segunda-feira, 6 de junho de 2011

DE QUE DEPENDE A EVOLUÇÃO RUMO À FELICIDADE

Amigos,

Um amigo diz que o que determina o grau de evolução do espírito é o grau de amor e que, portanto, o espírito é mais evoluído quanto mais amor tem. Diz que o que determina o grau de inteligência é o grau de progresso espiritual e, assim, o espírito é mais inteligente quanto mais progresso espiritual tem. Diz, ainda que o espírito continua progredindo em inteligência, independete do grau de amor que tenha. E que, por progredir em inteligência, ele pode ser tão ou mais poderoso do que aquele que evolui pelo amor.



Mas, afinal, o que é a inteligência? Inteligência é a faculdade de compreender; quanto mais inteligente alguém é, maior compreensão, maior conhecimento, maior percepção tem sobre seus problemas e, conseqüentemente, com mais facilidade pode resolvê-los.

E lhe pergunto: é inteligente desejar ser infeliz? Não é a infelicidade conseqüência dos problemas que não conseguimos resolver ao modo que queremos? É isso que esses espíritos, que você diz que, sem amor, podem progredir em inteligência, conseguem: infelicidade!

E porquê? Porque, na realidade, não são inteligentes; podem ser espertos, vivos, perspicazes, astuciosos, sagazes, maliciosos, mas numa analise mais profunda, não são inteligentes.

Observe que por mais pervertido/perverso (sem amor, portanto) ou por mais ilibado/puro (com amor, portanto) seja o homem, no final de contas, tudo que ele faz é no sentido de encontrar a felicidade. Tudo que o homem faz, seja o mal, o errado, ou o bem, o certo, é por seu desejo de ser feliz: a vingança, o assassinato, o roubo etc que alguém comete é no desejo de ser mais feliz; a caridade, o amor ao próximo, o altruísmo que fazem tb têm o mesmo objetivo (se não houve espontaneidade, em sua prática.

Mas, qualquer um, poderoso no mal, agindo como age, está sempre temeroso de que descubram seus erros; em planejar seus crimes de um modo que, suas vítimas ou a justiça dos homens, não o alcancem; está sempre se escondendo; nunca está tranqüilo, nunca está de cabeça e mente abertas. Pende sobre sua cabeça, o ódio, o desejo de vingança, de lavar a honra etc, dos semelhantes a quem deve alguma coisa, e tantas coisas mais. E a vantagem de ser inteligente e, em conseqüência, poderoso no mal, lhe traz apenas satisfações ou felicidades “temporárias”.

Enquanto o puro/ilibado, crescendo em amor, cresce também em inteligência, pois sua faculdade de compreender se amplia, já que tem uma mente e uma consciência mais tranqüilas, sem tantos medos, porque nada deve. E a vantagem deste é poder chegar a satisfações ou felicidades “definitivas”.

Veja, como o sábio Jesus afirmou: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. Como conhecer a verdade se a mente está repleta de receios, intranqüila, ocupada por seus problemas, muitas vezes cheia de remorsos etc? O homem mau pode ser feliz enquanto lhe dura a satisfação do que tem conseguido com suas maldades; logo sua felicidade é temporária. Mas, aquele que busca a verdade pode encontrar uma felicidade integral, sem fim, absoluta. A compreensão da verdade liberta de tudo aquilo a que estamos presos ou de que dependemos: afetos, amores, medos, vícios, males físicos ou psicológicos etc, que são fruto da ignorância em que nos achamos mergulhados.

Aqueles que conheceram a verdade, movidos pela compaixão nascida ante o sofrimento dos homens, muitas vezes arriscaram a própria vida para nos ensinar que podemos nos libertar de todos os problemas e sofrimentos, de todas as dependências; que podemos afastar, totalmente, a ignorância e substituí-la por conhecimento e sabedoria além daquela que o mundo conhece. E que, em vez de apegos que nos escravizam e fazem sofrer, teremos, no coração, um amor ainda desconhecido; um amor incondicional, que nada exige, nem reciprocidade, nem reconhecimento.

Por isso, Jesus, ensinou que o conhecimento da verdade nos libertará de toda infelicidade; Sidarta, o Buda, disse que esse conhecimento é o fim de todo sofrimento; outros, ainda, que é a bem-aventurança, a serenidade, a “felicidade total”. E a Verdade só pode vir quando a mente está totalmente tranqüila.



Até mais.

domingo, 5 de junho de 2011

SAMSARA (Sofrimentos, mundo ilusório), NIRVANA (Felicidade, mundo real)

Para masc anjo forum BLOG


Uma resposta a uma amiga que trouxe um texto muito bom mesmo para reflexão sobre reencarnação; continuidade do “eu”; morte do “ego”; o “novo homem”; ressurreição; “carma” (chamada, por muitos, como conseqüências da “lei de causa e efeito”), sofrimento e felicidade, nirvana...

Ela viu, na Wikipedia, definição para a palavra “samsara”, a roda de renascimento e morte.

Msg de resposta à amiga:

Viu quantas definições de “samsara”, umas levando ao sentido de vidas sucessivas (reencarnações), outras levando ao sentido de o oposto da felicidade e da libertação?

E viu qual o significado da palavra, conforme a tradução, “perambulação”? É andar sem rumo, sem norte, vaguear, andar ao acaso, sem objetivo ou destino, viver ou andar na incerteza ou na inconstância. Veja que “pode” ser entendido como o fluxo incessante de renascimentos... e pode ser entendido como não ter ainda encontrado o “rumo de casa”, estar perdido e, por isso, sofrendo; assim, samsara pode significar, para uns, algo como “reencarnação”, para outros, o “oposto de nirvana”, cessação de todos os sofrimentos, felicidade total. Observe ‘poema’ de um roshi:

“Chuva nevoenta sobre o Monte Lu,

E ondas encapeladas no rio Che.

Se você ainda não esteve lá,

Muitos pesares, por certo, terá;

Mas, uma vez lá e no ‘rumo de casa’,

Como parecem prosaicas todas as

coisas!

Chuva nevoenta sobre o Monte Lu,

E ondas encapeladas no rio Che”.

Uma tentativa de interpretar: Se você ainda não teve o percebimento do Real (iluminação), os sofrimentos da vida continuarão, como para todos que ainda não chegaram lá; mas, se teve o percebimento, não por efeitos de drogas ou outra razão, mas no ‘rumo de casa’, isto é, na intenção de encontrar Deus, como tudo, a partir daí, passa a ter significado profundo se comparado às coisas prosaicas da vida comum. E, depois de iluminado, a mesma chuva, as mesmas ondas, todos os eventos serão os mesmos de sempre, porque o mundo não mudou, mas, para quem chegou, a interpretação do mundo e da vida se transforma radicalmente.

Texto da amiga:

“Na maioria das tradições filosóficas da Índia... o ciclo de morte e renascimento é encarado natural.,, diferem na terminologia com que descrevem o processo e na forma como o interpretam. A maioria das tradições observa o Samsara de forma negativa, uma condição a ser superada”.

Cel: esta ultima frase é a conceituação trazida do misticismo: samsara, ‘o modo de viver a ser superado’, se se desejar livrar-se dos sofrimentos. É a busca da identidade com a realidade absoluta, Deus, pela experiência direta, como ensinava o primitivo cristianismo. (Jesus, em todas suas palavras que não fossem “regras de bem-conviver”, mostrou-se místico).

Texto:

Do livro de Jakob Böhme "O Príncipe dos Filósofos Divinos"[2], o misticismo se define por: o misticismo, em seu mais simples e essencial significado, é um tipo de religião (?!) que enfatiza a atenção imediata da relação direta e íntima com Deus, ou com a consciência da Divina Presença. É a religião em seu mais apurado e intenso estágio de vida. Aquele que alcançou o "segredo" (que busca alcançar o segredo, o mistério, a verdade, como escapar das ilusões, do ego) é chamado um místico. Os antigos cristãos empregavam a palavra "contemplação" para designar a experiência mística.

"O místico é aquele que aspira a uma união pessoal, ou a unidade com o Absoluto, que ele pode chamar de Deus, Cósmico, Mente Universal, Ser Supremo, etc. (Ralph M Lewis, Imperator da AMORC).



“Por exemplo, na escola Advaita de Vedanta hindu, o Samsara é visto como a ignorância do verdadeiro eu, ignorância de que somos Brahman (por isso disse Jesus: “... e a verdade vos libertará”), e a alma é ‘levada a crer’ na realidade do mundo temporal e fenomenal (são só ilusões, mundo do espaço-tempo).

No Vedanta, o samsara tem o mesmo significado em diversas escolas, designando o ciclo da transmigração do atma (alma, espirito) em mundos materiais. Shankara, considerado o fundador das escolas modernas de vedanta, definia o samsara como sendo o caminho atemporal realizado pela alma no mundo de ignorância (mundo ilusório, ou de ilusões). Uma vez que vidya (a sabedoria, a verdade) é alcançada através de jñana (caminho do saber, do conhecer a verdade) o conceito dual e egocêntrico de aham (ilusão de pensar-se um eu separado de Brahman, um ego) e mamata (ego/mente condicionada, localizada, individual) se esvai, o ciclo se extingue e o atma se funde em Brahman (eu e Pai somos um) alcançando moksha (iluminação, nirvana, bem-aventurança).

Shankara afirmava que o karma (desejo, do ego iludido, de realizar atividades materiais) é simplesmente devido à sua ignorância de que é um só com Brahman (“Eu e o Pai somos um”). Contudo, com a destruição do sentimento de aham (mente pessoal, ego, falso ‘eu’), o atma vê que ele “é” Brahman, e o samsara deixa de existir.

No vedanta, e na maioria das tradições hindus baseadas no Vedanta, o ciclo de transmigração da alma, ou samsara, não é feito exclusivamente do passado para o presente, numa temporalidade linear como a concebida pela cosmologia Ocidental. O ciclo pode se deslocar para qualquer posição na espiral do tempo (conforme os sábios e a ciência quântica, tempo e espaço são ilusões, como Einstein afirmou com sua teoria da relatividade), de acordo com as diferentes inferências feitas pelos sábios, isto é, em quaisquer universos da criação material, e em quaisquer tipos de corpos, entre as 8,4 milhões de espécies transmigráveis, podendo haver evolução ontogênica (evolução dos organismos tanto no sentido de melhorar ou de piorar em relação ao meio, como conhecemos) ou filogênica (evolução da espécie no sentido que consideramos o normal, o natural), nos dois sentidos: elevação e degradação; de semi-deus a larva, de planta a ser humano, e vice-versa. (pois não é o ‘eu/ego/mente individual’ q transmigra, mas alma universal – q pode vir a animar qualquer coisa – se manifestar onde existir um cérebro, logo como um virtuoso santo, quanto como um idiota ou um facínora). Assim, as possibilidades de tipos de transmigração são infinitas (pois são apenas ilusões).

Alguns textos clássicos do hinduísmo, explicam como a alma transmigra, de onde, para onde e por que.



Samsara no Budismo Tibetano

(Cel: um alerta: não esquecer que o budismo tibetano é reencarnacionista, e que as religiões têm uma fase exoterica e uma esotérica; na exotérica, a reencarnação é a explicação de porque o homem sofre (mau uso do livre-arbítrio, ações erradas, desejos não concretizados...).

É a perpétua repetição do nascimento e morte, desde o passado até o presente e o futuro, através dos ilusórios reinos: do Inferno (sofrimento)... dos Animais (irracionais)... do Ser humano (animais irracionais) até a Bem-Aventurança (iluminação, “Um com Deus”). A menos que se adquira a perfeita sabedoria (iluminação), não se poderá escapar desta roda da transmigração, ou Roda do Samsara.

Os que se libertaram dessa roda (“... a verdade vos libertará”) são considerados lamas, iluminados, cristos ou budas.



Samsara como metáfora psicológica

À parte da cosmologia e mitologia tradicional de renascimento do corpo físico (veja: não do espírito!): no budismo também pode-se compreender este ensinamento como o ciclo de morte e renascimento da consciência de um mesmo ‘eu’ (continuidade ininterrupta de renascer e morrer, a todo instante, no mesmo corpo físico – Krishnamurti, ciência quantica).

Momentos de distração, de inconsciência de si mesmo, são momentos em que a consciência morre para despertar em seguida em momentos de atenção, compreensão e lucidez. Nesta visão, skandhas (os agregados impuros, imperfeições), são levados adiante para o momento seguinte em que a consciência toma uma nova forma diferente.

O budismo ensina que, por meio de cuidadosa observação da mente (pela meditação), é possivel ver a consciência como sendo uma sequência de ‘momentos’ (intermitentes, sim-não-sim-não da física monista) conscientes e inconscientes, ao invés de um contínuo de auto-consciência. Cada momento é a experiência de um estado mental específico: um pensamento, uma memória, uma sensação, uma percepção. Um estado mental nasce, existe e, sendo impermanente, cessa dando lugar ao próximo estado mental que surgir. Assim a consciência de um ser senciente pode ser entendida como uma série contínua de nascimentos e mortes ‘de estados mentais (não de corpos físicos, ou de desencarnações e reencarnações do espírito). Neste contexto, o renascimento é simplesmente a persistência deste processo (Jesus: “aquele que não nascer de novo, não pode entrar no reino dos céus”, evidentemente significando “aquele que não vier a ter o estado mental de compreender”, o “novo homem”, a ressurreição).

Esta explicação do renascimento como um ciclo de consciência é consistente com os demais conceitos budistas, como anicca (impermanência), dukkha (insatisfação que vem do conjunto de nossas experiências no corpo físico), anatta, ou ego (perda da identificação com Brahaman) e, assim, é possivel entender o conceito de karma como um elo de causas e consequências destes estados mentais.

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Abraços para todos.

domingo, 29 de maio de 2011

EGO E ILUSÃO

Ego e ilusão




Nossa identificação com o “ego/eu/mente” e seus conteúdos, é a causa de todos os problemas do mundo.

Quando se consegue ir além dessa ilusão, com a eliminação do ego, todos os males cessam.

Os conteúdos e processos mentais (que estão na mente/eu/ego) vêm do condicionamento trazido pelas tradições, culturas, costumes, sociedade em que vivemos, crenças, religiões, suposições. Todas essas coisas nos enchem a mente de ilusões, que formam um verdadeiro véu que não nos permite uma visão correta da realidade. A identificação com esses conteúdos nos trás a experiência de um ‘eu/ego’ condicionado e ficamos presos às ilusões.

Transcendida essa identificação com o ego, cessam os condicionamentos e, com eles, cessa o ‘eu pessoal’, que nada mais é que um “feixe” de memórias que provocam os conteúdos da consciência com os quais nos identificamos.

Após essa transcendência, pensamentos e emoções ainda passam pela mente, mas não há mais qualquer identificação com eles, e tem-se a experiência a que damos o nome de bem-aventurança porque, não havendo identificação com conteúdos mentais dolorosos (pensamentos e emoções dolorosos), não há mais experiência de sofrimento.

Sem condicionamentos, ficamos livres das identificações com conteúdos inconscientes ou conscientes que destorcem a interpretação da realidade, e a consciência é capaz de uma percepção clara e precisa que, no budismo, chamam de ‘espelho de cristal’, porque reflete fielmente a realidade. Cessam toda a ignorância, sofrimentos, conflitos, problemas.

Por isso o Cristo afirmou: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” e o Buda: “A iluminação é o fim de todos os sofrimentos”.

Não havendo mais identificação, o espelho e aquilo que ele reflete, o sujeito e o objeto, são percebidos como uma coisa só. A consciência, agora, é percebida como sendo aquilo que antes ela observava (Krishnamurti: o observador é a coisa observada), porque percebe-se que o observador ou ego, produto ilusório da identificação, é irreal. O indivíduo se vê como consciência pura em unidade com tudo, idêntico a qualquer outro indivíduo. Vem daí a conhecida afirmação dos místicos de que ‘todos somos um’ (Jesus: “Eu e o Pai somos um”), e não mais surgem pensamentos que possam ferir os ‘outros’. Amor e compaixão são expressões naturais desse estado.

Todos os relatos de experiências dessa espécie deixam bem claro que elas só acontecem quando se vai além dos limites da mente, além do ego condicionado. E como a comunicação entre diferentes estados/níveis de consciência é difícil, as descrições em geral são incompreensíveis na visão do homem comum. Assim, é fácil rejeitar essas experiências sem qualquer análise, considerando-as sem sentido ou patologias, erro cometido por alguns dos mais notáveis profissionais de saúde mental do mundo.

Nesse estado, a pessoa se vê como pura percepção, incondicionada, eterna e, também, experimenta ser tudo o que existe. Nas profundezas da psique humana, cessadas as identificações (que nos limitam) com os conteúdos mentais, isto é, com o ego, a percepção não encontra limites à sua identidade e se percebe como aquilo que está além do espaço e do tempo, aquilo a que a humanidade deu o nome de Deus (‘eu e o Pai somos um’). Por isso, afirmou Bugental: ‘Para mim, Deus é uma palavra usada para indicar nossa subjetividade inefável, o potencial indescritível e inimaginável que está dentro de cada um de nós’.



Palavras de alguns que passaram pela experiencia:

Catarina, mística cristã, séc. XV: “Meu ser é Deus, não por uma simples participação (minha nele), mas por uma transformação autêntica de todo meu ser”.

Hui-Neng, séc. VI, fundador do Zen Budismo: “Nossa própria natureza do ser é Buda (desperto, iluminado, livre do sofrimento) e, fora dessa natureza, não há outro Buda. Só há Um e somos esse Um”.

Ibn al-Arabi, sufista, séc. XII: “Tu és Ele, sem qualquer limitação, se conheceres tua própria existência dessa maneira”. .

Moisés de Leon, cabalista, séc. XIV: “Deus, em sua manifestação suprema, na plenitude de seu ser, é chamado “Eu”.

Padmasambhava, budista, séc. VII: “A única verdade está dentro de nós. Ela é Buda e Buda somos nós”.

Meister Ekhart, monge cristão, séc. XIII: “Percebo que Deus e eu somos um só”.

Monsoor al-Halaj, sufista, séc. X: “Eu sou a verdade”.

Shankara, hindu, séc. VIII: “Não participo da ilusão ‘eu’ e ‘tu’, ‘isto’ e ‘aquilo’. Sou a realidade sem começo e sem fim. Sou Brahman, o primeiro sem segundo, a bem-aventurança sem fim, a verdade eterna e imutável. Resido em todos os seres. Agora, eu sei que sou Tudo”.

E Jesus: “Eu e o meu Pai somos um”.

Santa Catarina de Gênova: ‘O meu eu é Deus e não reconheço outro Eu senão meu Deus’.

São Bernardo: “Se a alma difere de Deus, a alma difere de si mesma”.

Quanto mais encantados com o mundo, mais distantes de Deus

Um amigo colocou que “quanto mais identificados com a matéria, mais distantes de Deus”.


Observe, amigo, que afirmar que “quanto mais identificados com a matéria, mais distantes de Deus” é apenas outro modo de dizer que “quanto mais ignorantes do que somos ou da verdade libertadora, mais distantes de Deus”, pois é fato que, então, mais estaremos presos à matéria, aos atrativos do mundo; nossas ilusões serão mais “ativas”. Todos os atrativos do mundo se referem à matéria. A igreja primitiva, talvez por seus teólogos, ou pór aqueles que se destacaram na busca de Deus, mostrou sabedoria ao elencar os pecados capitais, todos eles vinculados às coisas materiais. Evidentemente não tinham o significado que posteriormente a igreja deu à expressão “pecado capital”, prática que, pela visão da igreja de hoje, pode levar a penas eternas, mas guarda semelhanças pois, enquanto esses defeitos persistem, o trabalho de meditar é impedido ou prejudicado e o homem não chega à se libertar do ego e, consequentemente, não chega à realidade última, que traz felicidade absoluta (céu).

À medida que aumenta a compreensão acerca do mundo e da armadilha que é a vida, e que o homem percebe que não encontra, no mundo, solução para seus problemas, mas vai se distanciando das coisas da matéria que antes o atraiam pois que essas coisas, aos poucos, mostram que não mais satisfazem, que não preenchem suas mais altas aspirações. E instala-se nele o desencanto pelas coisas materiais que, por mais satisfatórias e mais duradouras que sejam, não trazem as soluções definitivas almejadas. Isso tem sua valia, pois leva aquele, que já começou a refletir sobre “o porque de tudo isto”, a buscar algo mais e algo mais e algo mais..

Assim, quanto mais nos afastamos das coisas do mundo, mais próximos ficamos de Deus (e vice-versa)..

Como vc disse, o mundo não passa de uma grande escola, mas é uma escola tanto do bem quanto do mal pois é aqui que o ego aprende a desconfiar, a ser violento, a matar, roubar mentir (o decálogo), enfim, a ser mau e se torna cheio de imperfeições. Em nenhum lugar além do mundo o ego se enche de imperfeições e defeitos morais.

domingo, 22 de maio de 2011

BOM ÊXITO NA VIDA FUTURA

BOM ÊXITO NO FUTURO‏




Um amigo afirmou que só a prática do bem é garantia de uma vida feliz no futuro. Como lhe perguntei se se referia a um futuro imediato ou “definitivo”, fez uma nova pergunta:

“Qual a utilidade de se saber se o texto diz respeito a um futuro imediato ou definitivo??”

Cel: veja q sua afirmação foi que só a pratica do bem garante bom êxito na vida futura. A pergunta, de se se refeira a um futuro imadiato ou defnitivo, se deve ao fato de que, praticando o bem podemos ter um futuro (amanhã, o mês q vem etc) bom em virtude do reconhecimento e até do apoio daqueles q por nós foram beneficiados pela prática do bem. Mas, nenhuma valia traz para se alcançar o futuro definitivo, isto é, um futuro sem a sujeição ao ego; pratique quanto bem puder, que o ego continua ali, firme, agindo. No entanto, conheça a verdade e estará libertado definitivamente. Como diz o roshi: “vc pode roubar o pão da boca do faminto, que nenhum dano sofrerá”.


Até logo mais,

NÃO NOS ILUDAMOS COM PALAVRAS BONITAS

Amigos, como gostamos de ouvir ou ler palavras como essas que nos enchem de esperanças, reconfortam ante os problemas do dia-a-dia da vida, trazem tranqüilidade; no entanto, não percebemos que apenas são belas e, de modo algum, nos suavizam os dias.

Pois vejam: "Não menosprezes a força interior que Deus te conferiu como dom natural”. Como devemos fazer para atender este conselho? E o q devemos fazer para crer e confiar que essa força interior está em nós apenas a espera q a utilizemos? Como fazer isso? Basta q pensemos, ou imaginemos, q essa força nos foi conferida por Deus e que está ao nosso dispor? Basta crer que as podemos utilizar para o bem? Basta isso?

Texto:

“Essas energias superiores estão em ti, basta somente que as liberte prezar e um fluxo energético te guiará melhor ante tua própria existência”.

Cel: Palavras belas e q tentam levar a acreditar q sua aplicação é simples, q não exige nenhum esforço: “basta que as libertes e um fluxo energético te guiará melhor em tua existência”, diz o texto. Contudo, como “libertar” tais forças para q as apliquemos para o bem nosso ou de outrem? O texto nada diz a respeito!

Texto:

“O acontecimento não é o que ocorreu, mas sim o que fazes com aquilo que ocorreu. Podes tornar pior ou suavizar tuas tribulações pelo jeito com que reages a elas”.

Cel: as palavras deste último parágrafo estão certíssimas, mas continuam não nos ensinando como devemos obrar, como usar essa força interior para suavizar as tribulações de nossa vida; tb não ensina como fazer para “reagir frente às tribulações para q não nos afetem tanto”. Diz somente que o jeito com q reagimos a elas poderá tornar nossa vida mais suave. Como se compreender isso? Porque o texto não é claro de modo que seja compreendido por todos? Porque, pelo que parece, guarda os esclarecimentos necessários, nas entre-linhas?

Texto:

“Tua dor será sanada. Teu conflito, extirpado.

Tua ansiedade, apaziguada. Tuas buscas sempre encontrarão porto feliz. Usa abundantemente tua luz interior e terás maior lucidez e discernimento em tua casa mental. As soluções fluirão mais fáceis, se te integrares nesta força íntima que habitam em ti,

pois és herdeiro de Deus”.

Cel: aqui está a comprovação exata do que coloquei acima: trazem esperanças, nos acalentam a existência, como a mãe q cantarola, suavemente, embalando o filhinho nos braços para que ele se esqueça do mal-estar q está sentindo. Apenas isso. Diz q devemos fazer isto e aquilo, confiar, crer, e que, então, nossos problemas serão minorados ou mesmo solucionados, concordam? E termina, novamente nos dando esperanças de dias melhores, pois “somos herdeiros de Deus”.

Com toda sinceridade, amigos, não compreendo como muitos se satisfazem com textos semelhantes, inspiradores, mas vazios de conteúdo significativo. Afirmam que isto e aquilo, coisas poderosas e sábias estão dentro de nós, mas não nos ensinam onde está a chave para trazê-las para nossa vida.

É preciso colocar estas coisas q eu disse, ou muitos permanecerão na ilusão de que nada necessitam fazer para suavizar a vida mas, ao mesmo tempo, nada conseguem fazer quando as tribulações vêm, pois não lhes foi mostrado como usar a força q está em nosso interior.

Que o autor desse texto e tantos outros q escrevem poemas, belas histórias e textos inspiradores, não fiquem apenas nos trazendo esperanças; mostrem o que se deve fazer e como.

Fiquem em Deus.

CARTA A UM AMIGO - 20/05/2011

Amigo, cito voce:

“.. como o próprio amigo nos fala para substituir a palavra 'Deus', 'mundo' por vida e experiências.... dificilmente 'Deus' e 'mundo' terão os significados iguais como o amigo diz!”.

Cel: amigo, lembre-se que as palavras são apenas símbolos da coisa que representam, conforme os homens convencionaram; as palavras não são a coisa. Peço-lhe, então que não substitua a palavra Deus por nenhuma outra; esqueça-a e corrija: onde está Deus escreva: o eterno fluir da vida, o conjunto de todos fenômenos, a poderosa força que faz tudo acontecer desde a semente se tornar árvore, o sêmen se tornar ser independente do organismo materno, a força/energia que cria tsunamis, que move o universo e até confundimos com o caminhar do tempo, levando tudo do passado para o futuro. Há, como o amigo deve saber, muitas coisas “do espírito” difíceis ou impossíveis de serem expressadas pela linguagem dos homens; há muita coisa que não pode ser comunicada, não por ser proibida ou “oculta”, mas porque nossos idiomas não têm condições de expressar. Lembre-se de Paulo que no terceiro ou quinto céu (??) viu e ouviu coisas “inefáveis” e do Buda, quando o inquiriam acerca da “máxima experiência”: “Essas perguntas são irrelevantes; venha e veja por si mesmo”. Muitos aconselharam a mesma coisa; como é difícil comunicar e se fazer compreender, dizem: “Procure ter sua própria experiência!”.

Cito o amigo:

“Muitas pessoas conhecem o mundo apenas através de convenções e conceitos, e infelizmente, ao longo de sua vida tem entedimentos diversos sobre 'Deus' e 'mundo'. Quando vamos dar uma explanação sobre um determinado tema, devemos tomar cuidado para não confundir a mente das pessoas, que muitas vezes, já é confusa”.

Cel: concordo com o amigo, é verdade; contudo, o Buda também se expressou usando concepções intrigantes, que muitos não entenderam e não entendem ainda; Jesus e Paulo e outros mestres e até a própria ciência de hoje. muitas vezes não são compreendidos em muitos aspectos; por isso, Jesus disse: “Quem puder compreender, compreenda!’, e também o Zen: “Se compreendemos, as coisas são como são; se não compreendemos, as coisas são como são!”

Amigo:

“O amigo fala, aparentemente, com autoridade que o universo e as forças que impulsionam o todo são a realidade última, mas com base em que?”

Cel: não amigo, eu não disse isso: a realidade última é aquilo a que damos o nome de Deus, a Consciencia Una, Universal, o início e o fim de tudo, a Mente de onde tudo vem e para onde tudo vai, como dizem as escrituras o Alpha e o Ômega; e, dentro desse conceito de “tudo”, aí estão as forças, o universo, os seres do universo, você e eu, e o que mais que seja manifestado ou não manifestado.

Amigo:

‘O pensamento de que pode haver algo além do universo e as forças que impulsionam o todo, já surgiu na mente do amigo?”

Cel: se o amigo se refere a algo além do universo material, é evidente que sim; o que existir “dentro” ou “fora” do universo (ou “universos”, como dizem hoje), além ou acima, não no sentido espacial, mas em qualquer sentido que seja, tudo está no domínio do Todo Absoluto, isto é, “é” o Todo Absoluto.

Amigo:

“A respeito do karma, me refiro a não dar valor a atual existência, achando que a vida é negativa e fonte de sofrimento. Isso é bastante relativo e não é tão simples assim”.

Cel: amigo, essa questão de vida “negativa”, o que significa? Negativa em que aspectos? Se no aspecto do sofrimento, de ser fonte do sofrimento, ninguém pode fugir dessa verdade. O que tentou o Buda ensinar; senão a libertar-se da doença do mundo, o sofrimento? Tanto que quando lhe perguntavam o que era a iluminação, respondia: “É o fim de todo sofrimento”. O que disse Jesus: “... a verdade vos libertará”, e assim por diante. Observe que para “todas” as religiões ocidentais e, talvez, para as demais, o que mais existe no mundo é o sofrimento. Daí a busca de escapar da vida e se chegar a um futuro ou condição de felicidade duradoura. Essa é a luta de todos, sem exceção: ir para além do sofrimento e chegar ao seu oposto exato, que é a felicidade. Tudo que o homem, do mais puro e sem mácula, ao mais pervertido e perverso que seja, faz no sentido do bem ou no sentido do mal, tem exatamente a finalidade de ser mais feliz ou menos infeliz. Concorda?

Um abraço.