quarta-feira, 26 de dezembro de 2012


      Amigos, para ler e refletir; há muito mais do q isso, inclusive na ciência moderna.

      ILUMINAÇÃO (Tentativas de explicar e testemunhos).                                 

      Para que alguém possa ingressar na Consciência Cósmica precisa pertencer à camada superior do mundo da autoconsciência. Não que precise ter inteligência extraordinária (isso tem sido muito valorizado no pensamento de todos, mas não é verdade), embora não deva ser deficiente nesse aspecto.

      Richard Maurice Bucke, psiquiatra canadense, que passou pela experiência, tenta explicar a iluminação (“Consciência Cósmica”):
‘Ela está além das palavras e símbolos (Paulo: ‘vi e ouvi coisas indizíveis’);
      a) a pessoa, de repente, sem aviso, tem a sensação de estar mergulhada numa chama ou nuvem cor de rosa ou avermelhada, ou de que sua mente está preenchida por essa nuvem;
b) no mesmo instante, se vê banhada por uma emoção de alegria, confiança, triunfo, salvação (esta palavra não representa exatamente o que significa a coisa, mas é a convicção de que a salvação não é necessária, pois o esquema do universo já é nesse sentido. É um êxtase muito além de tudo imaginado. Isso foi relatado em todos os tempos por aqueles que passaram por ele. Assim, Gautama (o Buda), em seus discursos, preservados pelos Sutras; Jesus (o Cristo), em seus sermões e parábolas; Paulo, nas Epistolas; Dante, no Purgatório e no Paraíso; Shakespeare, nos Sonetos; Balzac, em Serafita; Whitman, em Folhas da Relva; Eduard Carpenter, em Rumo à Democracia; Pascal, em seu Amuleto Místico e muitos outros mais);
c) simultaneamente, recebe uma iluminação intelectual impossível de ser descrita. Como um raio apresenta-se à sua consciência uma concepção clara que lhe dá o significado e direção do universo. A pessoa não passa simplesmente a crer, mas vê e sabe que o cosmos não é matéria morta, mas presença viva. Que os seres sencientes são partículas de morte relativa num oceano infinito de vida. Vê que a vida do homem é eterna; que a alma do homem é tão imortal quanto Deus. Que o universo é construído e ordenado de tal forma que, sem sombra de dúvida, todas as coisas funcionam juntas para o bem de todos; que o principio criador do mundo é o que chamamos amor e que a felicidade de todos é absolutamente certa. A pessoa conhecerá, em alguns instantes de duração dessa experiência, mais do que poderia conhecer em muitos anos com os melhores mestres. Aprenderá o que nenhum estudo jamais ensinou nem poderia ensinar. Obtém, sobretudo, uma concepção da totalidade (do Todo, da unicidade) que excede a qualquer outra concepção, imaginação ou especulação. Tal concepção torna velhas, insignificantes e até ridículas todas as tentativas anteriores de apreender o significado do universo e seu sentido. Os mistérios maiores não lhe são revelados: ele os contempla. Vê a origem de todos eles, de todos os contrastes e princípios discordantes, de toda dureza e suavidade, severidade e brandura, doçura e amargor, amor e sofrimento, bem e ‘mal’, céu e inferno. Junto com essa elevação moral e iluminação intelectual surge uma consciência de imortalidade. É muito mais do q uma convicção, é muito mais simples e elementar; é uma certeza absoluta e total de que sempre foi assim. O medo da morte, que faz sofrer a todos, cai como um manto velho, não como resultado do raciocínio, mas simplesmente desaparece. O mesmo acontece com a noção de pecado; não que a pessoa agora escape do pecado, mas ela deixa de ver no mundo qualquer pecado do qual deva escapar. Essa iluminação é como deslumbrante relâmpago numa noite escura que ilumina tudo que se acha oculto à mente; é a visão total. Mesmo a aparência da pessoa pode se tornar semelhante à de quem está sob intensa alegria (Moisés, Jesus, Francisco de Assis, Whitman...). Há uma gigantesca ampliação da consciência e das faculdades intelectuais independentemente de qualquer processo de aprendizado. O individuo percebe que absolutamente não é um individuo ou um ‘eu’ separado, uma consciência separada das demais e do mundo (q tudo é Um). Adquire, instantaneamente, uma capacidade infinitamente maior de conhecimento e de iniciativa para praticar qualquer ação (sabedoria). Sabe que o universo está construído para a felicidade de todos; que a existência continua para além do que chamamos morte.
      Resumindo: ‘1) luz subjetiva; 2) elevação moral; 3) iluminação intelectual; 4) consciência de imortalidade; 5) perda do medo da morte; 6) perda da noção de pecado; 7) desponta subitamente; 8) o fascínio adquirido pela personalidade que faz com que os demais se sintam atraídos por ela; 9) a aparência de ‘transfiguração’, muitas vezes percebida pelos outros; 10) com tudo isso vem uma certeza esmagadora de que o universo, exatamente como sempre foi e como é neste momento, é tão completamente correto e perfeito que não necessita de qualquer explicação ou justificativas além da de que ele simplesmente é. A existência não apenas deixa de ser um problema; a mente fica tão maravilhada diante de tudo, das coisas e fatos, incluindo até aquilo que, comumente, seria considerado ‘o pior’, que não consegue encontrar palavras para expressar a perfeição e a beleza da experiência. Vem-lhe a impressão de que o mundo se tornou luminoso e transparente, enquanto sua simplicidade dá a impressão de que tudo é ordenado por uma inteligência suprema. É comum perceber que todo o mundo se tornou seu próprio corpo e que o indivíduo sente que aquilo que ele é, não apenas se tornou assim com a experiência, mas que sempre foi aquilo que tudo o mais é. Percebe que a existência individual é apenas um ponto de vista adotado por ‘alguma coisa’ desmedidamente maior do que ele mesmo. O cerne da experiência parece ser a convicção ou compreensão de que o ‘agora’ imediato, seja qual for sua natureza, é a meta e a realização de todo o viver. Êxtase emocional, sensação de profundo alivio, liberdade e leveza e, com freqüência, um amor quase insuportável pelo mundo, fluem dessa percepção. E a compreensão disso tudo nunca se apaga’.

      William James, um dos maiores psicólogos da América: ‘O próprio céu pareceu se abrir e lançar raios de luz e glória. Não apenas por um momento, mas durante todo o dia e toda a noite, torrentes de luz e gloria pareciam me inundar a alma e, oh!, como fui transformado, e tudo se tornou novo. Todas as coisas me pareciam diferentes, mas eram as mesmas coisas de sempre.
      Voltei para a sala e ia me sentar quando a visão mudou. Abriu-se uma grande clareira e o chão parecia ceder... Olhei em derredor, para cima e para baixo, e todo o universo com seus múltiplos objetos percebidos pelos sentidos, parecia agora bastante diferente; o que era antes abominável ou detestável, juntamente com a ignorância e as paixões, agora nada mais era do que o fluxo de minha própria natureza profunda, que em si mesma continuava a ser brilhante, verdadeira e transparente’.

      Richard Maurice Bucke (complementando): ‘De súbito, sem qualquer aviso, vi-me envolvido por uma nuvem rubra. Por um instante pensei em fogo, um grande incêndio na grande cidade. Em seguida, conheci que o fogo estava dentro de mim. Logo depois me senti exultante, uma alegria imensa, acompanhada de uma iluminação intelectual impossível de descrever. Entre outras coisas, não passei apenas a acreditar, mas vi que o universo não é uma coisa morta, porém, ao contrário, é uma presença viva; tomei consciência da vida eterna em mim mesmo. Não era uma convicção de que eu teria a vida eterna, mas a convicção de que sempre tive vida eterna. Vi que todos os homens são imortais; que a ordem cósmica é tamanha que, sem sombra de dúvida, todas as coisas funcionam juntas para o bem de tudo e de todos; que o principio do mundo e de todos os mundos é o que chamamos amor e que a felicidade de todos é absolutamente certa’.

      ‘Se você compreende, as coisas são como são; Se você não compreende, as coisas são como são’ (do Zen). (Jesus: ‘Quem puder compreender, compreenda! ’, Buda: ‘Não pergunte nada! Venha e tenha sua própria experiência! ’).

      ‘O homem é infeliz porq não sabe que é feliz. Apenas isso. Isso é tudo, isso é tudo! Se alguém descobre que será completamente feliz imediatamente, ou em curto tempo, nesse mesmo instante ele deixaria de ser infeliz. Está tudo bem. Eu descobri isso repentinamente. Me perguntaram ‘e se alguém morre de fome, e se alguém insulta e maltrata um inocente, uma criança, está tudo bem?’ ‘Sim! E se alguém estoura os miolos por causa da namorada, esta tudo bem. E se alguém não faz isso, também está tudo bem. Tudo está bem, tudo! Esta bem para todos que sabem que está tudo bem. Se eles soubessem que está bem para eles, seria bom para eles mas, enquanto não sabem que são bons, estará mal para eles. Esta é a verdade, toda a verdade. Eles são maus porque não sabem que são bons. Quando perceberem que são bons, não mais maltratarão uma menininha. Descobrirão que são bons e eles se tornarão bons, todos eles’ (John White).

      Allan W. Watts: ‘Certa noite, logo que comecei a estudar as filosofias hindu e chinesa, eu estava sentado junto à lareira, tentando compreende qual seria a atitude mental correta na meditação daquelas escolas. Diversas atitudes afiguravam-se possíveis mas, como pareciam contraditórias, eu tentava sintetizá-las numa só – em vão. Por fim, totalmente insatisfeito, decidi rejeitá-las todas e não assumir uma atitude especifica. No impulso de abandoná-las parece que eu também me abandonei pois, de súbito, o peso do meu corpo desapareceu. Senti que eu nada possuía, nem mesmo uma personalidade, e que também nada me possuía. O mundo inteiro tornou-se tão transparente e livre quanto minha própria mente; o ‘problema que a vida é’ simplesmente deixou de existir. E durante cerca de dezoito horas eu e tudo à minha volta éramos como o vento soprando as folhas de um campo num dia fresco de outono’.
      ‘Outra vez, eu andava tentando praticar a consciência constante do presente imediato (do aqui-agora), diferente das divagações, lembranças e expectativas habituais, quando alguém, certa noite, observou: ‘Mas porque tentar viver no presente? Não estamos sempre exatamente no presente mesmo quando estamos pensando no passado ou no futuro?’ Essa observação, na verdade bastante óbvia, me produziu novamente a sensação repentina de não ter peso. Ao mesmo tempo, o presente pareceu tornar-se uma espécie de quietude em movimento, um fluxo eterno do qual nem eu nem nada podia se desviar. Vi que tudo, exatamente como é agora, é Isto – é toda a razão de existir a vida e o universo. Percebi que, ao afirmarem ‘Tu és Isto!’ ou ‘Todo este mundo é Brahaman’, os Upanishades estavam querendo dizer exatamente o que disseram. Cada coisa, cada fato, cada experiência, em seu inevitável agora e com toda sua individualidade particular, é precisamente o que deve ser, a ponto de adquirir uma autoridade e uma originalidade divinas. Percebi com a mais plena clareza que nada disso dependia do fato de, agora, eu estar vendo assim. É o modo como as coisas são, quer eu compreenda ou não. ‘Isso também é Isto’. Senti que agora eu entendia o que o cristianismo queria dizer com ‘Deus é amor’, isto é, que não obstante a ‘imperfeição’ das coisas, ainda assim Deus as amava exatamente como elas eram, e que esse amor equivalia a divinizá-las. Dessa vez a sensação de leveza e claridade durou toda uma semana’.

      Eckhart, místico cristão: ‘Quanto mais Deus está em todas as coisas, tanto mais está fora delas. Quanto mais Deus está fora, tanto mais está dentro’.

      William Law: ‘Embora Deus esteja presente em toda parte, ele só está presente para ti na região mais profunda de tua alma. Os sentidos naturais não podem possuir Deus, nem unir-te a ele: na verdade as faculdades intrínsecas de compreensão, raciocínio, imaginação, memória e vontade só podem procurar alcançar Deus, mas não podem ser o local de sua morada em ti e nem encontrá-lo. Existe, porém, em ti uma profundeza de onde emanam todas essas faculdades, como raios que partem do centro de tua alma. Essa profundeza é a unidade, a eternidade, a infinidade. Pois ela é tão infinita que nada pode satisfazê-la ou dar-lhe descanso senão a infinidade de Deus’.

      Plotino: ‘Cada ser contém em si mesmo todo o universo. Portanto, Tudo está em toda parte. Cada um é Tudo e Tudo é cada um’.
‘A natureza da Realidade deve ser conhecida pela nossa percepção clara; não pode ser conhecida por mais ninguém, seja um sábio ou um mestre’. 

      A libertação só pode ser alcançada pela percepção da identidade do espírito individual com o Espírito Universal (‘Eu e o Pai somos um’). Por mais nada. Nem pela pratica de cerimônias religiosas, nem por associar-se a qualquer religião (Krishnamurti: ‘Os cerimoniais e as religiões impedem o acesso à Verdade’).
      Não se cura a doença pela repetição do nome do medicamento, mas tomando o medicamento. Assim, não se atinge a libertação repetindo a palavra Brahaman, mas vivenciando Brahaman diretamente.
     
      Não tem nome nem forma, transcende mérito e demérito, bem e mal, saúde e doença; está alem do tempo, do espaço e dos objetos de nossa experiência. Supremo e indizível ainda assim Brahman pode ser apreendido pelo olho que ‘vê’. Assim é Brahman e ‘tu és Isto’. Medita nessa verdade dentro de tua consciência’.

      ‘A nossa ignorância é a causa de nossa identificação com o corpo, o ego, os sentidos, a memória etc., com tudo que não é Atman. É sábio o homem que supera essa ignorância pela devoção ao Atman. Os que raciocinam em vão, sem compreender a verdade, estão perdidos na selva das ilusões, correndo a esmo na tentativa de justificar sua opinião sobre a substância do ego’.

      ‘Em nossa natureza mais íntima, que não é a esfera dos que se entregam ao raciocino, está a pureza de Buda. Pura em sua natureza e livre da categoria do finito e infinito, a mente universal é Buda (Deus), imaculado e erroneamente percebido pelos seres sencientes’.
      ‘Meu ser está em união com Buda. E ele está além do louvor e da censura. Como o espaço, ele não tem limites e está aqui mesmo dentro de nós, mantendo para sempre sua plenitude e infinidade. Só quando o buscas é que o perdes. Não podes possuí-lo, mas tampouco podes livrar-te dele. E, enquanto nada possas fazer, ele segue seu próprio caminho. Se falas ele permanece mudo; se guardas silencio ele fala (meditação). O grande portal da Luz está sempre inteiramente aberto, sem nenhum obstáculo à frente; o único obstáculo és tu mesmo (o ‘eu/ego/mente individual ou local’), que não emudeces’. (Yung-Chin).

      ‘Contempla só Uma em todas as coisas; a segunda é que te extravia’ (Kabir).

      A doença da humanidade é ver dois onde só há um.

      ‘O meu eu é Deus e não reconheço outro Eu senão meu Deus’ (Santa Catarina de Gênova).

      ‘Se a alma difere de Deus, a alma difere de si mesma’ (São Bernardo).

      ‘Para compreender a alma temos que compreendê-la como Deus, pois o fundamento (a essência) de Deus e o fundamento (a essência) da alma são uma só coisa’ (Eckhart, místico cristão).

      ‘O conhecedor, o conhecido e o conhecimento são uma coisa só. As pessoas simples imaginam que Deus está lá e elas aqui. Não é assim. Deus e eu somos um só no conhecimento’ (Eckhart, místico cristão).

      ‘Eu vivo, mas não sou eu quem vive; é o Cristo que vive em mim’. (Paulo).

      ‘O bem não precisa adentrar a alma, pois já se encontra lá, embora não percebido por nós’. (Teologia alemã).

      ‘Quando vemos todas as coisas em sua unicidade, voltamos à origem e permanecemos onde sempre estivemos’ (Sen T’Sen).

      ‘Por não saber quem somos, pois não temos consciência de que Deus está dentro de nós, procedemos de maneiras geralmente tolas, insensatas e até criminosas, e tão caracteristicamente humanas. Somos salvos e libertados ao perceber o Deus, (‘Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará’) ate então despercebido, que já existe dentro de nós, e retornamos ao nosso fundamento eterno e vemos que permanecemos onde sempre estivemos sem o saber’.

      ‘Existe em nossa alma algo que é mais glorioso, acima de tudo, disso e daquilo, do céu e da terra. Ele é livre de todos os nomes e vazio de todas as formas. É uno e simples, e nenhum homem, por mais sábio que seja, pode contemplá-lo’ (John White).

      ‘O desconhecimento de Deus é o cativeiro; o conhecimento de Deus é a liberdade e a sabedoria’ (Evelyn Underhill). (‘A verdade vos libertará’).

      ‘Queres que te mostre o que é Deus? Não acha paz aquele que de Deus está apartado’ (Santa Catarina de Gênova).

      ‘Quando o amor de Deus toca a alma, ele a encontra cheia de vícios e pecados; de início ele dá a ela um instinto de virtude para incentivá-la à perfeição; depois, infundindo-lhe graça, a leva à verdadeira auto-anulação (esquecimento do ego) e, finalmente, à real transformação. Deus conduz a alma ao longo do caminho (Paulo: ‘É o Senhor que opera em nós o pensar, o querer e o fazer’). Todavia, quando a alma chega ao nada e é transformada, ela não trabalha, nem fala, nem deseja, nem sente, nem ouve, nem compreende, nem tampouco nutre o sentimento do dentro e do fora, onde pode se movimentar. Então, em todas as coisas, é Deus que a governa e a conduz sem a mediação de nenhuma outra criatura. E o estado dessa alma é então um sentimento de paz e tranqüilidade tão ilimitado que seu coração e seu ser corpóreo, e tudo o que está dentro e fora, lhe parecem imersos num oceano de serenidade, de onde ela jamais sairia para o que quer que pudesse lhe acontecer na vida. E ela permanece imóvel, imperturbável, impassível a tal ponto que lhe parece nada mais poder sentir além daquela mais doce paz’ (Santa Catarina).

      ‘Quem sou eu?’ é a eterna pergunta do homem. Essa busca de autocompreensão, do significado último da personalidade, vem sendo respondida ao longo da história de várias maneiras, todas apontando para uma experiência na qual o buscador e o objeto de sua busca se fundem na percepção: ‘Eu sou Deus; não existe outro’ (Meher Baba). (‘Sujeito e objeto são um’).

      ‘Você é a eterna condição subjacente a todas as condições, que jamais nasceu e jamais morrerá, e de onde provém toda a criação. A essência de toda a criação, Deus, está exatamente dentro de você, de todos nós, quanto está dentro de tudo o mais’ (Baba).

      ‘Não que você esteja exatamente dentro do cosmos – o cosmos é que está exatamente dentro de você’ (Baba).

      ‘A busca é provocada pela ânsia de felicidade do homem e de sua procura de um meio de escapar da armadilha que é a vida.
Não é sua culpa se ele supõe que a solução para a sua profunda insatisfação reside numa vida sensual ou nas realizações profissionais ou do mundo social, ou ainda em uma vida de experiências excitantes. Tampouco é culpa sua se a vida, em geral, não é bastante longa para ensinar-lhe, concretamente, que ele encontraria uma desilusão ainda maior e mais profunda se esses objetivos fossem satisfeitos por completo.
O homem é impelido a essa busca pela desilusão (desencanto) com as coisas mundanas que o fascinam e das quais não consegue afastar o pensamento. Empenha-se o quanto pode em alcançar os prazeres dos sentidos e em evitar todos os tipos de sofrimento.
      Mas, enquanto ele atravessa dias, meses e anos das mais variadas experiências, surge, com freqüência, uma ocasião em que ele começa a questionar: ‘Qual a finalidade de tudo isso?’ E, incapaz de se contentar com as coisas transitórias da vida, questionando, ele se torna totalmente cético em relação aos valores habituais que até então aceitava sem hesitação.
E, nesse desespero, o homem toma a decisão de descobrir e compreender o propósito da vida. É então que ele principia a verdadeira busca, a busca dos prazeres duradouros (Baba).

      ‘Aqui está você, sentado nesta sala, me ouvindo e pensando que sua presença aqui é real. Mas eu lhe garanto, você está apenas sonhando. Suponha que esta noite você sonhe que está sentado aqui e, no sonho, alguém lhe diga que você está apenas sonhando. Você retrucará: ‘Não estou sonhando; estou realmente tendo a experiência de estar sentado aqui, ouvindo a palestra de Baba com todas as pessoas que me cercam!’ Mas, pela manhã você acorda e vê, então, que tudo foi um sonho. Pois, lhe afirmo, um dia também você ‘acordará’ e terá certeza de que tudo o que você sempre fez não passou de um sonho. Eu sou Deus, assim como cada um de vocês também é Deus. Mas, enquanto eu já acordei, vocês continuam ainda dormindo e enredados em seus sonhos. Despertar do sonho da separatividade e da limitação auto-imposta é o caminho místico, da libertação, do encontro com Deus’. (Baba).

      ‘Existe uma só pergunta: ‘Quem sou eu?’ e, para essa pergunta só existe uma resposta: ‘Eu sou Deus!’ E quando você conhecer a resposta a essa pergunta, não há mais nada a perguntar (‘...a verdade vos libertará’). O problema é que as pessoas não sabem quem realmente são. Você é o infinito, você está de fato em toda parte; mas você acha que é o corpo, os sentidos, a memória e, por isso, se acha limitado. Se você olhar para dentro de seu íntimo e vivenciar sua própria alma em sua verdadeira natureza, você  perceberá que é infinito e eterno e que está além de toda criação’ (Baba).

‘Finda a busca, todas as dificuldades são ofuscadas pela recompensa final. Os grilhões da individualidade limitada se rompem; o mundo das sombras (ignorância) chega ao fim; o véu da ilusão (ego) é removido para sempre. A agitação e a angústia torturante das buscas da consciência limitada (do ego) são substituídas pela tranqüilidade e beatitude da consciência ilimitada da Verdade. A inquietação, o frenesi e o sofrimento da existência mundana são tragados pela paz da bem-aventurança e da eternidade’ (Baba) (Buda: ‘A iluminação é o fim de todo sofrimento’).

      ‘A experiência espiritual (mística) vai muito além do q pode ser apreendido pelo intelecto, imaginação, raciocínio, pensamento. O misticismo costuma ser considerado como algo antiintelectual, obscuro e confuso e até patologia ou impraticável e sem relação com a experiência, mas, na verdade, nada tem a ver com essas idéias. Nada existe de irracional no misticismo verdadeiro, quando ele é como deve ser: uma visão ou comunhão com a Realidade. É uma visão absolutamente clara, e tão prática que pode ser vivida em cada momento da vida e expressar-se em todas as tarefas do dia-a-dia. Ele é a compreensão final de todas as experiências’ (Baba).

      ‘Para a busca não é necessário ter um mapa completo do caminho para iniciar a viagem. Ao contrário, a insistência em ter esse conhecimento completo pode dificultar em vez de facilitar o caminho. Os segredos mais escondidos são revelados àqueles que correm riscos e fazem experiências ousadas com ele. Não se destinam ao ocioso que busca garantias a cada passo. Quem especula, na praia, sobre o oceano conhece apenas sua superfície, mas quem deseja conhecer suas profundezas precisa estar disposto a mergulhar nele’ (Baba).
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      ILUMINAÇÃO 2 – Outros testemunhos

      Sri Aurobindo: Foi caminhando no pátio da prisão onde, por ter sido, por engano, confundido com um terrorista, esteve por certo tempo, que ele sentiu uma mudança de consciência: ‘Contemplei a prisão que me separava dos homens, e já não estava aprisionado por seus altos muros: era Vasudeva (Deus) que me cercava. Caminhei sob os ramos da árvore diante de minha cela, mas ela já não era mais a árvore. Eu sabia que era Krishna (Deus) que eu via ali, estendendo-me sua sombra. Olhei para a grade de minha cela e novamente vi que a grade era Deus. Era Deus que me guardava na figura da sentinela. Deitei sobre os cobertores ordinários q me serviam de cama e senti que me aconchegava nos braços de Deus. Olhei para os prisioneiros, os assassinos de todas as espécies e vi que era Deus que eu encontrava naquelas almas entristecidas e naqueles corpos maltratados. Quando fui a julgamento, com cerca de 200 testemunhas, já não via a turba hostil nem os juízes, mas eu não os via senão como Vasudeva, risonho. Tudo era Deus, que se tornou o próprio mundo.
Assim dizem os Upanishades: ‘Ele está em todas as coisas e comanda todos os atos (Paulo: ‘É o Senhor q opera em nós o pensar, o querer e o fazer’). Ele se tornou conhecimento e ignorância, verdade e falsidade, bem e mal. Ele se tornou tudo que existe. Para o olho que ‘vê’, tudo é Um, tudo é Vasudeva’.

      ‘Este mundo em que vivemos é um mundo de luta e labor, um mundo feroz, perigoso, destrutivo, devorador, no qual, a cada passo, queiramos ou não, algo é esmagado e destruído; no qual cada sopro de vida é também um sopro de morte. Colocar a responsabilidade de tudo que nos parece mau ou terrível nos ombros de um demônio semi-impotente, ou deixá-la de lado, como sendo parte da natureza, criando uma oposição intransponível entre a natureza do mundo e a natureza de Deus, como se a natureza fosse independente de Deus, ou ainda lançar a responsabilidade sobre os homens e seus pecados, como se o homem tivesse voz ativa na criação deste mundo ou pudesse criar algo contra a vontade de Deus, tudo isso constitui estratagemas, artifícios cômodos... Erigimos, criamos, imaginamos um Deus de amor e misericórdia, justo, probo e virtuoso de acordo com as nossas concepções morais de justiça, virtude e retidão e, a todo o resto dizemos ‘Não é Ele’ ou ‘Não é dele’, ‘não foi Deus quem fez isso’ etc., mas que foi criado por um ser diabólico a quem, por um motivo qualquer, Ele permite cumprir sua vontade perversa e funesta; ou então foi culpa do homem egoísta e pecador, que estragou, pelo mau uso de seu livre-arbítrio, aquilo que foi criado originalmente perfeito. Temos de encarar corajosamente a realidade e perceber que foi Deus, e ninguém mais, que criou este mundo em seu próprio ser (Paulo: ‘Em Deus vivemos e respiramos; Ele está acima e abaixo, à frente e atrás, à direita e à esquerda, fora e dentro de nós’) e o fez como ele é. Temos que ver que a Natureza devorando seus filhos, o Tempo consumindo as vidas das criaturas, a Morte universal e inelutável e as violências no homem e na natureza são também o supremo Ser Divino em uma de suas representações cósmicas. Temos também de perceber que o Deus generoso, amoroso, o criador e conservador prestimoso, forte e benévolo é também o Deus devorador e destruidor. O sofrimento, a dor e o mal com que somos torturados é também seu toque tanto quanto a felicidade, a suavidade e o prazer. Só quando vemos com a visão de completa união e sentimos essa verdade no âmago de nosso ser é que podemos descobrir totalmente, por trás dessa máscara, o rosto sereno e formoso da Divindade bem-aventurada. 
      As discórdias do mundo são as discórdias de Deus, são a vontade de Deus, e só aceitando-as e superando-as podemos ascender à concórdia maior de sua suprema harmonia, à vastidão, à imensidade transcendente. Porque a Verdade é o alicerce da verdadeira espiritualidade e coragem da alma’ (Aurobindo).

      ‘Tu és Ele’, eis a verdade eterna. ‘Tu és Isto’, ‘Eu sou Aquilo’, ‘Eu sou Ele’, ‘Não conheço nenhum Deus senão meu próprio Eu’, ‘Conhece-te a ti mesmo e serás Deus’, eis as verdades que todos os antigos mistérios ensinavam e que, as religiões q vieram depois, se esqueceram de ensinar. Assim, também, ‘Eu e o Pai somos Um’.

      Jesus, o Cristo, também disse ‘Este é meu corpo e este é meu sangue’ escolhendo esses dois símbolos mais materiais, mais triviais e terrenos do pão e do vinho para comunicar a idéia de que tudo é um corpo só, o corpo do divino? (Aurobindo).

      ‘Quando Isto é conhecido, Tudo é conhecido’ (Upanishades).

      Roger N. Walsh: ‘O grande psicólogo Gordon Alportt lamentava-se: ‘Nada temos na psicologia acerca da libertação’. Ele lastimava o fato de a psicologia clinica e a psiquiatria ocidentais serem essencialmente voltadas para a patologia e terem poucos conhecimentos da saúde psicológica e, muito menos, da ‘iluminação’. Esses temas são bastante mal compreendidos. Muitos profissionais da saúde mental ainda consideram fenômenos como a maturação psicológica além das normas culturais, as experiências místicas e a iluminação como lendas na melhor das hipóteses, e patológicas, na pior ‘regressão psicológica no caso mais extremo, como descreve um conhecido tratado de psicologia.

      ‘Prazer e dor, louvor e censura, fama e vergonha, perda e ganho, mal e bem, são a mesma coisa. Assim eu e você’ (Buda).

      ‘Todos os Budas e todos os seres sencientes nada mais são do que Mente Universal. Acima e abaixo, fora e dentro de você, tudo existe espontaneamente, pois nada existe fora da Mente Buda’ (Zen).

      ‘Vê esse sereno homem do Tão, que abandona o aprendizado e não se empenha? Ele nem evita falsos pensamentos, nem busca a verdade, pois, na verdade, o ‘desconhecimento’ é a natureza búdica, e este corpo ilusório e mutável é o corpo da Verdade’ (Zen).

      O poeta americano Walt Whitman é um daqueles que tiveram vislumbres dessa experiência, daquilo que chamamos iluminação ou consciência cósmica. Ele, como outros que tiveram a mesma experiência, afirmou que ninguém conhece a verdade pelo fato de freqüentar templos e cultos, nem por ouvir sermões que emocionam, nem por pedir aos céus, ou por orar; nem por promessas ou por praticar as virtudes pregadas pelas diferentes igrejas e crenças, ou por sacrifícios.
     Como os místicos e os iluminados, ele afirma que, somente na solidão, no silêncio do “eu”, na perseverança da busca, é que nós podemos encontrar aquilo que é sagrado. E, depois disso, vamos perceber que sermões, escrituras, sacrifícios, rituais, cultos, orações, promessas, isto é, exterioridades, não têm qualquer valor; desaparecem como fumaça.
      E afirmou, também, que: “Enquanto estamos na escuridão, não compreendemos as escrituras; quando chegamos à luz, elas não são mais necessárias”.

      Pascal, conhecido matemático, cientista e escritor francês:
     A partir de certo dia, ele se afastou da sociedade e se tornou recluso em sua própria casa (como Jesus, nas chamadas tentações, no deserto; Paulo, que foi viver entre tecelões, depois de sua visão na estrada de Damasco, e outros que, depois da experiência, se retiraram para, na solidão, tentar compreender o que lhes havia ocorrido).
     Depois de certo tempo, Pascal recomeçou a escrever, mas suas obras, agora, tinham um caráter mais elevado, diferente das anteriores. Sua compreensão de vida e de mundo tinha se modificado de maneira drástica. Quando morreu, um criado encontrou, costurado com cuidado dentro da bainha de seu gibão (túnica), um pergaminho onde estavam escritas as seguintes palavras:
     “Ano da graça de 1654, segunda-feira, 23 de novembro... desde cerca das dez e meia da noite até meia-noite e meia... FOGO, FOGO... transfiguração... Deus de Abraão, Deus de Isaac, Deus de Jacob... Certeza, alegria, certeza, sentimento de alegria e paz... Deus de Jesus Cristo, meu Deus e teu Deus... Esqueci-me do mundo e de tudo, exceto de Deus. Ele só é encontrado nos caminhos dos Evangelhos... a GRANDEZA DA ALMA HUMANA... agora vejo que ela é o próprio Deus. Pai justo, o mundo não te conhece, mas eu te conheci. Alegria, alegria, alegria, lágrimas de alegria! Eu não me separarei jamais de ti... Meu Deus, esta é a vida eterna que se ganha depois de te conhecer, o único Deus verdadeiro, e aquele que tu enviaste - o Cristo; com ele, tudo é Um... Renúncia total e doce... submissão total a Cristo... eternamente em alegria por um momento de aprendizado sobre a terra... jamais esquecerei o que hoje me ensinaste... Amém”.
     Esse pergaminho existe até hoje. Recebeu o nome de “amuleto místico de Pascal” e está na Biblioteca Nacional, em Paris.

      Edward Carpenter: ‘... Acabados todos os sofrimentos, acabadas todas as penas... abriu-se dentro de mim um profundo oceano de felicidade... todas as coisas foram transfiguradas, cantando felicidade sem fim... Naquele dia, no dia da tua libertação, ela virá a ti em lugar que desconheces, sem que saibas em que tempo (como na parábola do ladrão)... tu, então, estarás livre para sempre... (“... a verdade vos libertará”); deixa que a felicidade te invada... a morte já não te separará daqueles a quem amas... o mundo da igualdade... da felicidade total...’.
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EU SOU AQUILO


EU SOU AQUILO
Do livro ‘I AM THAT’, de Shri Nisargadatta Maharaj
(Q=pergunta; NM=resposta de Nisargadatta)

“Quando se atinge a iluminação, a visão total atingida é tão clara que o indivíduo não faz mais do que rir e até, em aparência, ser irreverente, quando vê a fantástica superestrutura de superstições, ilusões e mistérios que está erigida (pelas nossas crenças e religiões, tradições, costumes e cultura, suposições e sociedade) sobre e em torno da simplicidade elementar que é a Verdade".

"Quando você está interessado na verdade, na realidade, você deve questionar todas as coisas, mesmo sua própria vida. Ao crer na necessidade de uma experiência sensorial e intelectual emocionante, você limita sua investigação à busca de satisfação e de conforto.” (E não vai à busca da Verdade).

“Enquanto houver um corpo e uma mente para proteger o corpo, existirão atrações e repulsões (devidos às limitações da mente individual em face de suas ilusões, suposições, crenças, cultura etc.). Existirão no campo dos fatos, mas não devem trazer preocupação para aquele que está compreendendo. O foco de sua atenção estará em outro lugar (além da mente). Não estará distraído”.

"Este que vê o tudo isto e também vê o nada, é o mestre interior (aquilo a que damos o nome de Deus). Só ele é; todo o restante parece ser. Ele é seu próprio ser, sua esperança e segurança de liberdade: encontre-o e una-se a ele (isto é, perceba-o), e estará a salvo e seguro” (‘... a Verdade vos libertará’).

“A Libertação não é uma aquisição, mas uma questão de coragem; coragem de aceitar que você já é livre e de agir com base nisso”.

Q: Mas pensar, racionalizar não é o estado normal da mente? A mente pode parar de trabalhar, de funcionar?

NM: Pode ser o seu estado habitual, mas isso será sempre o seu estado normal? Um estado normal não é doloroso enquanto que o habitual quase sempre leva à dor e ao sofrimento.

Q: Se esse não é o estado natural ou normal da mente, como cessá-lo? Deve haver uma forma de aquietar a mente. Quantas vezes digo a mim mesmo: ‘por favor, pára, chega deste falatório sem fim, de frases repetidas vezes sem conta!’ Mas a minha mente não pára. Sinto que é possível pará-la um pouco, mas não por muito tempo. Até mesmo os assim chamados "espirituais" usam artimanhas para manter as suas mentes quietas. Eles repetem fórmulas, cantam, rezam, fazem respiração forçada ou suave, giram, concentram-se, meditam, buscam transes, cultivam virtudes - trabalham o tempo todo de forma a pararem de trabalhar, pararem de procurar, pararem de se mover (para que a mente pare de operar). Quando isso não é trágico, é ridículo.

NM: A mente existe em dois estados: enquanto água e enquanto mel. A água vibra ao mínimo distúrbio enquanto que o mel, embora perturbado, retorna rapidamente à imobilidade.

Q: Pela sua natureza a mente é agitada. Talvez ela possa ser aquietada, mas não é quieta por si mesma, não é isso?

N.M.: Quando tens febre, tremes a toda a hora. São os desejos e os medos (a febre) que fazem a mente inquieta (trêmula). Livre de todas essas emoções a mente fica quieta.

Q: Sim, às vezes sinto isso. Mas sempre que a sensação de perigo se instala, eu me sinto isolado, à parte de todas as relações com os outros. Você entende? É aqui que está a diferença entre as nossas mentalidades. Na mentalidade hindu, a emoção segue o pensamento. Dê a um hindu uma idéia e as suas emoções afloram. Com um ocidental é o oposto: dê-lhe uma emoção e ele irá produzir muitas idéias. As suas idéias são muito atrativas intelectualmente, mas emocionalmente não.

NM: Coloca o teu intelecto à parte. Não o uses nestes assuntos (isto é, esqueça o ‘eu’).

Q.: De que serve um conselho se não podemos lhe dar continuidade (se não podemos aplicá-lo corretamente)? Tudo isto são idéias e você quer que eu não responda emotivamente às idéias. Sem emoção, como pode haver ação?

NM: Por que falas em ação? Alguma vez ages por conta própria? Algum poder desconhecido age e tu imaginas que és tu que estás a agir. Tu estás meramente a ver o que acontece sem poderes influenciar em nada (és apenas testemunha).

Q: Por que há uma resistência tão grande em mim para a aceitação de que não posso fazer nada, de que não decido nem escolho?

NM: Mas, que podes tu fazer? Tu és como um paciente sob anestesia no qual o cirurgião faz uma cirurgia. Quando acordas vês que a operação terminou; podes dizer que fizeste alguma coisa?

Q: Mas fui eu que escolhi submeter-me à cirurgia.

NM: Claro que não. Foi a tua doença, por um lado, e a pressão do teu médico e da família, por outro, que te fizeram, aparentemente, decidir. Não tens escolha alguma; apenas a ilusão de que escolhes, de que tu decides; não há escolha.

Q: No entanto, não me sinto tão indefeso quanto você faz parecer. Sinto que posso fazer tudo aquilo que penso; só não sei como fazer. Não é o poder que me falta, é o conhecimento.

NM: Não conhecer os meios para fazer é admitido como sendo tão mau quanto não ter o poder! Mas deixemos este assunto por agora; afinal, não é importante o motivo pelo qual nos sentimos indefesos, mas sim que consigamos ver claramente que neste momento somos indefesos.

Eu tenho agora 74 anos e, no entanto, me sinto como se fosse uma criança. Eu sinto claramente que apesar de todas as mudanças eu sou uma criança. O meu Guru disse-me: essa criança, que és tu neste exato momento, é o teu verdadeiro eu. Volta a esse estado de puro ser, onde o "Eu sou" ainda está na sua pureza antes de ter sido contaminado e confundido com "eu sou isto" ou "eu sou aquilo". O teu fardo (os teus problemas) é de falsas identificações - abandona-as todas. O meu Guru disse: "Confia em mim. Eu te digo: tu és divino. Toma isto como verdade absoluta. A tua alegria é divina, o teu sofrimento também é divino. Tudo vem de Deus. Lembra-te sempre: Tu és Deus, e sempre é feita a tua vontade." Eu acreditei nele e rapidamente realizei o quão as suas palavras eram verdadeiras e certas. Não condicionei a minha mente pensando: "Eu sou Deus, eu sou maravilhoso, eu estou além." Simplesmente segui a sua instrução que era focar a mente no puro "Eu sou" e ficar aí. Eu costumava sentar-me durante horas seguidas com nada exceto o "Eu sou" na minha mente e, cedo, a paz e a alegria e um amor profundo e envolvente tornaram-se o meu estado normal. Nisso, tudo desapareceu - eu, o meu Guru, a vida que vivia, o mundo à minha volta. Apenas a paz se manteve envolta por um silêncio incompreensível.

Q: Parece tudo muito simples e fácil, mas não é. Às vezes acontece o maravilhoso estado de alegria e eu olho e penso: quão facilmente vem e quão parece íntimo e totalmente meu. Onde estava a necessidade de lutar tão fortemente por este estado que é tão próximo? Mas cedo esse estado se dissolve e deixa-me a pensar se teria sido realidade ou alguma ilusão. Se era realidade, por que se foi embora? Talvez seja necessária alguma experiência singular para se ficar nesse novo estado para sempre e, até que essa experiência crucial aconteça, este jogo de esconde-esconde vai continuando.

NM: A tua expectativa de algo singular e dramático, de alguma explosão maravilhosa, está apenas a atrasar (é apenas obstáculo) a tua realização. Não é para esperares uma explosão, pois a explosão (esse milagre) já aconteceu - no momento do teu nascimento, quando te realizaste como sendo ser-conhecimento-sensação. Há apenas um erro que estás a fazer: tu tomas o dentro como sendo o fora e o fora como sendo o dentro. O que está em ti, tu tomas como estando fora de ti, e, o que está fora, tu tomas como estando dentro de ti (isto é, a tua interpretação sempre incorreta das coisas do mundo). A mente e os sentimentos são externos, mas tu os tomas como internos, íntimos. Tu acreditas que o mundo é objetivo, mas ele é inteiramente uma projeção da tua psique. Essa é a confusão básica e nenhuma explosão a vai esclarecer. Tens de te pensar fora disso. Não há outra forma.

Q: Como é que eu vou me pensar desse modo se meus pensamentos vêm e vão conforme querem? (os pensamentos vêm e não são nossos, porque a escolha e a decisão também não são nossas). O falatório interminável dos pensamentos (o filme emotivo-imaginativo) me distrai e me deixa exausto, na tentativa de controlá-lo.

NM: Observa os teus pensamentos assim como observas o movimento na rua, como observas as nuvens flutuando no céu. As pessoas vêm e vão; registra isso sem resposta (sem qualquer reação). Pode não ser fácil no início, mas, com alguma prática, irás descobrir que a tua mente pode funcionar em vários níveis ao mesmo tempo e que podes estar ciente de todos eles. Apenas quando tens um forte interesse num nível específico é que a tua atenção é aprisionada nele e os outros níveis te são ocultos. Neste caso, o trabalho nos níveis barrados continua fora do campo consciente. Não lutes com as memórias e pensamentos; tenta apenas incluir no teu nível de atenção outras questões mais importantes como "Quem sou eu? Como é que nasci? De onde vem este Universo à minha volta? O que é real e o que é falso?" Nenhuma memória irá persistir se perderes interesse nela; ela é a ligação emocional que perpetua o laço (com tudo que está a acontecer; não te esqueças que és apenas testemunha; não adianta tentares interferir).

Estás sempre à procura de prazer, evitando a dor, sempre atrás da felicidade e da paz. Não vês que é essa mesma busca por felicidade que te faz sentir infeliz? Tenta de outro jeito: indiferente à dor e ao prazer, sem perguntar, sem recusar, dá toda a tua atenção ao nível no qual "Eu sou" está eternamente presente. Em breve irás perceber que a paz e a felicidade são a tua própria natureza; é apenas quando as procuras por canais específicos que elas são perturbadas. Evita essa perturbação; isso é tudo. Não há necessidade de procurar; não há necessidade de procurar aquilo que já tens (aquilo que já és). Tu és Deus, a Realidade Suprema. Para começar, confia em mim, em minhas palavras. Isso permite que tu dês o primeiro passo - e então a tua confiança será justificada através da tua experiência. Em cada caminhada na vida, confiança inicial é essencial; sem isso, pouco pode ser feito. Cada passo é um ato de fé.

Até o pão diário tu comes confiando! Lembrando-te do que te disse: tu conseguirás tudo. Digo-te outra vez: Tu és a realidade que em tudo está e que a tudo transcende. Age de acordo com isso: pensa, sente e age em harmonia com o todo e a confirmação da experiência do que eu digo irá florescer em ti brevemente. Nenhum esforço é necessário. Tem fé e age a partir daí. Nada quero de ti. É no teu interesse que te falo porque, acima de tudo, tu te amas a ti mesmo, tu te queres seguro e feliz. Não tenhas vergonha disso; não o negues. É natural e bom que nos amemos a nós mesmos. Apenas deves saber o que realmente amas. Não é o corpo que amas, é a Vida - sentindo, pensando, fazendo, amando, lutando, criando. É a Vida que amas, a vida que és tu mesmo e que é tudo. Perceba isso na sua totalidade, além de todas as divisões e limitações, e todos os teus desejos se dissolverão nisso, pois o maior contém o menor. Por isso, encontra-te; pois te encontrando, encontras tudo.

Todos estão felizes em ser. Mas poucos conhecem a sua totalidade. Tu a conheces quando acolhes na tua mente "Eu sou, Eu sei, Eu amo" com a vontade de atingir o mais profundo significado destas palavras.

Q: Posso pensar que sou Deus?

NM: Não te identifiques com nenhuma idéia ou pensamento. Se por Deus queres dizer o Desconhecido, então diz simplesmente: "Eu não sei o que eu sou". Se conheces Deus como sendo o que és, não precisas dizê-lo. O melhor é o simples "Eu sou". Insiste nele pacientemente. Aqui a paciência é sabedoria; não penses em fracasso. Não pode haver fracasso nesta empreitada.

Q: Mas os meus pensamentos não deixam.

NM: Não lhes prestes atenção. Não lutes contra eles. Apenas não faças nada, deixa-os estar (e se irem), o que quer que sejam. Quando lutas com eles estás a dar-lhes vida. Ignora-os. Olha através deles. Lembra-te de te lembrares: "o que quer que aconteça acontece porque eu sou". Tudo te lembra que és. Para experienciares tu tens de ser. Não precisas parar de pensar. Apenas parar de estar interessado (emocionado, envolvido, como se pudesse fazer alguma coisa a respeito). É o desinteresse que liberta. Não te segures (nada de esforço); isso é tudo. O mundo é feito de anéis, mas os ganchos (que te prendem) são todos teus (feitos por ti). Endireita os teus ganchos e nada irá te deter: deixa de lado os teus vícios (de imaginar, se emocionar, de crer em ilusões). Não há nada mais para deixar de lado. Pára a tua rotina da aquisição, o teu hábito de esperar resultados (isto é ‘deixa a Deus os frutos de tua ação’) e a liberdade do universo será tua. Sê sem esforço.

¨Q: Mas a vida é esforço. Há tantas coisas para fazer.

M: O que precisa ser feito, tu farás mesmo que não queiras (pois não decidimos). Não resistas. O teu equilíbrio deve ser dinâmico, baseado em fazer apenas o que tens de fazer momento a momento. Não sejas uma criança que não quer crescer. Gestos estereotipados (copiados, imitados, rituais, cerimoniais etc.) e posturas (corporais ou psicológicas) não irão te ajudar. Confia inteiramente na tua clareza de pensamento, pureza de motivação e integridade de ação. Não poderás fazer mal. Vai além e deixa tudo o mais para trás.

Q: Mas pode alguma coisa ser deixada para trás para sempre?

NM: Tu queres qualquer coisa, como um êxtase eterno. O êxtase vem e vai, necessariamente, pois o cérebro humano não consegue agüentar a tensão por muito tempo. Um êxtase prolongado rebentaria com o teu cérebro a não ser que este seja extremamente puro e sutil. Na natureza nada está parado; tudo pulsa e flui, aparece e desaparece. Coração, respiração, digestão, sono e despertar, nascimento e morte, tudo vem e vai em ondas (num fluir eterno). Ritmo, periodicidade, harmoniosa alternatividade de extremos, essa é a regra. Não adianta revoltar-se contra o padrão da vida. Se procuras o imutável, vai além da experiência. Quando eu digo: lembra-te sempre de "Eu sou”, eu quero dizer: "volta a ‘Eu sou’ repetidamente". Nenhum pensamento é o estado natural da mente; apenas o silêncio é. Não a idéia de silêncio, mas o silêncio, ele mesmo. Quando a mente está no seu estado natural, reverte ao silêncio espontaneamente e, depois, toda ‘experiência’ acontece sobre o fundo do silêncio (pois não há mais o ruído produzido pela interferência do ‘eu’).

Agora, aquilo que aprendeste aqui se torna a semente. Podes esquecê-lo, aparentemente. Mas irá viver e, na estação devida, irá brotar e crescer trazendo flores e frutos. Tudo acontecerá por si mesmo. Não precisas fazer nada, apenas não evitar (não escolher, não ter preferência por) nada.

O mundo existe somente como um sonho em minha Consciência. O que quer que tenha uma forma se constitui tão somente de limitações imaginadas em minha consciência. Por si mesmo nada tem existência. Tudo precisa de sua própria ausência. Ser (viver), é ser distinguível (diferente dos demais), estar aqui e não lá, é ser agora e não depois, ser assim e não assado (mas somos o que somos; nada pode mudar isso). Como a água é moldada pelo vaso que a contém, assim também todas as coisas (fatos, pensamentos etc.) são determinadas por suas condições próprias.

O Puro Ser preenche tudo e é além de tudo. Toda limitação é imaginária (ilusão); somente o ilimitado é real. O mundo não é nada mais que um faz de conta, um show cheio de ‘glitter’ (atrativos) e vazio. Ele é e, ao mesmo tempo, não é. Ele está lá pelo tempo que eu queira vê-lo e tomar parte nele. Quando eu deixo de me importar (de me interessar por ele), ele se dissolve. Ele não tem qualquer causa e não serve a qualquer propósito. Ele só acontece quando estamos mentalmente-ausentes (distraídos, desatentos). Ele se parece exatamente com o que é, mas não há qualquer profundidade nele, qualquer sentido. Somente o sobre-observador (a subjetividade absoluta) é real, chame-o Eu ou Atman. Para o Ser, o mundo não é mais que um show colorido, o qual ele curte “infinitamente” enquanto dure, e o esquece quando ele se vai. O que quer que aconteça no palco faz o ‘eu’ encolher-se aterrorizado ou rolar de rir no chão, e, ainda assim, todo o tempo ele está atento ao espetáculo, esquecido de que tudo é apenas um show. Contudo, o Eu, sem desejo ou medo, o aprecia tal qual ele se apresenta (sem interferir com julgamentos e avaliações, suposições e crenças).

O universo é um palco sobre o qual um drama mundial está sendo representado. A qualidade da performance (do desempenho) é tudo o que importa; não o que o ator diz ou faz, mas como ele o faz e diz. Desportistas parecem fazer um tremendo esforço: ainda assim seus únicos e inconfundíveis motivos (‘leit-motive’) são jogar e mostrar o que sabem fazer.

Tudo acontece como é necessário, e ainda assim nada acontece. Eu faço o que parece ser o necessário, mas ao mesmo tempo eu sei que nada é necessário, que a vida em si mesma é uma fantasia.

Você me vê aparentemente funcionando, agindo. Na realidade, eu somente olho (observo apenas como testemunha, sem nunca poder interferir). O que quer que seja feito (que esteja acontecendo) está apenas acontecendo no show, no palco. Contentamento e tristeza, vida e morte, eles todos são reais para o homem limitado; para o Eu, eles estão todos no show, são o show, tão irreais quanto o show em si mesmo. O Eu percebe o mundo como você o percebe, mas você acredita estar nele (pela interpretação falha das coisas do mundo), enquanto Eu o vejo apenas como uma gota iridescente (brilhante, colorida) na vasta imensidão da consciência.

Tudo o que vive, trabalha para perpetuar e expandir a consciência (mesmo inconscientemente). Este é todo o significado do mundo. É a verdadeira essência do Yoga - sempre elevando o nível de consciência, descobrindo novas dimensões, com suas propriedades, qualidades e poderes. Neste sentido, o universo inteiro se torna uma escola.

De uma barra de ouro, você pode fazer muitos ornamentos, mas, cada um, permanecerá sendo ouro. Do mesmo modo, em qualquer papel que eu possa estar desempenhando e em qualquer função que eu possa estar representando – eu permaneço o que sou: o “Eu sou” inamovível, imperturbável, independente, livre. Tudo, o que chamamos de universo, natureza, tudo é minha criatividade espontânea. O que quer que aconteça, acontece. Mas minha natureza é tal que tudo termina em contentamento.

O Mundo
que eu percebo é inteiramente privado (particular, intimo), um sonho (apenas meu). O mundo que você percebe é de fato um mundo pequeno. E ele é inteiramente particular (seu). Tome-o como um sonho e acabe com ele. Não é a idéia de um mundo total uma parte de seu mundo pessoal? O universo não vem para dizer que você é parte dele. É você quem inventou uma totalidade para conter você como uma parte. Na verdade tudo o que você conhece é seu próprio mundo privado, não importa quão belamente você o tenha mobiliado com suas idéias, medos, imaginações, ilusões e expectativas.
Este mundo é pintado por você sobre a tela da consciência e é inteiramente seu próprio mundo privado.

Saber que o filme (o mundo) é apenas um jogo de luz sobre a tela, traz a libertação da idéia de que o show é real.

Considere: o mundo no qual você vive, quem mais sabe sobre ele (totalmente) como você? Dentro da prisão de seu mundo aparece um homem que lhe diz que esse mundo de dolorosas contradições, que você criou, não é nem contínuo nem permanente e está baseado em um mal-entendido (ilusões). Ele insiste com você para que você o abandone. Você entra nesse mundo esquecendo (nem sabendo) o que você é, e você sai dele conhecendo a si mesmo como você é. Não há, nele, qualquer realidade. Ele não perdura (na consciência de quem desperta).

O mundo não tem qualquer existência separada de você. A cada momento ele não é senão um reflexo de você mesmo. Você o cria; você o destrói. Seu universo pessoal não existe por si mesmo. É apenas uma visão limitada e distorcida do real.

Você não é do mundo; você nem mesmo está no mundo. O mundo não é; você sozinho é. Você cria o mundo em sua imaginação como um sonho. Como você não pode separar o sonho de si mesmo, assim também você não pode ter um mundo exterior independente de si mesmo. Você é que é independente, não o mundo. Não tenha medo de um mundo que você mesmo criou.

Busque e você descobrirá a Pessoa Universal que é você mesmo, e infinitamente mais. De qualquer modo, comece realizando que o mundo está em você, e não você nele. Seu corpo pessoal é uma parte na qual o todo está maravilhosamente refletido.

Mas você tem também um corpo universal. Você nem mesmo pode dizer que não o conhece, porque você o vê e o experiencia todo o tempo. Somente você o chama de “o mundo” e está com medo dele. Ambas, a anatomia e a astronomia descrevem você. Você conhece o mundo exatamente como você conhece seu corpo – através dos sentidos. É sua mente que separou o mundo de fora, limitado por sua pele, do mundo de dentro e os colocou em oposição.

O
mundo não é mais que o reflexo de minha imaginação. O que quer que eu queira ver, eu posso ver. Mas porque eu deveria inventar padrões de criação, evolução e destruição? Eu não preciso delas. O mundo está em mim, o mundo sou eu mesmo. Eu não tenho medo dele e nem qualquer desejo de trancá-lo em um filme mental.

Imagine-se em uma densa floresta cheia de tigres e você em uma forte cela de aço. Sabendo-se bem protegido pela cela, você assiste aos tigres sem medo. A seguir, você encontra os tigres presos na cela e você perambulando na floresta. Finalmente, a cela desaparece e você monta os tigres!

O que eu pareço ser para você existe apenas em sua mente. Eu sou um sonho que pode acordá-lo. Você terá de provar dele em seu próprio acordar.

Desista de tudo e você ganhará tudo. Então a vida torna-se aquilo que se supõe que ela seja: pura radiação de uma fonte inexaurível. Nessa luz, o mundo aparece difuso como um sonho (que ele é).

Desejo e medo vêm da visão do mundo como separado de mim mesmo. Assim como você pensa ser, do mesmo modo você pensa que o mundo seja. Se você se imagina separado do mundo, o mundo aparecerá como separado de você e você experimentará desejo e medo. Eu não vejo o mundo como separado de mim e assim não há nada para eu desejar ou temer.

Não há caos no mundo, exceto o caos que você cria em sua mente. Ele é autocriado no sentido de que em seu verdadeiro centro há uma idéia de você mesmo como algo diferente e separado das outras coisas. Na realidade você não é nem uma coisa nem separado.

Enquanto eu vir o sonho como real, eu sofrerei sendo escravo dele. Ambos, sono e vigília, são nomes errôneos. Nós estamos apenas sonhando. Só o ‘gnani’ (o meditador profundo) conhece a vigília verdadeira e o verdadeiro sono. Nós sonhamos que estamos acordados; nós sonhamos que estamos dormindo. Os três estados são somente variedades de estados de sono (os diferentes níveis de consciência). Tratar tudo como um sonho, liberta. Quando você considera seus sonhos (qualquer sonho, seja dormindo ou acordado) como realidade, você se torna escravo deles. Por imaginar que você nasceu, que é isso ou aquilo, você se torna escravo dessa imaginação e desse isso ou aquilo. A essência da escravidão é imaginar a si mesmo como sendo um processo, que tem passado e futuro, que tem história. Na verdade nós não temos história, não somos um processo, não desenvolvemos, não decaímos; assim veja tudo como um sonho e permaneça fora dele.

Saber que você é um prisioneiro de sua mente, que você vive em um mundo imaginário, um sonho de sua própria criação, é o lago da sabedoria.

A causa do sofrimento está na identificação do percebedor com o que percebe ao seu redor, no mundo externo e no mundo interno. É dele que nasce o desejo, e, com o desejo, a ação cega (porque baseada em ilusões) de resultados impensáveis, imprevisíveis. Olhe ao redor, observe e analise profundamente o que você vê, e você perceberá que o sofrimento é uma coisa feita pelo próprio homem.

Ninguém sofre ao assistir a um filme; somente a pessoa que se identifica com ele. Não se identifique com o mundo e você não sofrerá.

Enquanto ele dura, o sonho tem um aspecto temporal. E é nosso desejo de mantê-lo, que cria o problema. Deixe ir. Pare de imaginar que o sonho é seu. Deixe o filme desenrolar-se até o verdadeiro fim. Você não pode ajudá-lo (interferir). Mas você pode reconhecer que o sonho é um sonho, e não carimbá-lo com o selo de realidade.

No presente você está perdido, e, portanto em perigo, pois para um perdido, a qualquer momento algo pode acontecer. É melhor acordar e ver sua situação real. Que você é, você sabe. O que você (o Eu) é, você não sabe. Descubra o que você é (e você estará livre). (‘Conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará’).

Minha intenção de acordá-lo é o link (a ligação) entre nossos respectivos sonhos). Meu coração quer que você acorde. Eu vejo você sofrendo em seus sonhos e eu sei que você deve acordar para terminar seus pesadelos. Quando você vê seu sonho como sonho, você acorda. Mas em seu sonho eu não estou interessado. Para mim é o bastante saber que você deve acordar. Você não precisa trazer seu sonho para uma conclusão definida, ou torná-lo nobre, ou feliz, ou belo; tudo que você precisa é realizar (se convencer) que você está sonhando. Pare de imaginar, pare de acreditar (de ter esperanças, medo, remorsos, expectativas, emoções); acorde! Veja as contradições, as incongruências, a falsidade e o sofrimento do ente humano (nesse sonho que é a vida), e sua necessidade de ir além (do sonho).

Em sonho você ama alguns e não ama outros. Acordado (liberto das ilusões) você descobre que você é o próprio amor, que envolve e inclui tudo. O amor pessoal, não importa quão intenso e genuíno seja, invariavelmente desaparece; o amor de quem se libertou é incondicional, é amor por tudo.

Este é o coração da questão: Enquanto você acredita que só o mundo externo é real, você permanece seu escravo. Simplesmente compreenda que o que você vê não é o que você é. As aparências se dissolverão sob a investigação, e a realidade virá à superfície. Você não precisa queimar a casa para abandoná-la. Basta sair. Somente quando você não pode ir e vir livremente que a casa se torna uma prisão. Eu me movo para dentro e para fora da consciência fácil e naturalmente, e assim para mim o mundo é uma casa (da qual posso sair quando quiser), não uma prisão.
Nada no sonho é feito por mim ou por você.

Enquanto você acreditar que é um corpo, você encontrará causas (motivos) para tudo e sofrerá. Eu não estou dizendo que as coisas não têm causas. Cada coisa tem causas inumeráveis. É como é, porque o mundo é como ele é. Cada causa, em suas ramificações, cobre o universo (Não há causas para o sofrimento e a ignorância) exceto sua ignorância de seu ser real (do ser que realmente você é), o qual é perfeito e além de toda causação. Pois o que quer que aconteça, todo o universo é responsável e você é a fonte do universo. Tudo o que acontece é a causa de tudo o que acontece. As causas são inúmeras; a idéia de uma causa única é ilusão.

Porque você fala de ação? Você alguma vez está em ação? Algum poder desconhecido atua e você imagina que você está agindo. Você está meramente assistindo (testemunhando) o que acontece, sem ser capaz de influenciá-lo de nenhuma forma. (‘É o Senhor que opera em nós o pensar, o querer e o fazer’). Pára de imaginar a ti mesmo como sendo ou fazendo isso ou aquilo, e a realização (a compreensão, a iluminação), de que tu és a fonte e o coração de tudo, se derramará sobre ti.

O homem sábio nada toma como sendo seu (como se fosse fruto de sua ação, de sua escolha ou decisão). Quando em algum tempo ou lugar algum milagre (qualquer feito ou ação) é atribuído a alguém, o sábio não estabelecerá qualquer vinculo de causa entre eventos (o fato) e seu presumido autor (porque ninguém age ou escolhe ou decide por si mesmo), nem permitirá que qualquer conclusão seja tirada. Tudo acontece como acontece porque tem de acontecer; tudo acontece como acontece porque o universo é como ele é.

Você se imagina sendo e fazendo tudo idêntico (repetindo as mesmas respostas aos mesmos estímulos). Não é assim. A mente e o corpo movem-se e mudam e causam movimentos e mudanças em outras mentes e outros corpos, e isso é chamado de fazer, de ação (karma). Eu vejo que é da natureza da ação criar outra ação, como fogo que continua queimando. Eu não ajo nem sou causa de outros agirem; eu estou constantemente alerta de tudo o que acontece.

O que é feito é um fato; o fazedor é um mero conceito. Sua própria linguagem mostra que enquanto o feito é certo (é um fato), o fazedor é dúbio, impreciso; alternar responsabilidades é um jogo peculiarmente humano. Considerando a infindável lista de fatores requeridos para que algo aconteça, só se pode admitir que tudo seja responsável por tudo, não importa quão remoto esteja. O fazer é um mito nascido da ilusão do “eu” e do “meu”. Eu não sinto que eu esteja falando. Apenas existe fala acontecendo; isso é tudo. Você realmente fala? Você ouve a si mesmo falando e você diz: ‘eu estou falando’. Eu não tenho qualquer objeção às convenções de sua linguagem, mas elas distorcem e destroem a realidade. Um modo mais acurado de dizer seria: “Há fala, há trabalho, há movimento, há ir e vir”. Para que qualquer coisa aconteça o universo inteiro deve coincidir. É um erro acreditar que qualquer coisa em particular possa causar um evento. Toda causa é universal. Eu estou totalmente seguro de que as coisas acontecem como elas têm de acontecer porque o mundo é como ele é, o mundo apenas é assim. Para afetar o curso dos eventos, eu devo trazer um fator novo para o mundo e tal fator só pode ser eu mesmo, o poder do amor e da compreensão focalizado em mim.
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FÍSICA QUÂNTICA E ESPIRITUALISMO


(15)        FÍSICA QUÂNTICA E ESPIRITUALISMO             (1991)
                              (Uma pálida idéia)

- Um elétron pode estar em ‘mais’ de um lugar ao mesmo tempo; os experimentos da física moderna são inequívocos a esse respeito.
- A ciência clássica, cartesiana (anterior), desenvolveu-se de acordo com a suposição fundamental de que existe, fora do observador, uma realidade real, objetiva, que seria algo sólido, constituído de coisas que possuem atributos, como massa, peso, carga elétrica, momentum, posição no espaço, spin, inércia, energia, cor, existência contínua através do tempo, etc. No entanto, tais coisas e todo o universo, de acordo com a nova física, não existem sem que algo lhes perceba a existência; e esse algo é a mente de seres sencientes.
- É errado supor que um elétron seja um pontinho imponderável de matéria; isso porque, em certas ocasiões, ele é uma nuvem composta de um número infinito de possíveis elétrons, ondulando como uma onda e capaz de mover-se em velocidades superiores à da luz, desmentindo o postulado de Einstein sobre a velocidade. Tais possíveis elétrons parecem uma única partícula somente quando os observamos.
- No átomo, um elétron, quando perde energia, salta de uma órbita mais afastada do núcleo para uma mais próxima. Contudo, ele não passa pelo espaço entre uma órbita e a outra; simplesmente desaparece da mais elevada e aparece na outra.
- Resultados de observações sobre dois elétrons correlacionados, mesmo que separados por distâncias imensas, demonstram que forçosamente deve haver entre eles alguma conexão que permite que a comunicação entre eles se mova mais rápida que a luz. Como, conforme Einstein, nenhuma velocidade pode ser maior que a da luz (300 mil km por segundo) dentro do espaço-tempo, pode-se afirmar que essa comunicação ocorre além do espaço-tempo, logo no domínio do atemporal, no domínio transcendental.
- Em suma, há um número grande demais de provas demonstrando que o mundo objetivo, que costumamos considerar a realidade final é, apenas, ilusão do nosso pensamento, do nosso ego. E não podemos esquecer que todo o conhecimento do homem, em todas as áreas, tem como alicerce essa suposição que, agora, por inumeráveis e inquestionáveis experimentos da nova física, sabe-se ser ilusória.
- Ainda mais, o universo é autoconsciente. Pela física anterior, cartesiana e newtoniana (de Descartes e Newton), a consciência, a mente, era considerada apenas um subproduto da matéria cerebral; logo, o cérebro é que criaria a consciência. Hoje, pela nova física, sabe-se que é a consciência que cria o cérebro e todo o mundo material.
- A consciência é algo transcendental, portanto não-local, e está em tudo, tanto no espaço-tempo quanto além, no atemporal; a consciência é tudo.
- Consciência é o agente que afeta os objetos quânticos para lhes tornar o comportamento apreensível aos nossos sentidos; a consciência focaliza esses objetos, ondas de probabilidades, de modo que podemos observá-los como partículas, ou coisas, em um único lugar.
- Um objeto quântico pode estar em mais de um lugar ao mesmo tempo (propriedade da onda); o objeto quântico se manifesta na realidade comum só quando o observamos e, com isso, provocamos o colapso da onda de energia (?), que, instantaneamente, se apresenta como partículas ou objetos; um objeto quântico deixa de existir aqui e simultaneamente passa a existir ali, e não podemos dizer que ele passou através do espaço interveniente (o salto quântico); a manifestação de um objeto quântico, ocasionada por nossa observação, influencia simultaneamente seu objeto gêmeo correlato pouco importando a distância entre eles (ação quântica instantânea à distância).
- A consciência é o fundamento de todo ser, incluindo a matéria. Tudo existe na consciência e é por ela manipulado. Ela organiza o mundo e lhe dá significado. Mas, para isso, necessita da observação produzida por uma mente senciente (cérebro/mente).
-O experimento das duas fendas:
(Na internet, no final da página da 'Wilkpedia' referente a esse experimento, explicado pelo 'Dr. Rabbit', está a pergunta:
'E o q tem um observador a ver com isso?' e, em seguida, vem a resposta: 'Um observador colapsa a função de onda simplesmente... por observar'.
A simples observação modifica a natureza. Não havendo um observador não há o colapso da função de onda e, em conseqüência, não há manifestação de partículas, ou seja, de matéria. Por aí se vê q, não existindo um ser senciente observando, tudo continua apenas como ondas; não haverá nem mesmo um universo como o conhecemos. Isso não merece uma reflexão mais profunda? Não indica q o ser humano (e todos os seres sencientes) é necessário para q tudo que aí está à nossa frente exista? A consciência do ser senciente, através da observação deste, é que realiza o processo final da criação determinada por aquilo a que denominamos Deus. Isso não está mostrando que nós somos muito mais do que as religiões e crenças populares apregoam? A consciência 'localizada' (nós) completa a criação da consciência 'não localizada', isto é, da Consciência Universal. Isso não está mostrando que nossa consciência complementa, completa, faz parte ou é a própria consciência de Deus? O que acham disso?
- Sob observação, o objeto quântico deixa de ser onda e se comporta como partícula (de matéria). Mesmo a objetos macroscópicos, como a Lua, por exemplo, a mecânica quântica prevê basicamente idêntico comportamento, com a diferença de que, nesse caso, o espalhamento do pacote de ondas é imperceptivelmente pequeno (nunca zero) entre as observações.
- Para cada evento, questão, fenômeno, problema, existe o que é chamado pela quântica de superposições coerentes, isto é, um número, considerado infinito, pelos sábios, de possibilidades de soluções para aquele mesmo problema (o campo das infinitas possibilidades, de Maharish Maresh Yogi). Por isso, todo evento de observação, que é o que produz o colapso da onda de probabilidades localizada fora do espaço-tempo, é potencialmente criativo e pode desvendar, sempre, novas possibilidades, respostas criativas, diferentes das conhecidas às quais nossa mente-localizada está habituada, e, por isso, condicionada.
- A observação faz com que o pacote de ondas entre em colapso e se torne partículas localizadas. Assim, o sujeito (observador) e o objeto (coisa observada) estão inextricavelmente misturados, ligados; não havendo observador, não há coisa observada, porque não há colapso; não havendo coisa observada, não há observador. Vê-se, pois, que, para que o universo se manifeste, o cérebro-mente é necessário; logo, nós, e todos os seres dotados de cérebro e mente, somos necessários.
Assim, disse Krishnamurti: “Como a Mente é vazia, existe o cérebro no espaço e no tempo”.
- A consciência é a realidade única e final. Além dela, tudo é ilusão. Todo o universo sobre o qual pensamos e falamos nada mais é que ilusão, Maya, conforme o Vedanta. O todo é Brahman, Deus, a consciência absoluta, total, que existe além do alcance de Maya. Nada mais existe além da consciência.
- Como apenas existe uma mente, uma consciência, a separatividade entre seres e coisas é nada mais que ilusão. Somos, todos nós, apenas uma mente, uma consciência, embora pareçamos muitas (“Eu e o Pai somos um”).
- Como não há separação entre seres e coisas no universo, somos todos uma só coisa; logo não existe duas coisas como eu e Deus. Por isso disse Shankara: “Eu sou a realidade sem começo e sem fim. Não participo da ilusão ‘eu’ e ‘tu’, ‘isto’ e ‘aquilo’. Eu sou Brahman, o um sem segundo, a bem-aventurança sem fim, a verdade eterna, imutável. Eu resido em todos os seres como consciência pura, o fundamento de todos os fenômenos internos e externos. Eu sou o que desfruta e o que é desfrutado. Nos dias de minha ignorância eu costumava pensar nessas coisas como separadas de mim. Hoje sei que sou tudo”. E disse Ekhart, místico cristão: “Percebo que Deus e eu somos um só”. E Jesus: “Eu e o Pai somos um”. E a ciencia quântica: “Sé existe uma consciência e nós somos essa consciência”.
- A experiência da unidade, quebrados os véus da separatividade, abre as portas para uma transformação do ser (iluminação) que gera amor, compaixão, sabedoria, e liberta o homem da ilusão da separatividade adquirida e dos apegos compensatórios aos quais nos agarramos (poder, riqueza, sexo, drogas, afetos, ilusões, crenças, religiões etc.). Tais apegos, nós os procuramos para preencher nosso vazio interior, nascido de nossa vida sem significado. Como disseram os mestres, somos ainda sub-humanos; nossa vida só adquire significado quando percebermos que somos muito mais que o ego (percepção que vem do auto-conhecimento proporcionado pela meditação). 
- Como é que não podemos amar incondicionalmente a todos se só há uma consciência e sabemos que não estamos separados porque somos essa única consciência?
- O dualismo Deus-mundo não resiste ao exame científico. A nova física destruiu o realismo materialista construído pela física cartesiana. Amit Goswami argumenta que o idealismo monista, advindo da unidade de consciência, é não só compatível com a física quântica, mas até essencial para sua interpretação, tanto que os paradoxos da nova física desaparecem quando examinados do ponto de vista do idealismo monista, explicando mesmo questões como pluralidade aparente de consciências e transcendência.
- De conformidade com a nova física, o processo fundamental da Natureza reside fora do espaço-tempo, gerando eventos que neste se localizam, desde que haja observação. Fora do espaço-tempo tudo é transcendência, é estar em parte alguma e em toda parte, no aqui-agora eterno.
- Os objetos quânticos são simultaneamente onda e partícula; mas nunca podemos observar o aspecto onda de um elétron, pois nunca se manifesta no espaço-tempo; nem é partícula, porque esta aparece, nos experimentos, em locais proibidos às partículas. Logo, a física quântica diz que o objeto quântico não é onda nem é partícula, o que lembra as explicações do budismo Mahayana: “Ele ‘não existe’ e ‘não não existe’, simultaneamente. Nem ele existe, nem ele não existe”.
- O observador (todos os seres sencientes) está inescapavelmente envolvido em fazer que aconteça aquilo que parece estar acontecendo, porque só com sua observação há manifestação no espaço-tempo; sem observação nada existe.
- Escolhemos o resultado específico que se manifesta; os fenômenos são apenas prolongamento de nós mesmos. Mas, segundo os novos físicos, e as tradições de misticismo orientais, nada escolhemos como indivíduos. A escolha é da consciência unitiva (consciência total, Deus), que necessita da observação do cérebro-mente para que o escolhido se manifeste; a observação conclui o processo da escolha atemporal.
- Quando observamos, o mundo se torna objetivo. Quando não observamos, nem a nós mesmos, tudo é um.
- Nós, seres conscientes, não temos consciência; é a consciência que nos tem. Ela tudo abrange, do micro ao macrocosmo; no espaço-tempo e além.
- Nós não estamos conscientes de nosso corpo o tempo todo. Na verdade, em circunstâncias comuns, temos pouquíssima consciência de nós mesmos; de vez em quando temos consciência de estarmos vivos. Noutras palavras, nesses momentos, nós pensamos em nós mesmos. Nessas ocasiões, nossa função de onda entra em colapso e sentimos que existimos. Entre essas ocasiões, nossa função de onda se expande em superposições coerentes no domínio transcendental.
- Aquilo que parece continuidade, para um ser humano que observa a si mesmo, o fato de existir, é, na realidade, uma miragem que consiste de numerosos colapsos descontínuos (como num filme, no qual as imagens são descontínuas mas, pela sua velocidade, nos dão a impressão de que são contínuas) isto é, nós, como todos os objetos quânticos (e todos os objetos são quânticos), quando nos observamos ou somos observados, somos corpo-mente; quando não observados, somos apenas ondas de probabilidades coerentes na imensidade do domínio transcendental (Krishnamurti: um novo estado de existir).
- A consciência escolhe entre alternativas coerentes quando manifesta a realidade material. O colapso é um processo de escolha e reconhecimento por um observador consciente; mas não é que cada um ser humano escolha a seu prazer, pois assim o mundo seria uma confusão; sendo a consciência uma só, só há um observador senciente: a própria consciência, aquilo que denominamos o Absoluto, o Todo, Brahman, Deus. Nós, mentes localizadas, completamos a operação com nossa observação.
- A separatividade é resultado do colapso. Só depois deste é que passam a existir objetos, apenas aparentemente separados. Deve-se pensar em objetos quânticos como objetos em potencial (ondas no domínio não-local da realidade que transcende o espaço-tempo, e que podem se manifestar no espaço-tempo). Antes do colapso, nada existe no mundo da relatividade.
- Nós somos a consciência não-local apenas sutilmente velada, mas por um véu que pode ser penetrado em extensões variadas, como testemunharam místicos através dos tempos. Tal véu é produzido pelo que é chamado de hierarquias entrelaçadas, dois níveis de consciência que se confundem: a primária, absoluta, não-localizada, e a secundária, localizada em cada um.
- A iluminação, samadhi, nirvana, satori, é a percepção da consciência não-localizada, total, primária, e isso só acontece através do salto quântico, um salto para fora do sistema habitual, do condicionamento, fato que proporciona tal poder de criatividade que a consciência se vê a si mesma. É o topo, o ápice do auto-conhecimento, quando ficamos conhecendo aquilo que realmente somos (o “conhece-te a ti mesmo”, dos antigos sábios gregos).
- O universo existe como ‘potência’ informe em uma miríade de ramos (possibilidades), no domínio transcendente, que se torna manifesto quando, e somente quando, observado por seres sencientes.
- Para que a inteligência possa operar, o acionamento de um neurônio tem de ser acompanhado pelo acionamento de numerosos neurônios correlatos, a distâncias macroscópicas (até 10 cm, que é a largura do tecido cortical), fato que ocorre com velocidades além da velocidade da luz. Para que isso aconteça, é preciso que correlações não-locais existam no nível molecular do nosso cérebro, nas suas sinapses. Desse modo, até mesmo o pensamento comum depende da natureza dos eventos quânticos, e é um evento quântico.
- Os objetos quânticos macroscópicos, quando não observados permanecem na função de onda, apresentando espalhamento mínimo; por isso aparentam continuidade e apresentam memória; esse fato, entre outros, é responsável pelo surgimento da identidade do ‘self’” pessoal. Nosso cérebro, objeto quântico macroscópico, possui memória devido ao espalhamento mínimo da onda, quando não observado; os objetos microscópicos não a possuem, pois seu espalhamento é total e sua manifestação, no espaço-tempo, é instantânea, regenerando-se imediatamente; e, por isso, não guardam registro (memória) das experiências pelas quais passou.
- Um elétron ou outra partícula quando sob observação, pode estar aqui ou ali; quando não observado pode estar em qualquer ponto do universo. Há inúmeras provas de experimentos a esse respeito; por exemplo, o experimento das ‘duas fendas’; um anteparo com duas fendas mostra que um fóton ou um elétron só se manifesta como partícula quando observado por uma mente senciente; quando não observado, ele não se manifesta no espaço-tempo, continuando como onda de energia.
- A consciência escolhe o resultado do colapso em todo e qualquer sistema quântico, o que quer dizer que a consciência unitiva escolhe. Uma vez que nossa experiência é consciente, nós escolhemos nossas experiências conscientes, embora permaneçamos inconscientes do processo subjacente. É essa inconsciência que leva à separatividade ilusória, à identidade com o ‘eu’ do self, em oposição ao ‘nós’, ou ‘Eu’, da consciência unitiva.
- Na hierarquia entrelaçada, os níveis estão tão misturados que não podemos identificar os diferentes níveis de consciência. Confundimos a consciência local com a não-local. Por isso ficamos presos na ilusão de que existe um ‘eu’ separado dos demais ‘eus’, e separado do universo manifestado e da consciência total.
- É a descontinuidade ou oscilação instantânea e contínua entre um nível e outro, entre manifestação de partículas e não-manifestação, que nos impede de ver através do véu. Como vemos o mundo do ponto de vista e referência de nosso cérebro (visão e audição, particularmente), temos a ilusão de que somos um ‘eu’ separado, que estamos aqui, dois a cinco centímetros atrás do ponto médio entre as sobrancelhas. Contudo, a ciência quântica, como as tradições místicas, concordam em que não há um ‘eu’ pessoal; o ego é apenas uma referência para uso prático, como afirmou Schroedinger, um dos pais da física quântica.
- Para desfazer essa ilusão temos de saltar para fora do sistema do espaço-tempo, ao qual estamos condicionados, e passar para o nível puro, inviolado, a consciência total (o que pode ser possível através da meditação). O ‘eu’ existe devido à ilusão proporcionada pelo cérebro, de cujo ponto de vista experimentamos o mundo (q é o ‘não eu’).
- O ‘eu’ é conseqüência, portanto, de uma hierarquia de níveis entrelaçados embora nossa consciência seja a mesma consciência do Ser que está além da divisão sujeito-objeto. Não há, no universo, outra consciência. O self da auto-referência e a consciência da consciência original, primária, constituem, juntos, o que chamamos de autoconsciência.
- É a aparência do mundo da manifestação que nos leva à experiência de um self pessoal individual, ou sujeito, separado dos objetos aparentes. Mas, sujeito e objeto manifestam-se simultaneamente no instante do colapso do estado quântico do cérebro-mente, o que produz tanto o cérebro-mente quanto os objetos ‘lá fora’. Sem colapso não há mundo manifestado, nem cérebro-mente para perceber, nem objetos para serem percebidos, portanto, nem sujeito, nem objeto, nem observador, nem coisa observada. Enquanto o cérebro não entra em colapso, o sujeito-observador e o objeto-coisa observada são uma coisa só: o todo.
- O ego é o local onde acontece a auto-referência de todo o universo (como disse Krishnamurti: ‘por ser a mente vazia, existe o cérebro no espaço e no tempo’, isto é, existimos para preencher a mente total, somos os olhos e ouvidos do Absoluto). Em nós, o universo divide-se em dois: a parte do universo que vê e a parte do universo que é vista; isto é, o sujeito que observa e o objeto que é observado, ambos ilusórios.
- O mecanismo de observação-medição do cérebro cria uma memória de cada colapso, isto é, de todas as experiências que temos como reação a um dado estímulo. Se o mesmo, ou um estímulo semelhante, é reapresentado, o registro do cérebro reproduz a velha memória. Esta reprodução torna-se um estímulo secundário para o sistema quântico cérebro-mente, que responde em seguida. O sistema mede a nova resposta e assim continua. Essa interação repetida de observações-medições ocasiona uma mudança fundamental no sistema quântico cérebro-mente e este perde seu caráter regenerativo. (Todo sistema quântico tem características regenerativas instantâneas; daí serem sempre e sempre sistemas novos e sem memória; no entanto, como o cérebro perde seu caráter regenerativo em face da repetição de estímulos e dos estímulos denominados secundários, o cérebro que, como todo sistema quântico não tem memória, passa a tê-la, advindo daí a ilusão de um ‘eu’ que tem continuidade no tempo e é separado dos demais ‘eus’, no espaço e no tempo).
- Antes que a resposta a um dado estímulo se torne condicionada, antes que nós a experimentemos pela enésima vez, o conjunto de probabilidades, as superposições coerentes, entre as quais a consciência escolhe a resposta, abrange os estados mentais comuns a todas as pessoas, em todos os lugares, em todos os tempos. Com o aprendizado, porém, as respostas condicionadas tendem a, gradualmente, ganhar mais peso probabilístico do que as outras respostas não repetidas. Esse é o processo de formação dos comportamentos condicionados, aprendidos e conservados na memória de cada indivíduo. Uma vez aprendida uma tarefa, em todas as situações que a envolvam estará presente, em quase cem por cento, a probabilidade de que uma memória correspondente desencadeie uma resposta condicionada, impedindo as respostas criativas, novas, que a consciência traz. Livrando-se do condicionamento, o homem poderá ter soluções criativas, não experimentadas antes, e poderá ter despertados, em si mesmo, o amor, a compaixão e a sabedoria.
- O universo existe como ‘potência’ informe em uma miríade de ramos (possibilidades), no domínio transcendente, que se torna manifesto quando, e somente quando, observado por seres sencientes.
- Para que a inteligência possa operar, o acionamento de um neurônio tem de ser acompanhado pelo acionamento de numerosos neurônios correlatos, a distâncias macroscópicas (até 10 cm, que é a largura do tecido cortical), fato que ocorre com velocidades além da velocidade da luz. Para que isso aconteça, é preciso que correlações não-locais existam no nível molecular do nosso cérebro, nas suas sinapses. Desse modo, até mesmo o pensamento comum depende da natureza dos eventos quânticos, e é um evento quântico.
- Os objetos quânticos macroscópicos, quando não observados permanecem na função de onda, apresentando espalhamento mínimo; por isso aparentam continuidade e apresentam memória; esse fato, entre outros, é responsável pelo surgimento da identidade do ‘self’” pessoal. Nosso cérebro, objeto quântico macroscópico, possui memória devido ao espalhamento mínimo da onda, quando não observado; os objetos microscópicos não a possuem, pois seu espalhamento é total e sua manifestação, no espaço-tempo, é instantânea, regenerando-se imediatamente; e, por isso, não guardam registro (memória) das experiências pelas quais passou.
- Um elétron ou outra partícula quando sob observação, pode estar aqui ou ali; quando não observado pode estar em qualquer ponto do universo. Há inúmeras provas de experimentos a esse respeito; por exemplo, o experimento das ‘duas fendas’; um anteparo com duas fendas mostra que um fóton ou um elétron só se manifesta como partícula quando observado por uma mente senciente; quando não observado, ele não se manifesta no espaço-tempo, continuando como onda de energia.
- A consciência escolhe o resultado do colapso em todo e qualquer sistema quântico, o que quer dizer que a consciência unitiva escolhe. Uma vez que nossa experiência é consciente, nós escolhemos nossas experiências conscientes, embora permaneçamos inconscientes do processo subjacente. É essa inconsciência que leva à separatividade ilusória, à identidade com o ‘eu’ do self, em oposição ao ‘nós’, ou ‘Eu’, da consciência unitiva.
- Na hierarquia entrelaçada, os níveis estão tão misturados que não podemos identificar os diferentes níveis de consciência. Confundimos a consciência local com a não-local. Por isso ficamos presos na ilusão de que existe um ‘eu’ separado dos demais ‘eus’, e separado do universo manifestado e da consciência total.
- É a descontinuidade ou oscilação instantânea e contínua entre um nível e outro, entre manifestação de partículas e não-manifestação, que nos impede de ver através do véu. Como vemos o mundo do ponto de vista e referência de nosso cérebro (visão e audição, particularmente), temos a ilusão de que somos um ‘eu’ separado, que estamos aqui, dois a cinco centímetros atrás do ponto médio entre as sobrancelhas. Contudo, a ciência quântica, como as tradições místicas, concordam em que não há um ‘eu’ pessoal; o ego é apenas uma referência para uso prático, como afirmou Schroedinger, um dos pais da física quântica.
- Para desfazer essa ilusão temos de saltar para fora do sistema do espaço-tempo, ao qual estamos condicionados, e passar para o nível puro, inviolado, a consciência total (o que pode ser possível através da meditação). O ‘eu’ existe devido à ilusão proporcionada pelo cérebro, de cujo ponto de vista experimentamos o mundo (q é o ‘não eu’).
- O ‘eu’ é conseqüência, portanto, de uma hierarquia de níveis entrelaçados embora nossa consciência seja a mesma consciência do Ser que está além da divisão sujeito-objeto. Não há, no universo, outra consciência. O self da auto-referência e a consciência da consciência original, primária, constituem, juntos, o que chamamos de autoconsciência.
- É a aparência do mundo da manifestação que nos leva à experiência de um self pessoal individual, ou sujeito, separado dos objetos aparentes. Mas, sujeito e objeto manifestam-se simultaneamente no instante do colapso do estado quântico do cérebro-mente, o que produz tanto o cérebro-mente quanto os objetos ‘lá fora’. Sem colapso não há mundo manifestado, nem cérebro-mente para perceber, nem objetos para serem percebidos, portanto, nem sujeito, nem objeto, nem observador, nem coisa observada. Enquanto o cérebro não entra em colapso, o sujeito-observador e o objeto-coisa observada são uma coisa só: o todo.
- O ego é o local onde acontece a auto-referência de todo o universo (como disse Krishnamurti: ‘por ser a mente vazia, existe o cérebro no espaço e no tempo’, isto é, existimos para preencher a mente total, somos os olhos e ouvidos do Absoluto). Em nós, o universo divide-se em dois: a parte do universo que vê e a parte do universo que é vista; isto é, o sujeito que observa e o objeto que é observado, ambos ilusórios.
- O mecanismo de observação-medição do cérebro cria uma memória de cada colapso, isto é, de todas as experiências que temos como reação a um dado estímulo. Se o mesmo, ou um estímulo semelhante, é reapresentado, o registro do cérebro reproduz a velha memória. Esta reprodução torna-se um estímulo secundário para o sistema quântico cérebro-mente, que responde em seguida. O sistema mede a nova resposta e assim continua. Essa interação repetida de observações-medições ocasiona uma mudança fundamental no sistema quântico cérebro-mente e este perde seu caráter regenerativo. (Todo sistema quântico tem características regenerativas instantâneas; daí serem sempre e sempre sistemas novos e sem memória; no entanto, como o cérebro perde seu caráter regenerativo em face da repetição de estímulos e dos estímulos denominados secundários, o cérebro que, como todo sistema quântico não tem memória, passa a tê-la, advindo daí a ilusão de um ‘eu’ que tem continuidade no tempo e é separado dos demais ‘eus’, no espaço e no tempo).
- Antes que a resposta a um dado estímulo se torne condicionada, antes que nós a experimentemos pela enésima vez, o conjunto de probabilidades, as superposições coerentes, entre as quais a consciência escolhe a resposta, abrange os estados mentais comuns a todas as pessoas, em todos os lugares, em todos os tempos. Com o aprendizado, porém, as respostas condicionadas tendem a, gradualmente, ganhar mais peso probabilístico do que as outras respostas não repetidas. Esse é o processo de formação dos comportamentos condicionados, aprendidos e conservados na memória de cada indivíduo. Uma vez aprendida uma tarefa, em todas as situações que a envolvam estará presente, em quase cem por cento, a probabilidade de que uma memória correspondente desencadeie uma resposta condicionada, impedindo as respostas criativas, novas, que a consciência traz. Livrando-se do condicionamento, o homem poderá ter soluções criativas, não experimentadas antes, e poderá ter despertados, em si mesmo, o amor, a compaixão e a sabedoria.
- Para livrar-se do condicionamento entre o despertar das respostas condicionadas mentais e a ânsia física de agir de acordo com elas e, desse modo, pode reforçar a capacidade de ‘nosso’ livre-arbítrio, de decidir contrariamente às respostas e aos atos condicionados, com isso enfraquecendo nosso condicionamento que, com a persistência na prática de meditação, poderá ser superado.
- No sonho e na hipnose, o self torna-se, principalmente testemunha (isto é, vê mas não interfere) e entra num estado que se caracteriza pela ausência de eventos de percepção secundária; assim, são enfraquecidas as inibições normais contra o colapso de estados mentais reprimidos. Por esse motivo, sonho e hipnose são úteis para trazer o inconsciente à percepção consciente. Na EQM, experiência de quase morte, o imediatismo desta libera grande volume do condicionamento inconsciente reprimido, tanto coletivo quanto pessoal; por isso, numerosos pacientes saem dessa experiência transbordantes de alegria e paz, pois, sem condicionamentos, a percepção da realidade é expandida.
- Como superar as esmagadoras possibilidades de respostas condicionadas para conseguir as respostas novas, não condicionadas, criativas? - 1.º) minimizando o condicionamento mental, mantendo conscientemente uma mente aberta ao novo, o que tende a aumentar a possibilidade de respostas não condicionadas; 2.º) pela persistência, que vem aumentar as probabilidades de que uma idéia criativa, mesmo de baixa possibilidade, se manifeste; a persistência aumenta o número de colapsos do estado quântico da mente-cérebro relativo à questão, elevando a probabilidade de conseguirmos uma resposta nova; 3º.) uma vez que a observação consciente é que produz o colapso da superposição coerente existente relativa ao problema, há certa vantagem no processamento inconsciente (meditação, sonho, hipnose) das quais pode aflorar o desconhecido. Disse Spencer Brown: ‘nenhuma atividade, nenhum raciocínio, nenhuma cálculo, nenhum comportamento agitado, nenhuma conversa (cérebro em silêncio); apenas contemplação, mantendo em mente, sem esforço, simplesmente, aquilo cuja resposta desejamos’.
- A atenção, na meditação, a todo o campo da percepção, ou a um mantra, ou objeto mental, desvia nossa atenção de pensamentos ociosos, pois nossa consciência não pode focalizar duas coisas ao mesmo tempo. O mundo externo, que existe em nós como um mapa interno, começa a ceder à medida que nos tornamos mais competentes na atenção ao processo da meditação. Finalmente, chegamos a um ponto em que a própria mente parece habituar-se: embora os eventos no campo da percepção secundária ainda estejam presentes, eles serão poucos e muito separados entre si e, nesses hiatos, os processos primários (do self-quântico) podem revelar-se em sua essência.
- A percepção do processo primário é a percepção atemporal, além do espaço-tempo; o meditador estará livre do espaço-tempo, além do ego e, como afirmam os sábios, e as escrituras ditas sagradas, entre elas o Antigo Testamento, ‘quando o eu não é, Deus é’; é, portanto, a percepção do Absoluto ou, se quisermos, a percepção da divindade, a percepção de Deus.
- Como ensinou o profeta, ‘Aquieta-te e sabe: eu sou Deus’, isto é, quando conseguimos silenciar o ‘eu’, quem está ali não é mais nosso ilusório ‘ego’, com suas memórias, expectativas, emoções, desejos, apegos; quando o ‘eu’ não está, quem está é o próprio Deus. O ‘eu’, a consciência localizada do ego cessando, pela perseverança na meditação, abre espaço que pode ser preenchido pela própria Divindade, q sempre somos. Por isso, aquietando-se o ego, sabemos que quem está ali é o próprio Deus. O aquietamento do ‘eu’ se consegue pela perseverança na meditação.
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