na minha vida, a realidade e plenitude da obra expiatória de Cristo. Vi que era obra consumada; que em lugar de ter ou precisar de algum esforço ou sacrifício meu para me reconciliar com Deus, eu tinha de me submeter à justiça de Deus, por intermédio do filho. A salvação apresentou-se-me como uma oferta a ser aceita: era plena e completa, e nada mais era necessário da minha parte senão o meu próprio consentimento para abandonar meus pecados e aceitar Cristo. A salvação, assim me parecia agora, ao invés de ser conquistada pelas minhas próprias obras, devia ser encontrada somente em Cristo, que se apresentava diante de mim como meu Deus e meu Salvador. (pois ‘somos salvos, não por nossas obras, mas pela graça de Deus’).

‘Sem perceber, eu tinha parado na rua no momento em que a voz me intimara. Quanto tempo permaneci, ali, sem perceber, não sei precisar; mas depois que aquela revelação nítida ficara já algum tempo em minha mente, pareceu que me foi dirigida outra pergunta: ‘Você o aceitará hoje, agora?’ Respondi: ‘Sim, hei de aceitá-lo hoje, ou hei de morrer na tentativa. ’

‘No alto da colina, ao norte da povoação, havia um bosque, no qual eu costumava caminhar diariamente, quando o tempo estava bom. Como agora começava o inverno, já tinha passado o tempo de meus passeios ali. Contudo, em vez de me dirigir para o escritório, caminhei para o bosque, pois senti que precisava estar sozinho, distante de todo olho e ouvido humano, para que pudesse abrir meu coração para Deus...

‘Quando, porém, tentei orar, verifiquei que meu coração não queria orar. Parecera-me que, se ao menos pudesse estar em algum lugar onde, falando em voz alta, não fosse ouvido por ninguém, eu poderia orar livremente; mas, quando tentei, estava mudo, nada tinha a dizer a Deus; quando muito pude proferir umas poucas palavras, e mesmo assim, de forma mecânica. Quando tentava orar, parecia-me ouvir ruído de folhas; então, parava e olhava para ver se alguém se aproximava. Isso aconteceu várias vezes.

‘Por fim me vi chegando às raias do desespero. Disse a mim mesmo: ‘Não consigo orar. Meu coração está morto para Deus e não quer orar. ’ Reprovei então a mim mesmo, por ter prometido, antes de vir ao bosque, entregar meu coração a Deus ou morrer. Quando tentava orar, não conseguia. Não havia movimento do meu coração em direção a Deus. Comecei a sentir profundamente que era tarde, que eu devia ter sido abandonado por Deus, que não havia mais esperança para mim.

‘Angustiava-me ao pensar na imprudência de minha promessa, de entregar meu coração a Deus naquele dia, ou morrer na tentativa. Embora parecesse que aquele meu voto comprometia minha alma, eu não iria poder cumpri-lo. Veio sobre mim tão grande e profundo desânimo e abatimento, que me senti fraco demais para me agüentar sobre meus joelhos.

‘Nesse preciso momento, novamente me pareceu ouvir a aproximação de alguém, e abri os olhos para verificar. Então, me foi claramente revelado que o orgulho de meu coração era o grande obstáculo que me entravava o caminho e não me deixava nem mesmo orar (pois lhe tirava a atenção). Apoderou-se de tal modo de mim um sentimento esmagador de minha vileza, por me sentir envergonhado pelo fato de que outro ser humano pudesse me ver ajoelhado perante meu Deus, que, a plenos pulmões, gritei que não sairia daquele lugar ainda que me cercassem todos os diabos do inferno. ‘O quê’, eu disse, ‘um miserável pecador como eu, confessando de joelhos meus pecados ao grandioso e santo Deus, com vergonha de que um ser humano, pecador como eu mesmo, me veja de joelhos buscando reconciliar-me com Deus a quem tanto ofendi?!’ Esse pecado pareceu-me terrível, infinito, e arrasou-me ainda mais perante o Senhor.

‘Nesse instante, raiou em minha mente, como se fosse um dilúvio de luz, esta passagem da Escritura: ‘Então ireis a mim e a mim dirigireis vossa oração, e eu vos ouvirei. Então me buscareis e me achareis, quando me buscardes de todo o coração’ (isto é, sem receios, a atenção toda voltada para uma entrega total). Imediatamente meu coração se prendeu a essas palavras. Intelectualmente, eu já cria na Bíblia, porém nunca a minha mente alcançara a verdade de que a fé era uma confiança voluntária e não um estado intelectual apenas. Naquele momento, eu estava tão consciente de haver confiado totalmente na verdade de Deus, quanto o estava de minha própria existência. De certa forma, eu sabia que aquela era uma passagem da Escritura, embora eu não tivesse consciência de a ter lido antes. Sabia que era a Palavra de Deus e, por assim dizer, a voz de Deus que me falava. Clamei: ‘Senhor, apego-me ao que dizes; sabes que na verdade eu te busco de todo meu coração, e que aqui vim para clamar a ti, e prometeste me ouvir’.

‘Isso parecia encerrar a questão de que eu poderia, naquele dia, cumprir meu voto. O Espírito pareceu dar ênfase a esta idéia no texto: ‘quando me buscardes de todo o coração’. A questão do ‘quando’, isto é, do tempo presente, pareceu-me entrar-me fundo no coração. Falei ao Senhor que me apegava à sua palavra; que ele não podia mentir e que, por isso, eu tinha certeza de que ele me ouvia a oração e havia de ser encontrado por mim...

‘Caminhei calmamente em direção ao povoado. Tão perfeita era minha calma que me parecia que toda a natureza a sentia. Isso foi no dia 10 de outubro, numa bela manhã. Eu fora para o bosque logo após o café, que tomara muito cedo; quando voltei à vila, vi que já era hora do almoço. Eu, porém, estivera de todo inconsciente da passagem do tempo que me pareceu que ficara pouco tempo ausente, no bosque.

‘Fui almoçar, mas não tinha apetite. Fui, então, para o escritório. Tentei tocar meu violoncelo, como costumava fazer, mas assim que tocava e cantava aquelas músicas sacras, de palavras inspiradas, começava a chorar. Parecia que meu coração estava se derretendo; era tal meu estado emocional que não podia ouvir nem minha própria voz cantar sem que minha sensibilidade extravasasse em lágrimas. Admirei-me disso e procurei reprimi-las, mas não consegui e guardei o instrumento...

‘Depois do almoço, estivemos muito ocupados transferindo nossos livros e móveis para outra sala, de modo que não houve conversas durante toda a tarde. Minha mente, porém, permanecia naquele estado de profunda tranqüilidade. Havia grande suavidade e amor em meus pensamentos e sentimentos. Tudo parecia correr bem; nada me perturbava ou incomodava.

‘Pouco antes de terminarmos, um pensamento tomou conta de mim: assim que me visse a sós, no novo escritório, procuraria orar novamente; não me descuidaria mais da vida espiritual, de modo algum, e embora não estivesse mais ansioso pela salvação de minha alma, eu continuaria a orar.

‘Até a noitinha estavam livros e moveis arrumados. Acendi um bom fogo na lareira, esperando passar sozinho as horas noturnas. Ao anoitecer, o Dr. W., vendo tudo pronto, deu-me boa-noite e foi para casa. Acompanhei-o até a porta e ao fechá-la e voltar-me, meu coração parecia estar, novamente, derretendo dentro de mim. Todos meus sentimentos pareciam transbordar, e a expressão de meu coração foi: ‘Quero derramar minha alma diante do Senhor. ’ Nesse instante, foi tal o arrebatamento que senti, que corri para o quarto, atrás do escritório, para orar.

‘No quarto não havia luz nem fogo; contudo, pareceu-me que ele estava totalmente iluminado. Ao entrar e fechar a porta atrás de mim, pareceu-me encontrar o Senhor Jesus, face a face. Não me ocorreu, naquele momento, nem por algum tempo depois, que aquilo tudo se passava na minha mente. Na verdade, pareceu-me vê-lo como veria qualquer homem. Ele nada disse, mas olhou-me de tal modo que me derrubou a seus pés. Eu sempre havia considerado uma situação dessas como sendo um notável estado mental, mas pareceu-me que ele estava realmente em pé, ali, diante de mim. Caí a seus pés e abri-lhe minha alma. Chorei alto, como criança, e confessei-me como me permitiu minha voz engasgada de emoção. Pareceu-me que lhe banhei os pés com minhas lágrimas, mas não tenho lembrança de tê-lo tocado.

‘Devo ter permanecido bastante tempo assim, mas a minha mente estava por demais absorvida pelo encontro para que eu pudesse guardar na memória algo do que lhe disse. O que sei é que, assim que consegui me acalmar, voltei ao escritório e descobri que estava quase totalmente consumida a lenha grossa com que preparara o fogo na lareira. Ao voltar-me, porém, para me sentar à beira do fogo, recebi um poderoso batismo do Espírito Santo. Sem qualquer expectativa nesse sentido, sem jamais ter pensado que tal coisa pudesse me acontecer, sem qualquer lembrança de ter ouvido algo semelhante mencionado por alguém, o Espírito Santo desceu sobre mim de maneira que pareceu atravessar meu corpo e minha alma. Pude ter a impressão de ondas de eletricidade atravessando-me vez após vez. De fato, parecia vir em ondas e mais ondas de amor líquido; não sei de que outra maneira expressar o que senti. Parecia o próprio sopro de Deus. Recordo, claramente, que parecia soprar sobre mim como se fossem asas imensas abanando-me.

‘Não há palavras que exprimam o maravilhoso amor que se espalhou em meu coração. Chorei alto, de alegria e felicidade; e, não tenho certeza, mas eu diria que saiam aos borbotões as emoções inexprimíveis de meu coração. Essas ondas vieram sobre mim, e vieram, e vieram, uma após outra, sem cessar, até que, lembro-me de ter gritado: ‘Morrerei, se estas ondas continuarem a cair sobre mim.’ E disse ainda: ‘Senhor, não agüento mais!’, embora não sentisse mais qualquer medo da morte.

‘Não sei quanto tempo continuei nesse estado, com esse batismo me envolvendo e me atravessando. Sei que já era bem tarde quando um dos membros do coro veio me ver - eu era o dirigente do coro. Encontrou-me em prantos e perguntou: ‘Sr. Finney, o que aconteceu? O senhor não está se sentindo bem?’ Durante algum tempo não pude responder. Ele perguntou: ‘O senhor está sentindo alguma dor?’ Dominando-me da melhor forma que pude, respondi: ‘Não, mas estou tão feliz que nem posso mais viver... ’

‘Dormi logo, mas logo em seguida acordei de novo por causa do grande fluir do amor de Deus em meu coração. Estava tão repleto de amor, que não conseguia dormir. Logo, dormi de novo, e acordei do mesmo modo. Quando acordava, vinha sobre mim a tentação da dúvida e arrefecia o amor que parecia estar no meu coração; assim que dormia, porém, sentia o seu calor dentro de mim, de modo que tornava a acordar. Assim continuei até que, já altas horas, consegui dormir tranqüilamente.

‘Quando acordei, pela manhã, o sol já derramava sua claridade no quarto. Palavras não podem exprimir a impressão que essa luz do sol me fez sentir. Imediatamente, o batismo, que eu recebera na noite anterior, voltou sobre mim, e do mesmo modo. Fiquei de joelhos sobre a cama e chorei alto de alegria; permaneci algum tempo de tal maneira arrebatado pelo batismo do Espírito, que nada podia fazer senão abrir minha alma para Deus. Pareceu-me que esse batismo matinal era acompanhado de suave censura; o Espírito parecia perguntar-me: ‘Duvidas?’ Gritei: ‘Não, não duvidarei jamais; não posso duvidar’. Ele então esclareceu aquele assunto em minha mente, de tal modo que era impossível duvidar que o Espírito de Deus controlava todo o meu ser.

‘Enquanto eu estava assim, pude entender a doutrina da justificação pela fé como experiência real. Esse assunto nunca impressionara minha mente a ponto de eu considerá-lo, distintamente, como doutrina fundamental do Evangelho. Na verdade, eu nem mesmo compreendia o que significava a passagem: ‘Sendo justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo. ’ Pude ver, então, que no momento em que cri, lá no bosque, que todo sentimento de condenação desaparecera completamente de meu pensamento, e que, a partir daquele instante, eu não mais conseguia, nem me esforçando, sentir qualquer sentimento de culpa ou de condenação por meus atos quaisquer que fossem eles. O sentimento de culpa se apagara, cessara, morrera; foram-se os meus pecados, e eu não tinha mais nenhum sentimento de culpa; era como se eu nunca tivesse cometido qualquer pecado.

‘Era exatamente essa a revelação que eu precisava. Senti-me justificado pela fé e, pelo que podia ver, achava-me num estado no qual eu não mais poderia pecar. Ao invés de sentir que eu pecava sem cessar, meu coração estava tão cheio de amor e paz que transbordava. Meu cálice transbordava de bênçãos e de amor, e eu sentia que não mais estava pecando contra Deus. Além disso, nunca mais tive o menor sentimento de culpa pelos pecados que já cometera. ’

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(Para outras experiências da mesma espécie, ver ‘Consciência Cósmica’, de Richard M. Bucke).

sábado, 20 de novembro de 2010

SOMOS UM

(Ler com atenção)


Embora pareça para nós ocidentais absurdos ou blasfêmias, reflitam, afastando todos e quaisquer preconceitos, sobre as palavras abaixo, todas afirmando o que Jesus afirmou: “Eu e o Pai somos um”:

Bankei, mestre Zen: “A mente de Buda e a nossa são uma só mente”.

Ramana, iluminado hindu: “Somos uma só e idêntica Mente neste Agora, para sempre, aqui, ali e em toda parte. Somo todos um com Brama”.

Misticismo: “Se você procura Deus, como se pudesse vê-lo aqui ou ali, desista! Você não pode vê-lo como objeto! O seu próprio não-ver é Ele, e se você persistir nessa condição de não-ver, nesse momento e nesse lugar, a coisa pode acontecer, porque você está exatamente diante do que está procurando. O Vazio que você vê quando olha atento para o nascedouro dos pensamentos pode, num relâmpago, mostrar a Realidade de que você e Deus são uma só coisa”.

Misticismo e física moderna: “Quando se elimina o ego, percebe-se que o “eu” e a Realidade Final são uma coisa só”

Krishnamurti: “Só conhecemos a Realidade sendo, nós mesmos, essa Realidade”.

Meister Eckhart, monge e teólogo cristão, condenado pela Inquisição: “Ao conhecermos Deus, nós nos confundiremos nele, pois vamos perceber que somos um só”.

Cristianismo: I Coríntios, 16:15-17: ‘Não sabeis que os vossos corpos são membros de Cristo? Aquele que se une ao Senhor é um espírito com ele”.

João, 17:21: “A fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim, e eu em ti, também sejam eles um em nós”.

Zazen de Hakuin, mestre Zen: “Todos os seres são Budas desde o princípio. Fora dos seres vivos, onde encontramos Buda? Não sabendo quão perto está a Verdade, as pessoas a procuram muito longe; que pena! São como aquele que, no meio da água, chora de sede com acentos tão lastimosos. As ilusões impedem o encontro”.

Eckhart, místico cristão: “Conforme a crença dos simples, sentimos Deus como se Ele estivesse lá e nós aqui. Não é assim; Deus e eu somos um só no ato de percebê-lo”.

Amazuki Sessan: “A verdadeira paz e felicidade, a percepção do Absoluto, o Caminho de Buda - o grande erro é pensar consegui-lo em algum céu ou mundo do outro lado, no futuro. Nunca deixamos o Caminho por um momento sequer. O que podemos deixar não é o Caminho. Nós somos o Buda”.

Huang Po, mestres Zen: “Busca-o e ele te escapa; corre dele e ele segue junto a ti. Nunca podes conquistá-lo e nunca podes deixar de possuí-lo. Portanto, não precisas preocupar-te com essas coisas. Tu já és o que buscas. Tu já és Aquilo”.

Niu-tou: “Se fugires do Vazio, nunca poderás livrar-te dele; se o buscares, nunca poderás alcançá-lo. Como alcançá-lo se tu já és Ele? Assim, nunca poderás fugir dele, nem dele livrar-te e nem alcançá-lo, pois ele já está aí”.

Yung-Chi: “Como o céu vazio, ele não tem limites e, no entanto, está bem aqui, sempre tranqüilo e claro. Quando o procuras, não podes encontrá-lo, mas também não podes perdê-lo, pois és tu que, não sabendo, estás a procurar a ti mesmo”.

Física moderna: “Se Deus, ou a Mente, é o que, até inconscientemente, estamos buscando, e fora da Mente não há nada, pois a Mente é todos os lugares e tempos, conclui-se que já estamos lá, que o que somos agora é Mente, e que apenas não temos percepção dessa verdade”.

Norwich: “Vê! Eu sou Deus. Estou em todas as coisas! Levo todas as coisas até o fim que ordenei desde o sem começo, com a mesma força, sabedoria e amor com que as fiz. Como é possível que alguma coisa esteja errada?”

Ramana: ‘Você precisa livrar-se da idéia de que ainda precisa compreender o Eu. Você é o Eu. Terá havido algum tempo em que você não se dava conta do Eu? Assim, quer você o compreenda, quer não, Você o é, sempre o foi e sempre o será”.

Ramana: ‘Não há alcançar o Eu. Se o Eu devesse ser alcançado, significaria que o Eu não está aqui agora. Por isso digo que não se alcança o Eu. Você é o Eu; você já é Aquilo”.

Rinzai, mestre Zen: “Estás colocando outra cabeça acima da tua! O que te falta? O que fazes neste exato momento é exatamente o que um Buda faz. Mas não acreditas nisso e teimas em buscá-lo fora de ti”.

E de Huang Po, o mestre de Rinzai: “Não existe nada a ser atingido. Sempre te identificaste com o Buda; portanto, nunca poderás atingir essa identificação por meio de quaisquer práticas. Se, neste momento, pudesses convencer-te disso, estarias iluminado. É difícil compreender esta afirmação? É para te ensinar a não buscares o estado de Buda, pois já és o Buda e, toda busca, se destina ao fracasso”.

Huang Po: ‘A Mente Una é o Buda e não há separação entre Buda e os seres sensíveis; estes, como estão ligados às formas, buscam o estado de Buda nas coisas exteriores e, assim, o perdem, pois isso é buscar o Buda pelo Buda, é usar a Mente para encontrar a Mente”.

Bankei: “A mente de Buda e a nossa são uma só”.

Misticismo e ciência moderna: “A busca implica investigação ou procura de objeto ou coisa lá fora, mas a Mente não é objeto lá fora, e sim o próprio Sujeito Absoluto em todos nós. A busca supõe uma carência atual, mas não carecemos de nada; só a falta de compreensão cria em nós um ilusório sentido de carência. O sujeito da busca e o objeto da busca são, na verdade, o mesmo. Aquilo que eu estou procurando é exatamente aquilo que está realizando o ato de procurar: eu mesmo. Aquilo que estou observando outra coisa não é senão eu mesmo que estou realizando o ato de observar”.

Huang Po: “Quando se ouve dizer que os Budas transmitem a Doutrina da Mente, supõe-se que existe alguma coisa para ser atingida ou compreendida e, em seguida, utiliza-se a mente para procurar a Mente, sem saber que a mente que procura e a mente procurada são a mesma coisa”.

Krishnamurti: “O observador é a coisa observada, o universo, o Todo”.

E como aquele que está procurando é exatamente aquele que está sendo procurado, só por causa disso, aquilo nunca poderá ser conhecido ou visto como objeto, pois Ele é quem busca, quem observa, é o próprio sujeito, é o único Conhecedor, o único Vedor, o único, pois tudo é um.

Upanishad: “Nunca poderás ver o vedor da visão, nem ouvir o ouvidor da audição, nem perceber o percebedor da percepção, nem conhecer o conhecedor do conhecimento. Vedor, ouvidor, percebedor e conhecedor são o Eu, o Absoluto, Um”.

Ciência: “Por isso, nunca poderemos perceber nosso Eu. E aqui está a origem do dualismo primário, pois imaginamos ver e perceber nosso Eu, sem compreender que tudo o que vemos ou percebemos é apenas um complexo de objetos percebidos e, assim, não pode ser o Eu, pois “o percebido não pode perceber” e o Eu não é um objeto e sim o Sujeito Absoluto. Assim, nenhum eu de que possamos ter consciência ou percepção é, absolutamente, o Eu!”

Ramana: ‘Você não é o corpo grosseiro, nem os cinco órgãos dos sentidos; não é a mente que pensa, nem a memória, nem os sentimentos, nem as emoções... Você é Aquilo”.

Wei Wu Wei: “Ainda não compreenderam que nosso eu é apenas um objeto de nossa percepção, e que se ele pode ser percebido, não pode ser quem está percebendo? Logo, ele não pode ser o que somos”. E, portanto, o que na realidade somos está além disso que chamamos de “eu” Não somos o eu; somos o Eu”.

Talvez não percebamos isso porque é tão evidente. Não podemos ver o vedor, ouvir o ouvidor etc., mas pensamos que podemos e aí está a criação dos dualismos, sujeito/objeto, eu/não-eu, eu/mundo, eu/você.

O que acontece é o seguinte: o Vedor, aquilo em nós que conhece e vê, na realidade não está separado daquilo que ele vê; é o que vê, pois o Vedor vê uma coisa “sendo” aquela coisa. Como disse Tomás de Aquino: “O conhecimento só acontece quando o objeto conhecido está dentro do conhecedor”. Esta página, por exemplo, é idêntica àquela dentro de nós que a estamos lendo. Tudo que percebemos dentro de nós é exatamente aquilo que está fora de nós, no caso, a página e a área circundante.

William James: “A página vista e o vedor são somente dois nomes dados a uma mesma e indivisível experiência”. Isto não significa que a página não existe se eu fechar os olhos, mas que ela não existe como objeto “lá fora”. Entre o Vedor e a página, entre o sujeito e o objeto, não há distância, não há espaço! Não havendo Vedor, não há visão, nem coisa vista. Vedor, visão e coisa vista estão estreitamente ligados no processo de ver; são um só. Seria interessante rever o “experimento da dupla fenda”, que mostra que, não havendo observador, não há universo material; lembrar Krishnamurti, que afirma: “O observador é a coisa observada”.

Entretanto, como supomos ver o vedor, como quando dizemos “Sei quem sou” ou “Estou cônscio de mim mesmo lendo está página”, sentimos, muito naturalmente, que quem está vendo está dentro de nós. Como disse Wittgenstein: “O que nos perturba é a tendência para acreditar que a mente é como um ‘homenzinho’ em nosso interior”. Assim, cremos que o vedor, o eu, está separado do que vê, e este é o nascimento do dualismo. Ou melhor, ao imaginar que vemos o Vedor, ou que conhecemos o Eu como objeto, erradamente fazemos da Subjetividade Absoluta um objeto chamado “eu”, que não passa de um complexo de idéias, sentimentos, identidades, memórias, avaliações. Tomamos esse complexo de objetos pelo Sujeito; tomamos o que podemos ver por aquele que está realizando o ato de ver, sem compreender que a Subjetividade nunca é um objeto, exceto na nossa ilusão. Nosso eu nem é um sujeito real. Já que podemos percebê-lo objetivamente, isto é, já que podemos percebe-lo como um objeto, ele é um pseudo-sujeito, um pseudo-eu, um puro caso de identidade trocada pois, na realidade, inexiste divisão entre eu e universo, entre eu e Deus. Identificado com esse falso-sujeito, todos os demais objetos parecem separados de mim; aí está o primeiro dualismo. Não houvesse o dualismo, não haveria Maya, a ilusão da separatividade, nem Sansara, a roda do nascimento e da morte, nem conflitos, sofrimentos, nem o universo. Aqui entrou o “logos” do evangelho de João, o logos (palavra, pensamento, que cria a ilusão) “sem o qual nada foi criado”. O logos, portanto, é o criador de todas as ilusões, sofrimentos e problemas do mundo.

Deste modo, aquilo em nós que, neste momento, vê e lê esta página, é a Divindade, a Mente, Brahman e, por isso, não pode ser visto nem conhecido como objeto, nem encontrado quando o procuramos. O que quer que eu veja, pense, perceba, sinta ou saiba acerca de meu eu, é um emaranhado de objetos percebidos, o ego. O visto é o ego; o que está realizando o ato de ver é o Eu, a Mente, Deus, que vê o universo através de nossos olhos, que “são os próprios olhos da divindade”. Nós nos identificamos, erradamente, com o que pode ser visto, o ego, e, portanto, já não nos identificamos com toda a manifestação fenomênica (universo), pois estamos ilusoriamente separados de tudo o que parece ser o não-eu. Separados, assim, do meio-ambiente, este passa a ser uma ameaça.

Esse dualismo provoca o debate entre o “ser” e o “não-ser”, a nulidade, o que resulta na repressão da morte pelo homem e na sua batalha, permanente, contra o universo, tentando desesperadamente colocar a maior distância possível, chamada segurança, entre ele e o meio ambiente, movido pelo medo e pela ansiedade. Mas, o triste não é que essa seja uma batalha difícil, e sim que a causa da batalha seja uma ilusão. O eu separado simplesmente não está lá para ser protegido, nem para ser salvo, de modo que passamos a vida na fútil tentativa de salvar algo que não existe: o eu não está ali; não há o que salvar, a não ser em nossa ilusão.

Wei Wu Wei: “Porque és infeliz? Porque 99,9 por cento de tudo o que pensas e fazes, é para ti, e não há ninguém aí onde pensas que está o teu eu”.

Ora, se ao lermos esta página, decidirmos ir para trás do eu, a fim de descobrir quem está realmente realizando o ato de ler, encontraremos apenas: esta página! Não haverá nenhum de nós como sujeito nem página alguma como objeto, pois tanto o sujeito como o objeto terão desaparecido na Subjetividade não-dual, pois aí só existe o um. Neste momento, somos a página que se lê a si mesma. Pois todos os objetos são seus próprios sujeitos, e sujeito e objeto nada mais são do que duas maneiras diferentes de abordar a mesma realidade chamada Mente, ou Deus, como “frente” e “costas” são duas maneiras de abordar, p. exp., um mesmo homem. (Lembram-se da história dos cegos que foram conhecer o elefante, que um apalpou as pernas, outro a tromba, a orelha etc e, cada qual deu sua interpretação do que era um elefante? Várias interpretações diferentes para aquilo que era um só).

Essa divisão da totalidade, da unidade absoluta, em sujeito-objeto é o início do leque da consciência; opera em todos os seus níveis, provocando a separação ilusória entre observador e coisa observada, eu e não-eu, e o sentimento persistente de um eu separado. Esse espaço entre eu e não-eu tem necessariamente um componente temporal, pois tempo e espaço não são separados, mas um continuum. O componente temporal vem do dualismo, que divide a unidade vida-morte e empurra o homem para fora do Agora intemporal, onde vida e morte são uma só, para o mundo imaginário do tempo, onde ele tenta escapar de uma morte ilusória, assegurando para si um futuro de fantasia. Pois viver no atemporal é não ter futuro, o que significa morrer. Mas, como o homem não aceita a morte, não pode viver no atemporal, acima do tempo, fora do espaço-tempo. Assim, o dualismo é que gera o tempo. Quando o homem se identifica com o Todo, com a cessação do ego que, por sua vez, faz cessar qualquer dualismo, absolutamente nada há fora dele que possa ameaçar sua existência e, por isso, não existe o debate entre o ser e a nulidade, nem o desejo de fuga da morte. Por outro lado, quando a vida e a morte são vistas como uma só, já que cessou o dualismo, nada pode ameaçar a existência do homem e este se percebe imortal, “eterno”; do mesmo modo, cessa a separação entre o homem e o universo, homem e Deus e o homem se percebe “um com tudo o mais”. Por isso, como outros, Jesus afirmou: “Eu e o Pai somos um”.

SOMOS "MÁSCARAS" DE DEUS

Somos “máscaras” de Deus.


Soa estranho dizer que somos a própria divindade. Mas, é o que os místicos e os iluminados sempre afirmaram, como também Jesus também ao dizer “eu e o Pai somos um”. As grandes tradições místicas orientais ensinam que somos apenas “máscaras de Deus”. Que somos, biologicamente, fisicamente, diferentes uns dos outros; diferentes na aparência, no modo de ser, mas que dentro de nós está o próprio Deus, único ator neste mega-drama universal que é a nossa vida de todos os dias.

É difícil para nós, ocidentais, entender estas afirmações; e é difícil porque tudo que “sabemos” sobre Deus e sobre nós são apenas crenças, idéias e opiniões que as religiões populares nos comunicam. Será que podemos afirmar, sem nenhuma dúvida, que a idéia que temos, hoje, sobre nós e sobre Deus é cem por cento correta? Se fosse correta, como é que poderíamos explicar a existência de tantas religiões, seitas e crenças com doutrinas tão diferentes? Estariam, então, todas corretas, com todas suas diferenças, ou só estão corretas na interpretação de seus seguidores? E, de todas elas, cada uma se diz a única certa!

Para nós, ocidentais, dizer que somos Deus, parece blasfêmia. A crença católica, como a evangélica, a espírita e outras, ensinam que nem mesmo somos capazes de nos aproximar de Deus, porque estamos cheios de pecados e imperfeições. Enquanto isso, as revelações trazidas pela meditação, de milênios, ensinam ao místico que desde sempre somos a própria divindade (“eu e o Pai somos um”); que nosso trabalho, para nos libertarmos da ignorância e do sofrimento, é, como afirmou Jesus, perceber, ou melhor, conhecer essa verdade. ( “...e a verdade vos libertará”).

Por isso, dizem os grandes sábios, a única saída desta babel de incertezas, ignorância e sofrimentos em que estamos mergulhados é a solução dos místicos: é buscar a percepção que eles buscaram, conhecer a verdade que eles conheceram, a “verdade que liberta”, como disse Jesus. É o “conhece-te a ti mesmo”, o “auto-conhecimento”, dos antigos filósofos gregos. E essa busca é possível pela meditação.

Mas, quando falamos de místicos, estamos falando de místicos de todas as denominações porque qualquer e toda denominação cessa ao se conhecer a verdade. Todas as “religiões” do Ocidente e do Oriente, cristianismo, judaísmo, budismo, bramanismo, todos os numerosos “ismos”, isto é, quer sejam religiões populares ou tradições sérias buscadoras da “re-ligação” com a divindade, perdem as características que as tornam diferentes umas das outras, e “se fundem numa única compreensão perfeita e universal” quando se tem o conhecimento da verdade; isto é, quando se tem a extraordinária percepção de que “eu e o Pai somos um”.

Grandes homens falaram dessa experiência. É tão extraordinária que foi exaltada por todos os que por ela passaram como a experiência mais sublime que o ser humano pode ter. Jung, o psiquiatra, usou palavras semelhantes, e Jesus a considerou a pérola, o tesouro que quem encontra “vende tudo o que tem”, isto é, desiste de tudo o mais, e “compra aquele campo”. Jesus chegou até a afirmar que, “quem não abandona pai e mãe para segui-lo”, isto é, para buscar essa experiência, “não é digno dela”, com essas palavras fazendo ver que esse “tesouro” é muito mais importante do que qualquer outra coisa, do que qualquer outro bem, conquista ou posse.

Outros, como (Santa) Teresa de Ávila, afirmaram que “comparado com essa experiência, tudo mais é lixo”; Krishnamurti, o sábio indiano contemporâneo, ensinou que “tudo o mais é fútil e infantil”; e um poema Zen assegura que, “se você já esteve lá”, isto é, se você já teve a experiência, “como lhe parecem sem importância todas as outras coisas”.

Maharish Maharesh Yogi, o homem que trouxe, para o Ocidente, a Meditação Transcendental, afirma que, enquanto não temos essa experiência, somos, ainda, meramente “subumanos”, e Krishnamurti diz que a vida só tem significado quando chegamos “lá”. Por isso, com razão, Jesus aconselhou que devemos “em primeiro lugar” buscar Deus; disse que, conhecida a verdade, de nada mais necessitamos. Vamos perceber, então, que a morte não existe e que não há necessidade de salvação, pois que desde sempre estamos salvos porque “eu e o Pai somos um”.

Vejam bem: o Deus das religiões populares, das religiões organizadas, é o Deus dos rituais e das cerimônias; é o Deus “inatingível”, ou só “atingido” pelos “privilegiados”, os perfeitos ou os chamados “santos”. É o Deus que está longe de nós, num céu hipotético; ele lá, nós aqui; que, num julgamento também hipotético, premia os seres humanos que obedecem a suas leis, e pune aqueles que não obedecem; é o Deus que não consegue derrotar o mal (ou sua representação, o diabo), que é sua criatura (pois, conforme as escrituras, Deus é o criador de todas as coisas e tudo o que foi criado, por Ele o foi ), e o mal, contra a vontade do seu criador, leva com ele inúmeras almas, mostrando que, nem sempre, Deus tem poder sobre o mal. Esta é a visão que as religiões populares, as religiões ocidentais, em geral, têm de Deus. Não é uma visão pobre e mesquinha?

Ao passo que o Deus real é o Deus que não conhecemos (há religiões, no Oriente, que lhe dão mais de “mil” nomes, pois nenhum o representa); é o Deus que, como pensamos, criou o Universo, criou todas as coisas que existem; que não elege um povo para explorá-lo; que está em todo lugar, não longe de nós, mas dentro e fora de nós, como afirmaram Jesus, Paulo e outros; é o Deus que opera todas as coisas; que cria e destrói incessantemente e que, como ensinam os sábios, podemos vir a conhecer desde que nos esqueçamos de nós mesmos, nos momentos de meditação.

Esse é o Deus que não está só nas palavras dos sacerdotes e ministros, ou nos templos; nem nos rituais, cerimônias e orações; é o Deus cujo percebimento nos revela, como disse Jesus, a verdade de que “eu e o Pai somos um”. É o Deus que está dentro de nós e que, assim, não precisamos de intermediários, como “santos”, sacerdotes, gurus, pastores, espíritos, mentores e médiuns para alcançá-lo. É o Deus, cujo percebimento, liberta o homem de toda ignorância, nos coloca numa condição de extrema felicidade, amor incondicional e sabedoria, e nos liberta de todos os sofrimentos, como afirmam os místicos e como afirmou Jesus.

Analisem e reflitam.

O QUE É MEDITAÇÃO, PARA QUÊ SERVE

Meditação: o que é, e para quê serve...


Depois que a própria ciência mais avançada do mundo, a física quântica, concluiu que as meditações das tradições orientais podem levar a estados elevados de consciência (estados que, até há pouco tempo, nem eram considerados pela ciência ocidental), nos quais se pode entrar numa condição de felicidade indescritível, chamada de “bem-aventurança” pelos místicos e iluminados, muitos cientistas, psicólogos, religiosos e estudantes praticam técnicas de meditação. Mas, seu objetivo não é mais, como em geral se pensa no mundo ocidental, acabar com o estresse ou trazer saúde. É muito mais do que isso: é conhecer a verdade; quem realmente somos; o que é isso a que damos o nome de “eu”, isso a que damos o nome de Deus.

Em geral, as pessoas relegam os assuntos de “salvação” ou realização espiritual, a um segundo plano: a algum culto, a certas crises, a certas necessidades. No entanto, é importante que percebam como estão erradas. Este assunto é importantíssimo, muito mais do que se pode imaginar com o que as religiões ensinam. Estas sempre nos deixam com muitas dúvidas, bem como não enfatizam, como devem, as necessidades do homem em relação ao Sagrado.

A existência de duvidas origina descrenças e preconceitos, que não permitem que se chegue a lugar algum. Preconceito é achar que algo é bom ou mau, certo ou errado, mesmo sem conhecê-lo; é pensar que, aquilo que já sabemos, é tudo o que precisamos saber e, assim, satisfeitos, rejeitamos tudo o mais.

O que faz com que não acreditemos plenamente nas palavras dos pregadores ou escrituras, é que, em nós, sempre ficam muitas dúvidas. E isso se deve a que não tivemos, cada um pessoalmente, a experiência que os chamados iluminados tiveram. Essa experiência acaba com todas as dúvidas e vamos então - não pensar ou imaginar -mas saber, o que é fato e o que é ilusão, o que é verdadeiro e o que é falso, não mais por ler ou por ouvir dizer, mas por experiência própria.

Assim, se desejamos compreender esta tremenda e incompreensível confusão que é a vida, seu significado, seu sentido, o que é Deus e sentir o que os iluminados sentiram – bem-aventurança, serenidade e sabedoria -, não podemos ficar só nas orações, nos pedidos aos céus, nas leituras de textos sagrados, no comparecer aos cultos; nem no ler ou ouvir sermões, poesias, histórias suaves, que trazem emoções e alivio temporários, ou nas promessas, confissões e comunhões. Todas essas coisas não passam de exterioridades, artificialidades, criações dos homens, como também o são as cerimônias e festas religiosas; músicas e cânticos sacros; vestes, posturas e gestos ritualísticos, incenso e velas acesas.

Exterioridades a nada levam. Como ensinam os iluminados e as escrituras, Deus nunca é encontrado nas exterioridades, nas coisas superficiais. As respostas que procuramos e Deus só podem ser encontrados na interioridade mais profunda de nós mesmos.

Portanto, se desejamos, realmente, compreender o que é a vida, o que é o “eu”, e sentir Deus, isso requer que penetremos no sentido da vida total, que busquemos com perseverança, e que, em total silêncio, entremos em nosso próprio interior, porque “Deus está dentro de nós”, como afirmaram Jesus, Paulo e outros.

E como fazer isso? Inicialmente, observando a totalidade da vida, como é a vida com todos os seres, todos os problemas e males do mundo. Observar que nem tudo é alegria, beleza e felicidade, mas que o que mais existe é tristeza, feiúra e infelicidade. Tal observação pode nos abrir os olhos e, com isso, levar a busca de uma solução para os problemas nossos e dos semelhantes. E vamos perceber que o mundo não oferece essa solução; que temos ir além do mundo, o que significa ir além do ego, pois é o ego que nos leva a crer que o mundo não tem solução alguma para seus males.

E essa percepção é o começo da meditação

A ESCOLHA NÃO É NOSSA

Amigos

Como asseguram aqueles que tiveram a experiência mística, na qual se percebe que a consciência do “eu” e a consciência de Deus são uma só consciência (Jesus: “Eu e o Pai somos um”; Paulo: “Já não sou mais eu que vivo, mas o Cristo é que vive em mim”, e outros), e como assegura, hoje, a própria ciência mais avançada do mundo, nós não escolhemos, a escolha não é nossa.

Reflitam sobre esta afirmação do apóstolo dos gentios, que guarda coerência com o colocado acima e que deve ter enorme significado, mas que, parece, foi esquecida pelas doutrinas cristãs: “Não é por vossas obras que sereis salvos, mas pela graça de Deus”.

Essa afirmação é repetida nas epístolas de Paulo. Por ela, o ser humano já está salvo; melhor ainda, não há do que se salvar. As escrituras cristãs, e também os místicos e os iluminados de todas as épocas, e atualmente a filosofia da ciência quântica, afirmam, nesse mesmo sentido, que “é o Senhor que opera em nós o pensar, o querer e o fazer”.

Esta mesma concepção é reafirmada pelo mesmo apóstolo quando, noutra passagem, diz: “... como se tivéssemos algum pensamento como de nós mesmos, pois todos eles vêm de Deus”.

Como, então, podemos estar em “pecado”, ou sofrendo remorsos pelo que fizemos e que consideramos errado, ou sofrendo por receio das conseqüências, tantas vezes terríveis, do que fizemos, se nem sequer podemos afirmar que os pensamentos, as escolhas que fazemos, as decisões que tomamos são nossos? Pois é Deus que opera em nós o pensar!

Estão estranhando? Leiam as escrituras cristãs, mas leiam com atenção e questionando! E, como aconselham os sábios: “Não ponha outra cabeça acima da sua”, isto é, o que os outros dizem é apenas a opinião deles, interpretações, muitas vezes equivocadas, das percepções que tiveram. Por isso, recomendam que cada um procure ter sua própria experiência; que cada um veja por si mesmo. “Não pôr outra cabeça acima da sua” significa nada mais que: deixe de ser preconceituoso e investigue...

O mesmo sábio, citado e lido tantas vezes, Krishnamurti, afirmou: “Aquele que escolhe é imaturo”. Com respeito a essa afirmação, “parece” que, como sugerem os novos cientistas, temos certa autonomia no pensar; então, “acreditamos” que fazemos escolhas quando, na verdade, apenas pensamos que escolhemos e, por isso, ficamos decepcionados, frustrados e sofremos quando os eventos não se dão conforme “nossas” escolhas.

Como dizem sábios: “Não há ninguém aí onde pensas que está o teu eu; de tudo o que fazes, 99% é para teu “eu”, mas não há ninguém aí... Aí, como em tudo, só há a Divindade, Deus, que é quem pensa, reflete, memoriza, ouve, fala, vê, é ‘visto’, cheira, é ‘cheirado’, é ouvido, sente e é ‘sentido’ e percebe...”. “O ‘eu’ é, apenas, uma falácia, uma ilusão, um feixe de memórias de experiências que, por serem marcantes, ficaram gravadas no cérebro”.

Também dizem: “Somos apenas, máscaras de Deus; estamos todos num mega-drama universal cujo ‘único’ ator é Deus. Nós somos, todos nós, os sentidos, as mãos, os pés, olhos e ouvidos da Divindade... Através de nós, Deus ‘vê’ o mundo”. Como ensinou, também, Krishnamurti: “... como a Mente (Deus, o Espírito Universal) é vazia, o cérebro existe no espaço e no tempo”. Relembrem o “experimento das duas fendas”, um daqueles que dividiram a ciência em “antes” e “depois”: não havendo observador senciente, o que significa, não havendo cérebro e órgãos dos sentidos objetivos, o universo material não existe. É, mal comparando, como se fôssemos tentáculos de Deus, dando o retoque final em sua criação...

Novamente é Paulo que afirma, como todo o misticismo: “Deus está em cima e embaixo, à direita e à esquerda, à frente e atrás, fora e dentro. Enfim, tudo é Deus, que opera em nós o pensar e o fazer, o imaginar e o raciocinar, o sentir, o escolher e o decidir...” Como assegura Paulo: “A escolha nunca é nossa”. É o que diz a física quântica, também. Quando a Bíblia diz que o Senhor é quem opera em nós o pensar e o fazer, devemos concluir que não somos responsáveis, que não há “pecados”, nem culpas, pois que nada escolhemos ou decidimos.

Quando percebemos o universo, é Deus se percebendo; quando buscamos Deus, é Deus se buscando... Por isso, quando um monge perguntou a seu mestre Zen: “O que é buscar o Buda?”, o mestre respondeu: “É cavalgar o boi para procurar o boi”. Não há que buscar; o Buda (Deus) já está aqui. Lembrando, Jesus: “... não direis ei-lo aqui ou... pois o reino de Deus já está em vós”, e, novamente, Paulo: “Vós sois o templo do Altíssimo”, “O Senhor habita vossos corações”, e os grandes filósofos “Conhece-te a ti mesmo e serás Deus”. O que nos falta é, tão somente, conhecer-nos, conhecer a verdade que liberta; então, perceberemos...

Pela visão da física quântica, escolhemos, não nós sujeitos individuais, mas a consciência una, o Sujeito Universal, a Subjetividade Absoluta é que escolhe e, pela nossa observação, o resultado da escolha se manifesta. Somos “complementação” da Divindade.

Conforme a nova física, e o misticismo, tudo que percebemos nada mais é que “prolongamento” de nós mesmos, de nossa consciência; melhor ainda, da Consciência Divina. Assim, compreendemos que não há qualquer absurdo naqueles experimentos “da dupla fenda” e da “opção retardada” se abandonarmos a crença de que existe um mundo fixo, objetivo e independente, fora de nós, mesmo quando não o estamos observando. Afinal, tudo se resume no que o observador (consciência una), quer ver, realizar, produzir, concretizar.

Na consciência una, as miríades de respostas para cada problema ou estímulo recebido pelo ser senciente, são “objetos transcendentes”, fora do espaço-tempo, no campo das infinitas possibilidades, como diz Maharishi Maharesh Yogi, não locais; não são objetos físicos (assemelham-se aos arquétipos mentais da visão de Jung) até que, pela observação, lhes provocamos o colapso, trazendo-os para o mundo da manifestação.

Com o ato de observar, o mundo se torna objetivo. Há interferência do observador em relação aos acontecimentos no espaço-tempo, mas a escolha dos eventos não depende de qualquer observador em particular. Assim, qualquer que seja o observador, o evento será sempre o mesmo, isto é, a escolha definitiva é “aquele” evento, o evento determinado pela consciência unitiva.

O mundo se transformaria num caos se cada pessoa decidisse o comportamento do mundo objetivo. O fato é que não é a pessoa, uma consciência localizada, individual, condicionada, quem escolhe. A escolha é da consciência una, não-local, incondicionada, transcendental, mas o resultado só se manifesta quando é feita observação (medição) por um cérebro-mente senciente, uma consciência localizada. Há um único sujeito em todo o universo, um sujeito-consciência unitivo; a multiplicidade de consciências é apenas ilusão. A minha consciência não é separada da consciência dos demais seres e de Deus. Essa separação é que é "maya", do hinduísmo. Somos todos uma só consciência, embora não nos pareça assim. Por isso, Schröedinger disse: “A consciência é um singular para o qual não existe plural”. Logo que um ser consciente observa, a realidade torna-se manifestada no mundo material em um estado único, mas a ‘escolha’ de uma das soluções possíveis foi feita pela consciência una e não pelo ser senciente que faz, apenas, a chamada medição, o reconhecimento da escolha e, assim, provoca o colapso da onda do objeto que está em potência no domínio transcendental.

A ação da consciência transcendental escapa à nossa percepção comum. Ela escolhe entre alternativas coerentes quando manifesta a realidade material objetiva. O colapso quântico é um processo de escolha pela consciência única e de reconhecimento por um observador senciente. Em última análise, só existe “um” escolhedor para todas as escolhas, mas muitos cérebros-mentes observadores para a realização do colapso de onda e do reconhecimento do evento escolhido. Nós não escolhemos.

O cérebro/objeto não pode ter dentro dele o sujeito que faz as experiências, que faz as observações, que o sente. O sujeito é transcendente, é a consciência não-local, infinita, que não está no cérebro, mas em todo lugar.

Aparentemente, é algo dentro de nossa cabeça que faz as observações, pois que os sentidos da visão, audição etc., ali estão sediados, dando-nos essa ilusão. Porém, como afirmam os místicos, nossos olhos, ouvidos etc., são olhos e ouvidos do universo; ou, se quisermos, de “Deus”.

Fiquem em Deus.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

A MENTE MEDITATIVA

(31) A MENTE MEDITATIVA (Krishnamurti) (2/08)


(muita atenção!)



A qualidade da mente meditativa é complexa. Devemos examiná-la com atenção e com o propósito de descobrir sua natureza, suas minúcias, sua índole, sua essência; não apenas compreender, mas sentir sua verdade dentro de nós, com todo nosso ser. Talvez, com esforço constante e determinação para esse fim, poderemos ser capazes de ultrapassar a mente superficial, que torna nossas vidas tão vazias – tão dominada que é pelos condicionamentos e hábitos e, por isso, tão sem profundidade.



Mas antes, precisamos reconhecer, por nós mesmos, o quanto somos superficiais. Parece-me que quanto mais superficiais, mais nos tornamos ‘ativos’ (movimentamo-nos de cá pra lá, sem cessar, sempre ‘fazendo’ alguma coisa que julgamos útil) e ‘coletivos’ (agimos como todos os demais agem, em face de nosso condicionamento, regras sociais, cultura, crenças). Colecionamos obras de arte, tagarelamos interminavelmente, freqüentamos bibliotecas, dedicamo-nos a atividades sociais, concertos, conferências, entretenimentos etc. e estamos mergulhados na interminável rotina do emprego e dos negócios. Essas coisas tornam-nos embotados, medíocres e, quando percebemos esse embotamento, procuramos nos mostrar mais eruditos, penetrantes, por meio de palavras, de argumentações, do intelecto, das coisas da mente. Reconhecendo como somos superficiais, tentamos fugir dessa mediocridade, nos entregando à busca do saber, práticas religiosas, orações, jogo, bebida, aventuras, adrenalina, sexo, política; ou nos tornamos ‘idealistas’ etc. Estamos bem conscientes do quanto somos superficiais; de que a mente, que segue um hábito ou pratica uma disciplina a fim de ‘vir a ser algo’, torna-se cada vez mais embotada e estúpida, perdendo toda penetração e sensibilidade. E é dificílimo, a essa mente superficial, acabar com sua própria estreiteza, insignificância e limitações. Você já pensou, alguma vez, nisso?



Este assunto requer, não só certa habilidade intelectual, mas também, uma clara compreensão da linguagem e de suas limitações. E se pudermos entrar em comunhão uns com os outros, não apenas verbalmente, mas ultrapassando (com o sentimento, com profundidade) o símbolo a que a palavra se associa, e assim prosseguir cautelosamente nesse caminho, sem dúvida começaremos a descobrir, por nós mesmos, o que é meditar e qual a qualidade da mente capaz de meditação.



Se não chegarmos a compreender a extraordinária beleza da meditação, por mais que pareçamos inteligentes, prendados, competentes, penetrantes, nossa vida será superficial e sem significado. E, assim, reconhecendo quão pouco significativas são nossa mente e nossa vida, buscamos uma ‘finalidade na vida’, um objetivo, meta ou suposta missão, algo que nos preencha o vazio interior, provocado pela insatisfação que está quase sempre conosco. E, quanto mais ‘grandiosa’ a ‘finalidade’ que escolhemos, tanto mais nobres julgamos nossos esforços. A busca de ‘finalidade’, no entanto, é procedimento totalmente errado. A finalidade nada é. O que existe de importante e extraordinário é viver sem limitações. E, para se descobrir esse estado, requer-se uma mente perspicaz, clara, penetrante e precisa, e não uma mente embotada (defeituosa) pelos hábitos e condicionamentos (ilusões, crenças, opiniões, suposições, cultura...) que dominam nossas vidas.



Não há como negar que nossas vidas são vazias, superficiais, repetições sem fim dos mesmos hábitos (erros, procedimentos, coisas com as quais estamos condicionados). E essa mente supõe que se satisfaz facilmente, mas isso é ilusão pois, mais dia menos dia, surge de novo a insatisfação e a mente procura livrar-se dela, buscando nova finalidade a que se dedicar, modos de preencher o vazio da insatisfação etc. Ao ver-se descontente, põe-se a seguir uma rotina, fixa um ideal, sai atrás do que acha que ‘deveria ser’. E essa mente, não importa o que faça – quer se esteja sentado, a contemplar meditativamente o umbigo, quer meditando acerca do Supremo – permanecerá sempre vazia, porque sua essência mesma é sem profundeza. Uma mente estúpida nunca se tornará uma mente superior. No entanto, ela pode vir a compreender sua própria estupidez; e, no momento em que perceber, por si mesma, o que ela é (estúpida, medíocre, vazia, fútil), sem ficar imaginando o que deveria ser, quebra-se a estupidez. Com esta percepção, toda busca termina. Mas isto não significa que a mente se torne adormentada, estagnada. Pelo contrário; agora é que ela está vendo o que é, em sua realidade; e isso não é mais um processo de busca, mas um processo de compreensão.



A maioria das pessoas está, mesmo inconscientemente, em busca de felicidade, da compreensão, de Deus, da verdade, de satisfação de seus desejos, de amor permanente. Mas a mente que busca é muito superficial; ela apenas sente que tem de buscar ‘algo mais’ para compreender esta confusão que é a vida, para preencher seu vazio interior, sua insatisfação; mas sempre busca usando suas próprias operações limitadas, porque condicionadas. Devemos entender bem este ponto e investigar, ver como são absurdas a mente superficial, suas operações e atividades. Mas, nunca vamos poder penetrar a fundo nessa investigação se continuarmos a pensar em termos de busca, de esforço para descobrir esse algo mais. Ao contrário, necessitamos é de uma mente clara, muito penetrante, sem preconceitos, silenciosa, tranqüila. A mente sem profundeza, que se esforça para se tornar silenciosa, continua sem profundidade. A mente limitada, sempre tão ‘sabedora’, tão cheia de opiniões e crenças, tão sagaz, tão empolgada da ambição de achar Deus, a Verdade, um santo ou o que seja - porque seu desejo é sempre chegar a algo melhor – essa mente continua superficial, porquanto todo esforço é superficial, pois é produto da mesma mente limitada. Essa mente jamais será sensível; é necessário perceber esta verdade. A disciplina, o controle, o uso da força de vontade, o esforço para ‘vir a ser’, o esforço para rejeitar, resistir, cultivar a virtude, reprimir, sublimar, desejar – tudo isso, em essência, constitui a natureza da mente superficial, pois são esforços, tentativas, operações, que ainda só utilizam o conhecimento, a memória, as ilusões, a imaginação, o raciocínio da mente superficial e limitada. Talvez a maioria não concorde com isso, mas tente observar se não é assim. Como a mente limitada poderá agir além de seus limites? Não pode; esse é um evidente fato psicológico.



Ora, quando a pessoa se torna consciente disso, quando percebe essa verdade, realmente e não apenas verbalmente e intelectualmente – e não deixa a mente fazer perguntas sem conta sobre como modificar esse fato, como se libertar de sua superficialidade, de suas limitações, ou delas fugir, esquecer – sendo que tudo isso envolve esforço – reconhece então que nada pode fazer para modificar esse estado. O que pode fazer é apenas perceber, ver as coisas cruamente, tais como são, sem deformação, sem preconceitos, sem invocar opiniões a respeito do fato; isto é, simplesmente observar, testemunhar, sem idéias prévias, limitadoras. E é dificílimo observar pura e simplesmente, pois que nossa mente sempre foi exercitada para comparar, julgar, condenar, competir, justificar ou identificar-se com o que vê. Nunca vê as coisas como são porque sempre colocamos, entre elas e nós, uma cortina de condicionamentos, de conhecimentos adquiridos.



‘Viver com um sentimento’ tal qual ele é – ciúme, inveja, ambição, violência, medo, ódio, amor, seja o que for – ‘viver com ele’ sem o deformar, sem medos, sem emitir opinião ou julgamento, sem preconceitos, sem dele fugir, isso requer uma mente dotada de energia para seguir todos os movimentos do fato. Pois um fato nunca é estático; ele se movimenta, vive. Mas, nós o queremos estático, aprisionando-o com uma opinião, um julgamento (que pode ser apenas fruto de preconceitos ou de crenças que não sabemos se são verdadeiras ou falsas).

Assim, a mente vigilante, sensível, percebe a futilidade de todo esse esforço. Mesmo na educação, o estudante que se esforça para aprender, nunca aprende realmente. Pode adquirir conhecimento, tirar um diploma; mas aprender é coisa que transcende o esforço. Talvez, hoje, possamos aprender juntos, sem esforço, em lugar de ficarmos presos à esfera do conhecimento.

Estar consciente do fato, sem o desfigurar, sem o colorir de acordo com nossas conveniências e medos, sem lhe dar nenhuma tendência; observar a nós mesmos tais como somos, com todas nossas teorias, ilusões, esperanças, desesperanças, sofrimentos, crenças, fracassos e frustrações – isso torna a mente extremamente penetrante. O que torna a mente embotada, superficial, estúpida são as crenças, as religiões, ideais, hábitos, opiniões, ilusões, a busca de seu próprio engrandecimento, de seu próprio ser ou vir a ser. Como disse, para se seguir o fato, requer-se uma mente precisa, sutil, atenta, ativa, porque o fato nunca é estático.



Alguma vez você já olhou um fato, a inveja, por exemplo, seguindo-o, buscando compreendê-o totalmente? Todas as sanções religiosas baseiam-se na inveja, do bispo ao mais humilde clérigo. E toda nossa moralidade social, nossas relações, estão baseadas na aquisição e na comparação, e estas, por sua vez, significam inveja. Percebam isso! E seguir isso até o fim, em todos os seus movimentos, para entender o porquê da inveja (ou de outra coisa qualquer), requer uma mente muito atenta, vigilante e limpa (sem poluição, sem contágio de qualquer espécie).



É muito fácil reprimir o fato, dizendo: ‘Não devo ser invejoso’, ou: ‘Já que estou aprisionado nesta sociedade corrompida, tenho de aceitar esta condição’. Mas, seguir todos os movimentos do fato, cada nuance, cada sutileza – esse ‘processo’ de segui-lo torna a mente sensível, sutil. Se seguimos o fato sem tentar alterá-lo ou colori-lo (com opiniões, crenças, fugas, orações, promessas etc.) veremos que não existirá nenhuma contradição entre o fato, isto é, o que é realmente, e o que deveria ser. Não havendo contradição ou diferença entre o que é e o que deveria ser, nenhum esforço será exigido, pois, se a mente está apenas seguindo o fato, apenas o observando, não estará empenhada em alterá-lo, em torná-lo diferente. Isto também é uma verdade psicológica. E esse seguir o fato deve ser feito a todas as horas, noite e dia, mesmo durante o sono. Pois a atividade da mente, quando o corpo dorme, é muito mais deliberada, positiva, e os resultados dessas atividades nos chegam à mente consciente através de símbolos, sugestões e sonhos.



Se está sempre vigilante, atenta, observando, a cada instante, cada gesto, cada movimento ou reação do pensamento (auto-observação), a mente pode, então, vir a ultrapassar a própria consciência.



Para se descobrir o que é a verdade, Deus, ou o nome que preferirmos, é absolutamente necessário ter uma mente lúcida – não no sentido de talentosa, intelectual, argüitiva; mas ter uma mente capaz de, sem qualquer preconceito, raciocinar, examinar, questionar, duvidar, negar, indagar e investigar, a fim de descobrir. A mente que tem fronteiras, restrita, condicionada, limitada, não é sensível, pois não é livre. O nacionalista, o crente, o religioso etc. não têm uma mente sensível, livre, porque sua crença, seu nacionalismo lhes limita a mente. Assim, no seguir, apenas, o fato, a mente se torna sensível. O fato a torna sensível e não há necessidade de fazermos, por nosso esforço ou vontade, que ela se torne sensível.



Se isso está mais ou menos claro, qual é então a natureza da beleza que essa mente descobre? Para a maioria de nós, a beleza reside nas coisas que percebemos com os sentidos objetivos (visão, audição, tato etc.) – um quadro, uma melodia, um poema, uma sinfonia, uma árvore, uma flor, o pôr do sol, o mar imenso, um sorriso de criança etc. E existe, para nós, a negação da beleza, a reação à beleza, que é o dizermos ‘isto é feio’. Mas a mente sensível é sensível tanto para o feio quanto para o belo (certo ou errado) e, por conseqüência, (por não julgar, não comparar, coisas que são interferência do ‘eu’), não há nenhuma busca daquilo a que chama belo, e nenhuma rejeição àquilo que chama feio. E, com essa mente vamos descobrir que existe uma beleza inteiramente diferente das avaliações (percepções, interpretações) feitas pela mente limitada. Você deve saber que a beleza requer simplicidade, e a mente muito simples, que vê os fatos tais como são, sem julgá-los, conceituá-los, compará-los, é uma mente muito bela, simples (pura, limpa, inocente). Mas não podemos ser simples se não houver passividade e não há passividade se não houver austeridade. Não me refiro à austeridade da tanga, das longas barbas do monge, do tomar uma só refeição por dia, porém à austeridade da mente que se vê e se percebe como é (limitada, finita, preconceituosa, medíocre), e segue infinitamente aquilo que vê. E esse seguir é passividade, porquanto a mente não mais está apegada, não mais está comparando, fugindo, julgando; está apenas observando. A mente tem, portanto, de ficar totalmente passiva para poder ver ‘o que é’.



Assim, para se ver realmente a beleza se requer a paixão da austeridade. Já vimos o que é austeridade; e necessitamos evidentemente da paixão para sentirmos a beleza. Necessita-se de intensidade e de penetração. A mente embotada não pode ser austera, não pode ser simples, pura, livre (está cheia de amarras, apegos, crenças, opiniões, ilusões, desilusões, dependências, esperanças, desesperanças) e, por conseguinte, é sem paixão. E é na chama da paixão que se percebe a beleza, que se pode ‘viver com a beleza’.



Talvez tudo isso, para você, não passe de meras palavras para serem, mais tarde, lembradas. Mas não há ‘mais tarde’. Isso tem de acontecer agora, enquanto conversamos, enquanto estamos em comunhão uns com os outros. E esse percebimento da beleza não reside apenas nas coisas – obras de arte, céu, noite estrelada – pois começamos, também, a descobrir a beleza da meditação, e a intensidade e a paixão da mente meditativa (a beleza em tudo).



Vamos, agora, falar sobre a meditação, porque ela é extremamente necessária e estamos aqui lançando suas bases. Para a meditação necessita-se de uma mente capaz de permanecer em silêncio – não uma mente forçada ao silêncio por meio de força de vontade, de artifícios, disciplina, controle, persuasão, repressão -, porém uma mente completamente tranqüila. Isso é absolutamente essencial à mente que deseja entrar num estado de meditação. Por conseguinte, a mente deve estar libertada de todos os símbolos, palavras, idéias, crenças, opiniões, vínculos. A mente é escrava das palavras, não é? Os ingleses são escravos da palavra ‘rainha’, os religiosos são escravos das palavras Deus, Buda, céu, pecado, carma etc. A mente repleta de símbolos, palavras, idéias, opiniões, é incapaz de estar em silêncio, quieta. Emaranhada em seus pensamentos, nunca está tranqüila. Essa tranqüilidade nada tem a ver com estagnação, com um estado ‘em branco’, ou de hipnose; contudo pode ser alcançada ‘no escuro’ (vazio), inesperadamente, sem volição e sem desejo, quando compreendemos inteiramente o ‘processo’ do pensamento.



O pensamento, afinal de contas, é apenas reação da memória; e a memória é resíduo da experiência; e o resíduo da experiência é o ‘centro’, o ‘eu’. Assim se forma o ‘eu’, que é, então, essencialmente acumulação de experiências passadas (uma coleção de memórias produzida pelas experiências que deixaram marcas), em relação tanto à coletividade como ao indivíduo. Desse centro, emana o pensamento; e esse processo precisa ser completamente compreendido; isso é ‘autoconhecimento’. Sem autoconhecimento, consciente e inconsciente, a mente nunca estará tranqüila. Só poderá hipnotizar-se para tornar-se tranqüila, mas isso é infantil, imaturo e nunca definitivo.



O autoconhecimento, portanto, é necessário e urgente, porque a mente que conhece a si mesma e a todos seus artifícios e artimanhas, imaginações e atividades, pode então chegar, sem esforço, sem exigência, sem premeditação, ao estado de completa quietude. Conhecer a si mesmo é conhecer a totalidade do pensamento e saber como este cria coisas, como divide a si próprio em ‘eu superior’ e ‘eu inferior’. É o percebimento da totalidade desse movimento de experiência, memória, pensamento. É isso que dá o percebimento do centro, do ‘eu’, que se torna pensamento, memória e experiência; e a experiência, por sua vez, se torna memória mediante o ulterior condicionamento da experiência. Portanto, o eu, o ego, não tem realidade; é apenas um feixe de memórias selecionadas.



Espero que você esteja me seguindo. Se você se observar atentamente, poderá perceber isso. O centro nunca é estático. O que era centro se torna experiência, e a experiência se torna centro e o centro se transforma em memória. É tal como causa e efeito: causa se torna efeito e efeito se torna causa. E esse processo não é só consciente, mas também inconsciente. O inconsciente é o resíduo da raça, do homem ocidental e oriental. Essas tradições herdadas, no encontro com o presente se transformam noutras tradições. Para perceber as múltiplas camadas do inconsciente e seu movimento, necessita-se de uma mente bem penetrante, viva e atenta, que nunca esteja, nem por um momento sequer, a buscar segurança, conforto, preenchimento do seu vazio. Porque, no momento em que busca segurança ou conforto, está tudo acabado; estamos de novo atolados, aprisionados (porque a mente não está mais livre, mas apegada a seu objetivo ou desejando fugir do que é). A mente, apegada na segurança, no conforto, num padrão, numa crença, em ilusões, em coisas que julga sejam verdades, num hábito, não pode ser ágil, livre, porque quem está apegado é escravo do seu apego.



Eis, pois, o que é o autoconhecimento; e conhecer a si mesmo significa descobrir (compreender) o fato e seguir o fato sem nenhum interesse em modificá-lo. E isso requer atenção. Atenção é uma coisa e concentração é coisa muito diferente. A maioria dos que desejam meditar espera adquirir o poder da concentração. Todo colegial sabe o que é concentração. Ele deseja olhar pela janela e o mestre lhe diz: ‘olha para seu livro’; e trava-se uma batalha entre o desejo de olhar pela janela e a compulsão do medo, da competição, que o força a olhar para o livro. Concentração, pois, é uma forma de exclusão; excluímos tudo, menos aquilo em que estamos concentrados. E, embora em tal processo, você pode se tornar perspicaz, sua mente continua ainda muito limitada. Tenha a bondade de acompanhar isso que exponho, sem aceitar nem rejeitar; simplesmente observando.



A mente que se limita a se concentrar conhece a distração; mas, a que está atenta, não tolhida pela concentração, não conhece distração. Tudo, então, é movimento vivo. Compenetre-se bem disso e você verá como lançará fora toda a carga de crenças, opiniões, mandamentos religiosos, que lhe foi imposta; você olhará a vida de outra maneira. A vida torna-se, então, em algo extraordinariamente significativo, em algo extraordinariamente maravilhoso – o verdadeiro viver, que não é tentar fugir, esquecer, substituir, sofrer, duvidar.



Quando se dá um novo brinquedo a uma criança, cessa completamente seu desassossego e ela se torna quieta, toda absorvida no brinquedo. E o mesmo acontece conosco; temos também nossos brinquedos: mestres, salvadores, obras de arte, ideais, crenças, religiões, suposições, filosofias; e, neles se absorvendo, a mente se torna quieta. Mas, essa absorção é morte para a mente, ilusão temporária porque, logo mais, ela necessitará de outros brinquedos que a satisfaçam.



A atenção não é nem semelhante, nem o oposto da concentração e, por conseguinte, não tem relação com a concentração. Atenção é estar a mente consciente de cada movimento que se verifica dentro e fora dela mesma. Significa, não só ouvir os barulhos do tráfego, mas também o que se está dizendo, o que está vendo, ouvindo, degustando, cheirando, tocando; estar consciente da sua reação ao que todos seus sentidos objetivos estão captando, mas consciente sem escolha (de sua reação interior àquilo que seus sentidos objetivos percebem do mundo exterior, sem se prender ao que considera mais belo, mais agradável, ou mais feio, certo, errado etc., pois que isso é exclusão, concentração) para que não haja limitações à mente. Quando a mente está atenta dessa maneira, a concentração terá, então, significado completamente diferente; a mente pode, agora, se concentrar em qualquer coisa, objeto ou evento, mas tal concentração não exige qualquer esforço, pois já não existe mais julgamento, comparação, apego, medo etc. que tenhamos de afastar para perceber; não é, também, exclusão, porém é parte do percebimento total. Você está compreendendo?



Essa atenção é bondade, é virtude; e nela se encontra o amor e, portanto, aconteça o que acontecer, aí não pode existir o mal. O mal só existe onde há dúvida, escolha, medo, conflito, ilusão etc. E a mente atenta, completamente consciente de si mesma e de todas as coisas que se passam nela própria, é capaz de transcender a si própria.



A meditação, pois, não é um ‘processo’ de ‘saber meditar’, de ser ensinado ou de aprender a meditar. Isto é completamente infantil, pois daí nasce o hábito e todo hábito faz a mente embotada, aprisionada em seu próprio embotamento (condicionamento); com o hábito você poderá ter visões do Cristo, ou dos deuses de sua crença, ou do que quer que seja, mas, com certeza, sua mente continuará condicionada. O cristão pode ter visões de Jesus, e os demais poderão ter visões de seus deuses e santos prediletos. A mente meditativa não é imaginativa; portanto, não tem visões. O que ela ‘vê’ é o que é, é o Real.



Assim, quando a mente, depois de agitar-se inutilmente no círculo fechado de seus próprios movimentos limitados, começa a seguir, sem esforço, o movimento de seus pensamentos, a amar o seu centro, seu movimento, suas experiências, só então é capaz de compreensão, de permanecer quieta, pronta (Krishnamurti: arrume o aposento e deixe portas e janelas abertas; assim, a qualquer momento, a coisa poderá entrar).



Agora, um momento. Posso comunicar-lhe verbalmente o que então sucede, mas isso é muito sem importância (‘irrelevante’, disse o Buda), porque você é que tem de descobrir isso. Você deve chegar àquele estado de silêncio, abrindo você mesmo a porta. Se outro lhe abre, ou procura ajudá-lo a abri-la, então esse outro se torna sua autoridade e você seu seguidor; você ficará dependendo desse outro. E isso, por conseguinte, significa morte para a verdade; morte para a pessoa que diz que ‘sabe’, e morte para aquele que pede ‘ensine-me’. A ânsia de saber gera a autoridade, dependência, apego; e a mente continua condicionada.



Eu ´lhe exponho tudo isso, não com a intenção de convencê-lo, ou estimulá-lo, de demonstrar-lhe algo, ou coisa parecida, mas, sim porque, quando o compreender, você verá a relação existente entre o tempo e espaço.



Quando a mente está completamente livre de barreiras, limitações, acha-se então num estado de plenitude; e nessa plenitude, está vazia; e esse vazio pode conter o tempo – tempo como espaço e distância; tempo como ontem, hoje e amanhã. Mas, não havendo aquele vazio, não há tempo, nem espaço nem distância. E, quando a mente descobre isso, quando o experimenta, não apenas verbalmente, intelectualmente, ou como coisa lembrada, mas verdadeiramente – ela sabe, então, o que é criação – criação e não coisa criada. E você verá então que, ao dobrar uma esquina, ao passar por belos campos ou por uma rua imunda, ou que quer que seja, sempre se encontrará (estará) com o Eterno.



A mente, pois, jornadeou pelo seu próprio interior, pelas últimas profundezas de si própria. Esta jornada não é semelhante à viagem à Lua num foguete, o que é relativamente fácil, mecânico; e a jornada interior, a visão interior não é mera reação ao exterior. Tudo é um só movimento: interior e exterior. E, quando há essa visão profunda, interior, essa atenção, essa percepção interior, a mente, então, não está mais separada do Sublime. Por conseguinte, toda busca, toda ânsia, tudo terminou.



Por favor, não se deixe influenciar ou hipnotizar por minhas palavras. Se está influenciado, você não poderá saber, por si mesmo, o que é o amor. A influência, a hipnose, como já vimos, nos prendem ao influenciador, ao hipnotizador, que se torna autoridade para nós e a ele nos apegamos, porque passamos a depender dele.



A meditação é o descobrimento dessa coisa extraordinária que se chama Amor.

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segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Ciência e Espiritualidade

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Este documento já circulou antes, mas é bom lermos novamente com uma visão mais crítica do que cética, para podermos tirar nossas conclusões.

Os fenômenos acontecem, só não tínhamos uma explicação científica adequada. Agora, com a física quântica, o Universo poderá ser melhor entendido. Pensávamos que sabíamos...