quarta-feira, 6 de março de 2013

AOS ESPIRITAS: SOBRE OBSESSÕES E SOBRE A RESPONSABILIDADE POR ELAS


      A amiga MM trouxe texto "Não facilite o trabalho dos obsessores", sobre o qual vamos conversar.

      A amiga MM me permita algumas questões sobre o texto q trouxe.  A intenção é raciocinar para compreender melhor.

      O texto afirma q “o obsessor se alimenta de energias produzidas por sensações... emoções viciantes, que trazem dependência, vontade de querer cada vez mais...”      

      E aqui cabe uma primeira pergunta: se as emoções viciantes são a causa das dependências, da vontade de querer cada vez mais etc, e se todo efeito tem sua causa, qual é a causa que tem como efeito as emoções viciantes? Nascem espontaneamente? Já as possuímos desde o ato da criação? Somos responsáveis por tê-las? Se somos, o q foi q nos levou a escolher ou desejar possuí-las? Ou, se não somos responsáveis por possuí-las, estamos sendo obsedados gratuitamente?  

      E como no texto se afirma q “o obsessor nasce de carências, ilusões, medos, fascínios e vaidades”, coisas q, por sua vez, “nascem da ignorância e do ego negativo”, o homem sofre sem culpa? Ou o homem é culpado ou responsável por ser ainda ignorante e por ter um ego negativo? Quem saberá responder? 

     Será verdade q o plano divino, para a evolução dos espíritos, decreta sofrer mesmo q não se mereça sofrer?

      Texto: A emoção é energia produzida pelo ego,... precisa ser dominada pelo Eu superior; caso contrário, ela domina o seu criador.

      Cel: isso é difícil, se não impossível, de entender: o criador dessa energia negativa não é o homem, não é o espírito; e, como diz o texto q ela pode dominar o homem, ficamos pensando q, já q isso implica sofrimento, novamente o texto está afirmando q o homem sofre sem merecer sofrer! É isso mesmo? Pois toda responsabilidade por tais coisas nocivas não vêm do homem, mas da “ignorância e do ego negativo”, coisas q independem da vontade do espírito! 

      O texto diz q essa “energia precisa ser dominada pelo Eu superior; caso contrário, ela domina o seu criador”; e, assim, como milhares de outros textos, traz conselhos sobre ; neste está, é evidente, o conselho de : dominar essa energia emocional através do poder ou sabedoria do “Eu superior”. está aí aconselhado, ensinado, porém, como sempre, o não é ensinado. E quem é q sabe como se valer do Eu superior para dominar essa energia tão nociva? Quem sabe dizer isso?  Esses e as crenças q sabem o porq não ensinam aos demais? Só há uma resposta para isso: não sabem; o é ensinado, mas esse ensinamento está além das religiões conhecidas, das religiões populares ou organizadas segundo escritos ditos sagrados.

      Os amigos, lendo com atenção, devem perceber q tudo q está no texto se refere a problemas q não dependem da vontade, da decisão ou da escolha dos encarnados. Todas essas coisas resultam de “ignorância”, ou de “dúvidas”, ou de “esquecimento”, conforme o texto mesmo está dizendo e com essas mesmas palavras. Assim, não nos cabe qualquer responsabilidade por isso. Portanto, sofremos obsessões e seus conseqüentes problemas, q muitas vezes implicam dores e padecimentos, sem merecer sofrer! Será isso uma verdade? Ou as interpretações q estamos dando a essas coisas, inclusive ao q seja Deus, estão equivocadas?
      
      O texto, também, afirma q somos nós q criamos o egoísmo, afirmação com q discordo totalmente. O egoísmo nada mais é q um sentimento “natural” de todos os humanos e não humanos. É criado do confronto de nossa natureza, como nos é dada por Deus, com a natureza do mundo, como ao mundo é dada por Deus. Assim, como dizer q nós o criamos?! A própria doutrina afirma q o egoismo é resultante de nos encontrarmos muito próximos à matéria!

      O texto diz: nos iludimos criando o egoísmo... não aprendemos a conquistar essa energia por meio da conexão com Deus..., acabamos buscando-a de forma equivocada... e nos tornamos apegados e dependentes!...

      Cel: pois aí está dizendo q sofremos por algo q não é responsabilidade nossa! Será isso q a doutrina ensina?

      E qto aos atrativos do mundo: ser mais belos e mais fortes, ter mais poder, riqueza, ser mais importantes, os parceiros mais encantadores... ter os melhores carros, as melhores roupas, melhores amores... ter o sentimento de ser  amado etc etc...? Não há dúvidas q tudo isso nos atrai ao ponto de, tantas vezes, nos fazer cometer absurdos, e sofrimentos aos semelhantes e a nós mesmos! Sofremos e fazemos outros sofrerem, é verdade, mas qual é a causa de sermos atraídos por essas coisas q, conforme acreditamos, nos trazem satisfação e prazer? O q isso tem a ver com nossa responsabilidade?  Porq somos levados a desejar aquelas coisas q nos parecem necessárias e prazerosas? Porq criamos a necessidade de possuí-las?  

      Ou, mais especificamente, porq Deus encheu a estrada do mal de atrativos palpáveis, visíveis, concretos, perceptíveis aos nossos sentidos, belos, gostosos, perfumados, macios,inebriantes, enquanto, na estrada do bem, só colocou coisas apenas imaginadas, supostas como verdades, pois q muitos as consideram como ilusões e inverdades, q não passam de promessas e de suposições vindas do q está nas escrituras e das palavras dos Grandes, das crenças e instrutores? 

      E o texto afirma ainda: q somos dependentes, não livres! Apegados, e assim, não estamos no caminho mais fácil! Obsediados e q nós mesmos alimentamos as obsessões com nossos erros! Que não aprendemos a domar as emoções! Que ficamos apáticos... hiperativos... negligentes e impotentes para mudar o mundo e, q assim, criamos cada vez mais e mais problemas para a boa marcha da vida dos homens.

      E, depois de tudo isso, pergunto: se sofremos devido a tudo isso e se, conforme as religiões e doutrinas e, em face do amor e da justiça divina, só sofre quem merece sofrer, porq sofremos? Ou somos os culpados ou responsáveis por todos esses problemas apresentados no texto? Ou, no plano divino, para a evolução dos seres, o método mais eficiente é fazer sofrer, mesmo q não haja motivo para isso? E vejam quais são os sofrimentos do mundo.......!

      Infelizmente, muitos dos companheiros não se interessam em procurar as respostas às questões feitas, cuja finalidade é compreender o de q estamos falando ou estudando, mas... o que fazer? Muitas vezes coloquei essas perguntas, mas ninguém as responde como se já tivesse compreendido tudo e nada mais precisasse compreender! 
      Infelizmente, tem sido assim.
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segunda-feira, 4 de março de 2013

COMO AVALIAR ESPÍRITOS SUPERIORES?


      Aos espíritas.

      Amigos,

      Um amigo trouxe a afirmação de q “os espíritos q escolheram Kardec para a missão de codificar o espiritismo, e q colaboraram na realização dessa codificação, eram “espíritos superiores”.”
      
      Frente a essa afirmação e procurando entendê-la, falei ao amigo:
      “Aí está uma coisa para a qual, há muito, desejo q alguém traga esclarecimento: como podemos compreender a afirmação de q os espíritos, q colaboraram para a realização da codificação, eram “espíritos superiores”? Quem teve, ou tem, competência para avaliá-los, senão espíritos superiores a eles, isto é, espíritos de classe mais elevada q a deles? E esses espíritos mais elevados se manifestaram a alguém, se manifestaram ao codificador, assegurando-lhe q aqueles eram espíritos superiores? Isso foi registrado ou é apenas suposição?

      Como o amigo nada respondeu, dirijo a questão aos seguidores da doutrina espírita!
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domingo, 3 de março de 2013

A EMANCIPAÇÃO DA ALMA


      Amigos       

      À pergunta sobre como podemos realizar a emancipação de alma, referida pelas filosofias orientais, um amigo respondeu:

      Amigo: Abandone o vicio do egoísmo, as paixões, desejos, suas verdades,... para muitos isso é impraticável porque não desejam abandonar suas posses (materiais, sentimentais e morais)...

      Procure o guia seguro... Leia e releia o Sermão do  Monte com os olhos da alma,... pesando cada palavra e frase. Compreenda o significado e viva de acordo com ele. O demais será conseqüência... 

      Cel: o amigo tem razão no que disse; só um ponto a acrescentar: e “como” é q o homem egoísta deve fazer para abandonar o vicio do egoísmo? Ou “como” é q aquele q está dominado pelas paixões e desejos, e convencido de q suas verdades pessoais são as verdades da vida, deve fazer para q isso não mais o afete? “Como” deve fazer aquele q está algemado a suas posses materiais, sentimentais e morais, q muitas vezes são a razão de seu existir, para q essas algemas sejam destruídas? 

      Diz o amigo: leia e releia o Sermão do Monte com os olhos da alma, pesando cada palavra e frase. Compreenda o significado e viva de acordo com ele. O demais será conseqüência... 

      Mas, de q adianta dizer a alguém o que fazer: seja humilde de espírito, q vc herdará o Reino dos Céus! Seja manso, misericordioso, puro de coração, seja pacífico e pacificador q, assim sendo, vc será recompensado por Deus! Não se preocupe tanto por ser perseguido pelo fato de vc ser justo, ou por lhe estarem levantado calúnias e falsos-testemunhos, por vc estar seguindo, exemplificando, atendendo os ensinamentos de Jesus, não se preocupe, pois vc será muito bem recompensado nos céus! 

      Esse alguém, por receber tais conselhos, os atenderá? Por lhe dizerem q será mais feliz, mesmo q seja num futuro próximo, saberá para abandonar essas imperfeições?

      De q adianta aconselhar ao egoísta q deixe de ser egoísta; ao orgulhoso, q seja humilde; ao desonesto q seja honesto; ao vicioso q seja virtuoso? Mesmo q lhes digam q serão muito bem recompensados por isso? E nessas promessas, eles acreditarão, mesmo q se lhes afirme q se concretizarão imediatamente?

      Essa transformação do homem não vem de conselhos, nem de exemplos, mas da profunda compreensão de q deve ser assim. E essa compreensão só pode nascer da observação profunda de q a vida, as ciências, psicologias, filosofias, religiões, enfim, de q o mundo não tem solução para os problemas e dores dos humanos e não humanos.  E essa compreensão poderá, eventualmente, levar o homem a procurar a solução para esses problemas além mesmo do q ensinam as religiões do mundo. E essa procura, se realizada com firme determinação (Jesus disse: “Buscai, em primeiro lugar, o reino...”, “Aquele q não abandonar pai e mãe para seguir-me...”, “... deixa q os mortos enterrem seus mortos, e segue-me tu”, “... se desfez de tudo q tinha para comprar aquele campo”) poderá levar o homem, também eventualmente, a encontrar a solução para todos os problemas, sem exceção de nenhum!

     É daí que virá a transformação total.
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sábado, 2 de março de 2013

AINDA SOBRE ILUMINAÇÃO E SOBRE CESSAR O PENSAMENTO



      O amigo EE escreveu: Em mais de 5.000 anos de cultura védica os indianos, tampouco ninguém mais, ainda não assimilaram essa filosofia...

      Cel: meu amigo, vc deve concordar q é extremamente  arriscado fazer uma afirmação como essa. Só pode ser feita, e sempre com muita coragem e insegurança, por alguém que tenha estudado a fundo e conheça toda a história desse povo e dessa cultura, como se desenvolveu durante esses 50 séculos passados. 

      E quem tem condições de fazer isso? Nem na história dos povos da atualidade podemos ter confiança total! Este país, com apenas 5 séculos, tem uma história ainda cheia de fases por conhecer, outras suspeitas e outras até mesmo consideradas invencionices para esconder atos irresponsáveis de governantes e poderosos, injustiças e arbitrariedades. Essa é a historia de nosso mundo, vc sabe.  

      Mesmo a bíblia está repleta dessas coisas; poderosos, sobretudo da igreja, a distorceram tanto, nesses milênios passados, para justificar desmandos e absurdos praticados, q pesquisadores, historiadores e estudiosos idôneos chegam a afirmar q, mesmo com relação aos evangelhos, devemos desconfiar de mais de 99% do q lá está registrado.

      Sendo assim, como é q nós podemos vir a compreender o que aconteceu com culturas em seus 5 mil anos de existência  e o q delas está preservado pelos homens dos dias atuais?

      EE:... não compreendo como se pretende que, através de recursos mentais do ser pensante, que o ser pensante deixe de pensar para que se livre do ego e conheça a verdade libertadora, a que Jesus se referiu. O que isso, afinal de contas?

      Cel: é esse o pensamento de muitos, meu amigo e, aqui, devo trazer uma sábia recomendação da codificação, q muitos não atendem, e q está lá no LM, cap 3, item 35, aconselhando q estudemos outras linhas de pensamentos espiritualistas q existem pelo mundo e q as comparemos com a nossa.

      SK, citado por EE: O pensamento cessou - o pensamento que é memória, acumulação de experiências, de cicatrizes do passado; e quando a mente está de todo em todo tranqüila - sem ter sido posta tranqüila - a realidade se manifesta. Essa experiência é a experiência da realidade, e não da ilusão, e tais experiências proporcionam bênçãos ao homem. A verdade, o amor, é o desconhecido, e o desconhecido não pode ser capturado pelo conhecido. O conhecido precisa cessar, para o desconhecido ser; e quando o desconhecido surge na existência, derrama-se uma benção. (Krishnamurti)

      EE: ... é meio durinho de entender, não é? 

      Cel: é sim, mas não só “meio” durinho; é “muito” durinho de entender, sobretudo para nós ocidentais, q só temos olhos nos conceitos vindos do cristianismo q, como disse acima, foi submetido a tantas interpolações e extrapolações q o desvirtuaram ao ponto de antropólogos, sociólogos e outros estudiosos do cristianismo primitivo, afirmarem q isso q as doutrinas cristãs ensinam hoje, quase nada tem a ver com o cristianismo dos primeiros séculos.

      Nós, ocidentais, esquecemos q nosso planetinha tem dezenas e dezenas de denominações religiosas, todas com divisões e subdivisões, muitas de muitos milênios atrás e q podem ter ensinamentos de grande importância para o crescimento espiritual. E, muitas vezes, aceitamos passivamente tudo q nos vem às mãos por termos total confiança em suas fontes, e descartamos tudo mais.
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sexta-feira, 1 de março de 2013

ILUMINAÇÃO - Testemunhos e Depoimentos


      Amigos, para ler e refletir;  há muito mais do q isso, inclusive na ciência moderna.

      ILUMINAÇÃO (Tentativas de explicar e testemunhos).                                 

      Para que alguém possa ingressar na Consciência Cósmica precisa pertencer à camada superior do mundo da autoconsciência. Não que precise ter inteligência extraordinária (isso tem sido muito valorizado no pensamento de todos, mas não é verdade), embora não deva ser deficiente nesse aspecto.

      Richard Maurice Bucke, psiquiatra canadense, que passou pela experiência, tenta explicar a iluminação (“Consciência Cósmica”):
“Ela está além das palavras e símbolos” (Paulo: “vi e ouvi coisas indizíveis”; Buda: “perguntas sobre isso são irrelevantes; venha e tenha sua própria experiência!”):
      a) a pessoa, de repente, sem aviso, tem a sensação de estar mergulhada numa chama ou nuvem cor de rosa ou avermelhada, ou de que sua mente está preenchida por essa nuvem;
      b) no mesmo instante, se vê banhada por uma emoção de alegria, confiança, triunfo, salvação (esta palavra não representa exatamente o que significa a coisa, mas é a convicção de que a salvação não é necessária, pois o esquema do universo já é nesse sentido. É um êxtase muito além de tudo imaginado. Isso foi relatado em todos os tempos por aqueles que passaram por ele. Assim, Gautama (o Buda), em seus discursos, preservados pelos Sutras; Jesus (o Cristo), em seus sermões e parábolas; Paulo, nas Epistolas; Dante, no Purgatório e no Paraíso; Shakespeare, nos Sonetos; Balzac, em Serafita; Whitman, em Folhas da Relva; Eduard Carpenter, em Rumo à Democracia; Pascal, em seu Amuleto Místico e muitos outros mais);
      c) simultaneamente, recebe uma iluminação intelectual impossível de ser descrita. Como um raio, apresenta-se à sua consciência uma concepção clara que lhe dá o significado e direção do universo. A pessoa não passa simplesmente a crer, mas vê e sabe que o cosmos não é matéria morta, mas presença viva. Que os seres sencientes são partículas de morte relativa num oceano infinito de vida. Vê que a vida do homem é eterna; que a alma do homem é tão imortal quanto Deus. Que o universo é construído e ordenado de tal forma que, sem sombra de dúvida, todas as coisas funcionam juntas para o bem de todos; que o principio criador do mundo é o que chamamos amor e que a felicidade de todos é absolutamente certa. A pessoa conhecerá, em alguns instantes de duração dessa experiência, mais do que poderia conhecer em muitos anos com os melhores mestres. Aprenderá o que nenhum estudo jamais ensinou nem poderá ensinar. Obtém, sobretudo, uma concepção da totalidade (do Todo, da unicidade) que excede a qualquer outra concepção, imaginação ou especulação. Tal concepção torna velhas, insignificantes e até ridículas todas as tentativas anteriores de apreender o significado do universo e seu sentido. Os mistérios maiores não lhe são revelados: ele os contempla. Vê a origem de todos eles, de todos os contrastes e princípios discordantes, de toda dureza e suavidade, severidade e brandura, doçura e amargor, amor e sofrimento, bem e ‘mal’, céu e inferno. Junto com essa elevação moral e iluminação intelectual surge uma consciência de imortalidade. É muito mais do q uma convicção, é muito mais simples e elementar; é uma certeza absoluta e total de que sempre foi assim. O medo da morte, que faz sofrer a todos, cai como um manto velho, não como resultado do raciocínio, mas simplesmente desaparece. O mesmo acontece com a noção de pecado; não que a pessoa agora escape do pecado, mas ela deixa de ver no mundo qualquer pecado do qual deva escapar. Essa iluminação é como deslumbrante relâmpago numa noite escura que ilumina tudo que se acha oculto à mente; é a visão total. Mesmo a aparência da pessoa pode se tornar semelhante à de quem está sob intensa alegria (Moisés, Jesus, Francisco de Assis, Whitman...). Há uma gigantesca ampliação da consciência e das faculdades intelectuais independentemente de qualquer processo de aprendizado. O individuo percebe que absolutamente não é um individuo ou um ‘eu’ separado, uma consciência separada das demais e do mundo (q tudo é Um). Adquire, instantaneamente, uma capacidade infinitamente maior de conhecimento e de iniciativa para praticar qualquer ação (sabedoria). Sabe que o universo está construído para a felicidade de todos; que a existência continua para além do que chamamos morte.
      Resumindo: “1) luz subjetiva; 2) elevação moral; 3) iluminação intelectual; 4) consciência de imortalidade; 5) perda do medo da morte; 6) perda da noção de pecado; 7) desponta subitamente; 8) o fascínio adquirido pela personalidade que faz com que os demais se sintam atraídos por ela; 9) a aparência de ‘transfiguração’, muitas vezes percebida pelos outros; 10) com tudo isso vem uma certeza esmagadora de que o universo, exatamente como sempre foi e como é neste momento, é tão completamente correto e perfeito que não necessita de qualquer explicação ou justificativas além da de que ele simplesmente é. A existência não apenas deixa de ser um problema; a mente fica tão maravilhada diante de tudo, das coisas e fatos, incluindo até aquilo que, comumente, seria considerado ‘o pior’, que não consegue encontrar palavras para expressar a perfeição e a beleza da experiência. Vem-lhe a impressão de que o mundo se tornou luminoso e transparente, enquanto sua simplicidade dá a impressão de que tudo é ordenado por uma inteligência suprema. É comum perceber que todo o mundo se tornou seu próprio corpo e que o indivíduo sente que aquilo que ele é, não se tornou assim com a experiência, mas que sempre foi aquilo que tudo o mais é. Percebe que a existência individual é apenas um ponto de vista adotado por “alguma coisa” desmedidamente maior do que ele mesmo. O cerne da experiência parece ser a convicção ou compreensão de que o “agora” imediato, seja qual for sua natureza, é a meta e a realização de todo o viver. Êxtase emocional, sensação de profundo alivio, liberdade e leveza e, com freqüência, um amor quase insuportável pelo mundo, fluem dessa percepção. E a compreensão disso tudo nunca se apaga”.
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      William James, um dos mais célebres psicólogos e filósofos da América, fundador da moderna ciência da psicologia, e profundo investigador da psicologia da experiência religiosa ou mística: “O próprio céu pareceu se abrir e lançar raios de luz e glória. Não apenas por um momento, mas durante todo o dia e toda a noite, torrentes de luz e gloria pareciam me inundar a alma e, oh!, como fui transformado, e tudo se tornou novo. Todas as coisas me pareciam diferentes, mas eram as mesmas coisas de sempre.
      Voltei para a sala e ia me sentar quando a visão mudou. Abriu-se uma grande clareira e o chão parecia ceder... Olhei em derredor, para cima e para baixo, e todo o universo com seus múltiplos objetos percebidos pelos sentidos, parecia agora bastante diferente; o que era antes abominável ou detestável, juntamente com a ignorância e as paixões, agora nada mais era do que o fluxo de minha própria natureza profunda, que em si mesma continuava a ser brilhante, verdadeira e transparente”.
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      Richard Maurice Bucke (complementando): ‘De súbito, sem qualquer aviso, vi-me envolvido por uma nuvem rubra. Por um instante pensei em fogo, um grande incêndio na grande cidade. Em seguida, conheci que o fogo estava dentro de mim. Logo depois me senti exultante, uma alegria imensa, acompanhada de uma iluminação intelectual impossível de descrever. Entre outras coisas, não passei apenas a acreditar, mas vi que o universo não é uma coisa morta, porém, ao contrário, é uma presença viva; tomei consciência da vida eterna em mim mesmo. Não era uma convicção de que eu teria a vida eterna, mas a convicção de que sempre tive vida eterna. Vi que todos os homens são imortais; que a ordem cósmica é tamanha que, sem sombra de dúvida, todas as coisas funcionam juntas para o bem de tudo e de todos; que o principio do mundo e de todos os mundos é o que chamamos amor e que a felicidade de todos é absolutamente certa”.
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      ‘Se você compreende, as coisas são como são; Se você não compreende, as coisas são como são’ (do Zen). ‘Quem puder compreender, compreenda!’ (Jesus); ‘Não pergunte nada! Venha e tenha sua própria experiência!’ (Buda).
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      “O homem é infeliz porq não sabe que é feliz. Apenas isso. Isso é tudo, isso é tudo! Se alguém descobre que será completamente feliz em curto tempo, ou imediatamente, nesse mesmo instante ele deixará de ser infeliz. Está tudo bem. Eu descobri isso repentinamente. Me perguntaram ‘e se alguém morre de fome, e se alguém insulta e maltrata um inocente, uma criança, está tudo bem?’ ‘Sim! E se alguém estoura os miolos por causa da namorada, está tudo bem. E se alguém não faz isso, também está tudo bem. Tudo está bem, tudo! Esta bem para todos que sabem que está tudo bem. Se eles soubessem que está bem para eles, seria bom para eles mas, enquanto não sabem que está bem, estará mal para eles. Esta é a verdade, toda a verdade. Eles são maus porque não sabem que são bons. Quando perceberem que são bons, não mais maltratarão uma menininha. Descobrirão que são bons e eles se tornarão bons, todos eles!” (John White, cientista e pesquisador nas áreas das para-ciências, estados de consciência e desenvolvimento humano superior.).

      Allan W. Watts (pesquisador e escritor sobre a natureza da realidade, alta consciência, sentido da vida, busca da felicidade,  formação de um novo homem):  ‘Certa noite, logo que comecei a estudar as filosofias hindu e chinesa, eu estava sentado junto à lareira, tentando compreender qual seria a atitude mental correta na meditação daquelas escolas. Diversas atitudes afiguravam-se possíveis mas, como pareciam contraditórias, eu tentava sintetizá-las numa só; em vão. Por fim, totalmente insatisfeito, decidi rejeitá-las todas e não assumir uma atitude especifica. No impulso de abandoná-las parece que eu também me abandonei pois, de súbito, o peso do meu corpo desapareceu. Senti que eu nada possuía, nem mesmo uma personalidade, e que também nada me possuía. O mundo inteiro tornou-se tão transparente e livre quanto minha própria mente; o ‘problema que a vida é’ simplesmente deixou de existir. E durante cerca de dezoito horas eu e tudo à minha volta éramos como o vento soprando as folhas de um campo num dia fresco de outono’.
      ‘Outra vez, eu andava tentando praticar a consciência constante do presente imediato (do aqui-agora), diferente das divagações, lembranças e expectativas habituais, quando alguém, certa noite, observou: ‘Mas porque tentar viver no presente? Não estamos sempre exatamente no presente mesmo quando estamos pensando no passado ou no futuro?’ Essa observação, na verdade bastante óbvia, me produziu novamente a sensação repentina de não ter peso. Ao mesmo tempo, o presente pareceu tornar-se uma espécie de quietude em movimento, um fluxo eterno do qual nem eu nem nada podia se desviar. Vi que tudo, exatamente como é agora, é toda a razão de existir a vida e o universo. Percebi que, ao afirmarem ‘Tu és Isto!’ ou ‘Todo este mundo é Brahaman’, os Upanishades estavam querendo dizer exatamente o que disseram. Cada coisa, cada fato, cada experiência, em seu inevitável agora e com toda sua individualidade particular, é precisamente o que deve ser, a ponto de adquirir uma autoridade e uma originalidade divinas. Percebi com a mais plena clareza que nada disso dependia do fato de, agora, eu estar vendo assim. É o modo como as coisas são, quer eu compreenda ou não. ‘Isso também é Isto’. Senti que agora eu entendia o que o cristianismo queria dizer com ‘Deus é amor’, isto é, que não obstante a ‘imperfeição’ das coisas, ainda assim Deus as amava exatamente como elas eram, e que esse amor equivalia a divinizá-las. Dessa vez a sensação de leveza e claridade durou toda uma semana’.

      Eckhart, místico cristão: ‘Quanto mais Deus está em todas as coisas, tanto mais está fora delas. Quanto mais Deus está fora, tanto mais está dentro’.

      William Law: ‘Embora Deus esteja presente em toda parte, ele só está presente para ti na região mais profunda de tua alma. Os sentidos naturais não podem possuir Deus, nem unir-te a ele: na verdade as faculdades intrínsecas de compreensão, raciocínio, imaginação, memória e vontade só podem procurar alcançar Deus, mas não podem ser o local de sua morada em ti e nem podem encontrá-lo. Existe, porém, em ti uma profundeza de onde emanam todas essas faculdades, como raios que partem do centro de tua alma. Essa profundeza é a unidade, a eternidade, a infinidade. Pois ela é tão infinita que nada pode satisfazê-la ou dar-lhe descanso senão a infinidade de Deus’.

      Plotino: ‘Cada ser contém em si mesmo todo o universo. Portanto, Tudo está em toda parte. Cada um é Tudo e Tudo é cada um’.
‘A natureza da Realidade deve ser conhecida pela nossa percepção clara; não pode ser conhecida por mais ninguém, seja um sábio ou um mestre’. 

      ‘A libertação só pode ser alcançada pela percepção da identidade do espírito individual com o Espírito Universal (‘Eu e o Pai somos um’). Por mais nada. Nem pela pratica de cerimônias religiosas, nem por associar-se a qualquer religião (Krishnamurti: ‘As religiões impedem o acesso à Verdade’)’.
      ‘Não se cura a doença pela repetição do nome do medicamento, mas tomando o medicamento. Assim, não se atinge a libertação repetindo a palavra Brahaman, mas vivenciando Brahaman diretamente’.
     
      ‘Não tem nome nem forma, transcende mérito e demérito, bem e mal, saúde e doença; está alem do tempo, do espaço e dos objetos de nossa experiência. Supremo e indizível ainda assim Brahman pode ser apreendido pelo olho que ‘vê’. Assim é Brahman e ‘tu és Isto’. Medita nessa verdade dentro de tua consciência!’

      ‘A nossa ignorância é a causa de nossa identificação com o corpo, o ego, os sentidos, a memória etc., com tudo que não é Atman. É sábio o homem que supera essa ignorância pela devoção ao Atman. Os que raciocinam em vão, sem compreender a verdade, estão perdidos na selva das ilusões, correndo a esmo na tentativa de justificar sua opinião sobre a substância do ego’.

      ‘Em nossa natureza mais íntima, que não é a esfera dos que se entregam ao raciocino, está a pureza de Buda. Pura em sua natureza e livre da categoria do finito e infinito, a mente universal é Buda (Deus), imaculado e erroneamente percebido pelos seres sencientes’.
      ‘Meu ser está em união com Buda. E ele está além do louvor e da censura. Como o espaço, ele não tem limites e está aqui mesmo dentro de nós, mantendo para sempre sua plenitude e infinidade. Só quando o buscas é que o perdes. Não podes possuí-lo, mas tampouco podes livrar-te dele. E, enquanto nada possas fazer, ele segue seu próprio caminho. Se falas ele permanece mudo; se guardas silencio ele fala (meditação). O grande portal da Luz está sempre inteiramente aberto, sem nenhum obstáculo à frente; o único obstáculo és tu mesmo (o ‘eu/ego/mente individual ou local’), que não emudeces’. (Yung-Chin).

      ‘Contempla só Uma em todas as coisas; a segunda é que te extravia’ (Kabir).

      ‘A doença da humanidade é ver dois onde só há um’.

      ‘O meu eu é Deus e não reconheço outro Eu senão meu Deus’ (Santa Catarina de Gênova).

      ‘Se a alma difere de Deus, a alma difere de si mesma’ (São Bernardo).

      ‘Para compreender a alma temos que compreendê-la como Deus, pois o fundamento (a essência) de Deus e o fundamento (a essência) da alma são uma só coisa’ (Eckhart, místico cristão).

      ‘O conhecedor, o conhecido e o conhecimento são uma coisa só. As pessoas simples imaginam que Deus está lá e elas aqui. Não é assim. Deus e eu somos um só, e percebemos isso no instante de conhecê-lo’ (Eckhart, místico cristão).

      ‘Eu vivo, mas não sou eu que vivo; é o Cristo que vive em mim’. (Paulo).

      ‘O bem não precisa adentrar a alma, pois já se encontra lá, embora não percebido por nós’. (Teologia alemã).

      ‘Quando vemos todas as coisas em sua unicidade, voltamos à origem e permanecemos onde sempre estivemos’ (Sen T’Sen).

      ‘Por não saber quem somos, pois não temos consciência de que Deus está dentro de nós, procedemos de maneiras geralmente tolas, insensatas e até criminosas, e tão caracteristicamente humanas. Somos salvos e libertados ao perceber o Deus, (‘Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará’) ate então despercebido, que já existe dentro de nós, e retornamos ao nosso fundamento eterno e vemos que permanecemos onde sempre estivemos sem o saber’.

      ‘Existe em nossa alma algo que é mais glorioso, acima de tudo, disso e daquilo, do céu e da terra. Ele é livre de todos os nomes e vazio de todas as formas. É uno e simples, e nenhum homem, por mais sábio que seja, pode contemplá-lo’ (John White).

      ‘O desconhecimento de Deus é o cativeiro; o conhecimento de Deus é a liberdade e a sabedoria’ (Evelyn Underhill). (‘A verdade vos libertará’).

      ‘Queres que te mostre o que é Deus? Não acha paz aquele que de Deus está apartado’ (Santa Catarina de Gênova).

      ‘Quando o amor (isto é, qdo a compreensão começa) de Deus toca a alma, ele a encontra cheia de vícios e pecados; de início ele dá a ela um instinto de virtude para incentivá-la à perfeição; depois, infundindo-lhe graça, a leva à verdadeira auto-anulação (esquecimento do ego) e, finalmente, à real transformação. Deus conduz a alma ao longo do caminho (Paulo: ‘É o Senhor que opera em nós o pensar, o querer e o fazer’). Todavia, quando a alma chega ao nada e é transformada, ela não trabalha, nem fala, nem deseja, nem sente, nem ouve, nem compreende, nem tampouco nutre o sentimento do dentro e do fora, onde pode se movimentar. Então, em todas as coisas, é Deus que a governa e a conduz sem a mediação de nenhuma outra criatura. E o estado dessa alma é então um sentimento de paz e tranqüilidade tão ilimitado que seu coração e seu ser corpóreo, e tudo o que está dentro e fora, lhe parecem imersos num oceano de serenidade, de onde ela jamais sairia para o que quer que pudesse lhe acontecer na vida. E ela permanece imóvel, imperturbável, impassível a tal ponto que lhe parece nada mais poder sentir além daquela mais doce paz, daquela bem-aventurança’ (Santa Catarina).

      ‘Quem sou eu?’ é a eterna pergunta do homem. Essa busca de autocompreensão, do significado último da personalidade, vem sendo respondida ao longo da história de várias maneiras, todas apontando para uma experiência na qual o buscador e o objeto de sua busca se fundem na percepção: ‘Eu sou Deus; não existe outro’ (Meher Baba). ( Krishnamurti: ‘Sujeito e objeto são um só’).

      ‘Você é a eterna condição subjacente a todas as condições, que jamais nasceu e jamais morrerá, e de onde provém toda a criação. A essência de toda a criação, Deus, está exatamente dentro de você, de todos nós, quanto está dentro de tudo o mais; e tu és Isso!’ (Baba).

      ‘Não que você esteja exatamente dentro do cosmos – o cosmos é que está exatamente dentro de você’ (Baba).

      ‘A busca é provocada pela ânsia de felicidade do homem e de sua procura de um meio de escapar da armadilha que é a vida.
Não é sua culpa se ele supõe que a solução para a sua profunda insatisfação reside numa vida sensual ou nas realizações profissionais ou do mundo social, ou ainda em uma vida de experiências excitantes. Tampouco é culpa sua se a vida, em geral, não é bastante longa para ensinar-lhe, concretamente, que ele encontraria uma desilusão ainda maior e mais profunda se esses objetivos fossem satisfeitos por completo.
O homem é impelido a essa busca pela desilusão (desencanto) com as coisas mundanas que o fascinam e das quais não consegue afastar o pensamento. Empenha-se o quanto pode em alcançar os prazeres dos sentidos e em evitar todos os tipos de sofrimento.
      Mas, enquanto ele atravessa dias, meses e anos das mais variadas experiências, surge, com freqüência, uma ocasião em que ele começa a questionar: ‘Qual a finalidade de tudo isso?’ E, incapaz de se contentar com as coisas transitórias da vida, questionando, ele se torna totalmente cético em relação aos valores habituais que até então aceitava sem hesitação.
E, nesse desespero, o homem toma a decisão de descobrir e compreender o propósito da vida. É então que ele principia a verdadeira busca, a busca dos prazeres duradouros (Baba).

      ‘Aqui está você, sentado nesta sala, me ouvindo e pensando que sua presença aqui é real. Mas eu lhe garanto, você está apenas sonhando. Suponha que esta noite você sonhe que está sentado aqui e, no sonho, alguém lhe diga que você está apenas sonhando. Você retrucará: ‘Não estou sonhando; estou realmente tendo a experiência de estar sentado aqui, ouvindo a palestra de Baba com todas as pessoas que me cercam!’ Mas, pela manhã você acorda e vê, então, que tudo foi um sonho. Pois, lhe afirmo, um dia também você ‘acordará’ e terá certeza de que tudo o que você sempre fez não passou de um sonho. Eu sou Deus, assim como cada um de vocês também é Deus. Mas, enquanto eu já acordei, vocês continuam ainda dormindo e enredados em seus sonhos. Despertar do sonho da separatividade e da limitação auto-imposta é o caminho místico, da libertação, do encontro com Deus’. (Baba).

      ‘Existe uma só pergunta: ‘Quem sou eu?’ e, para essa pergunta só existe uma resposta: ‘Eu sou Deus!’ E quando você conhecer a resposta a essa pergunta, não há mais nada a perguntar (‘... a verdade vos libertará’). O problema é que as pessoas não sabem quem realmente são. Você é o infinito, você está de fato em toda parte; mas você acha que é o corpo, os sentidos, a memória e, por isso, se acha limitado. Se você olhar para dentro de seu íntimo e vivenciar sua própria alma em sua verdadeira natureza, você perceberá que é infinito e eterno e que está além de toda criação’ (Baba).

‘Finda a busca, todas as dificuldades são ofuscadas pela recompensa final. Os grilhões da individualidade limitada se rompem; o mundo das sombras (ignorância) chega ao fim; o véu da ilusão (ego) é removido para sempre. A agitação e a angústia torturante das buscas da consciência limitada (do ego) são substituídas pela tranqüilidade e beatitude da consciência ilimitada da Verdade. A inquietação, o frenesi e o sofrimento da existência mundana são tragados pela paz da bem-aventurança e da eternidade’ (Baba) (Buda: ‘A iluminação é o fim de todo sofrimento’).

      ‘A experiência espiritual (mística) vai muito além do q pode ser apreendido pelo intelecto, imaginação, raciocínio, pensamento. O misticismo costuma ser considerado como algo antiintelectual, obscuro e confuso e até patologia ou impraticável e sem relação com a experiência, mas, na verdade, nada tem a ver com essas idéias. Nada existe de irracional no misticismo verdadeiro, quando ele é como deve ser: uma visão ou comunhão com a Realidade. É uma visão absolutamente clara, e tão prática que pode ser vivida em cada momento da vida e expressar-se em todas as tarefas do dia-a-dia. Ele é a compreensão final de todas as experiências’ (Baba).

      ‘Para a busca não é necessário ter um mapa completo do caminho para iniciar a viagem. Ao contrário, a insistência em ter esse conhecimento completo pode dificultar em vez de facilitar o caminho. Os segredos mais escondidos são revelados àqueles que correm riscos e fazem experiências ousadas com ele. Não se destinam ao ocioso que busca garantias a cada passo. Quem especula, na praia, sobre o oceano conhece apenas sua superfície, mas quem deseja conhecer suas profundezas precisa estar disposto a mergulhar nele’ (Baba).
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      ILUMINAÇÃO 2 – Outros testemunhos

      Sri Aurobindo: Foi caminhando no pátio da prisão onde, por ter sido, por engano, confundido com um terrorista, esteve por certo tempo, que ele sentiu uma mudança de consciência: ‘Contemplei a prisão que me separava dos homens, e já não estava aprisionado por seus altos muros: era Vasudeva (Deus) que me cercava. Caminhei sob os ramos da árvore diante de minha cela, mas ela já não era mais a árvore. Eu sabia que era Krishna (Deus) que eu via ali, estendendo-me sua sombra. Olhei para a grade de minha cela e novamente vi que a grade era Deus. Era Deus que me guardava na figura da sentinela. Deitei sobre os cobertores ordinários q me serviam de cama e senti que me aconchegava nos braços de Deus. Olhei para os prisioneiros, os assassinos de todas as espécies e vi que era Deus que eu encontrava naquelas almas entristecidas e naqueles corpos maltratados. Quando fui a julgamento, com cerca de 200 testemunhas, já não via a turba hostil nem os juízes, mas eu não os via senão como Vasudeva, risonho. Tudo era Deus, que se tornou o próprio mundo.
Assim dizem os Upanishades: ‘Ele está em todas as coisas e comanda todos os atos (Paulo: ‘É o Senhor q opera em nós o pensar, o querer e o fazer’). Ele se tornou conhecimento e ignorância, verdade e falsidade, bem e mal. Ele se tornou tudo que existe. Para o olho que ‘vê’, tudo é Um, tudo é Vasudeva’.

      ‘Este mundo em que vivemos é um mundo de luta e labor, um mundo feroz, perigoso, destrutivo, devorador, no qual, a cada passo, queiramos ou não, algo é esmagado e destruído; no qual cada sopro de vida é também um sopro de morte. Colocar a responsabilidade de tudo que nos parece mau ou terrível nos ombros de um demônio semi-impotente, ou deixá-la de lado, como sendo parte da natureza, criando uma oposição intransponível entre a natureza do mundo e a natureza de Deus, como se a natureza fosse independente de Deus, ou ainda lançar a responsabilidade sobre os homens e seus pecados, como se o homem tivesse voz ativa na criação deste mundo ou pudesse criar algo contra a vontade de Deus, tudo isso constitui estratagemas, artifícios cômodos... Erigimos, criamos, imaginamos um Deus de amor e misericórdia, justo, probo e virtuoso de acordo com as nossas concepções morais de justiça, virtude e retidão e, a todo o resto dizemos ‘Não é Ele’ ou ‘Não é dele’, ‘não foi Deus quem fez isso’ etc., mas que foi criado por um ser diabólico a quem, por um motivo qualquer, Ele permite cumprir sua vontade perversa e funesta; ou então foi culpa do homem egoísta e pecador, que estragou, pelo mau uso de seu livre-arbítrio, aquilo que foi criado originalmente perfeito. Temos de encarar corajosamente a realidade e perceber que foi Deus (aquilo a q chamamos Deus), e ninguém mais, que criou este mundo em seu próprio ser (Paulo: ‘Em Deus vivemos e respiramos; Ele está acima e abaixo, à frente e atrás, à direita e à esquerda, fora e dentro de nós’) e o fez como ele é. Temos que ver que a Natureza devorando seus filhos, o Tempo consumindo as vidas das criaturas, a Morte universal e inelutável e as violências no homem e na natureza são também o supremo Ser Divino em uma de suas representações cósmicas. Temos também de perceber que o Deus generoso, amoroso, o criador e conservador prestimoso, forte e benévolo é também o Deus devorador e destruidor. O sofrimento, a dor e o mal com que somos torturados é também seu toque tanto quanto a felicidade, a suavidade e o prazer. Só quando vemos com a visão de completa união e sentimos essa verdade no âmago de nosso ser é que podemos descobrir totalmente, por trás dessa máscara, o rosto sereno e formoso da Divindade bem-aventurada. 
      As discórdias do mundo são as discórdias de Deus, são a vontade de Deus, e só aceitando-as e superando-as podemos ascender à concórdia maior de sua suprema harmonia, à vastidão, à imensidade transcendente. Porque a Verdade é o alicerce da verdadeira espiritualidade e coragem da alma’ (Aurobindo).

      ‘Tu és Ele’, eis a verdade eterna. ‘Tu és Isto’, ‘Eu sou Aquilo’, ‘Eu sou Ele’, ‘Não conheço nenhum Deus senão meu próprio Eu’, ‘Conhece-te a ti mesmo e serás Deus’, eis as verdades que todos os antigos mistérios ensinavam e que, as religiões q vieram depois, se esqueceram de ensinar. Assim, também, ‘Eu e o Pai somos Um’.

      Jesus, o Cristo, também disse ‘Este é meu corpo e este é meu sangue’ escolhendo esses dois símbolos mais materiais, mais triviais e terrenos do pão e do vinho para comunicar a idéia de que tudo é um corpo só, o corpo do divino? (Aurobindo).

      ‘Quando Isto é conhecido, Tudo é conhecido’ (Upanishades).

      Roger N. Walsh: ‘O grande psicólogo Gordon Alportt lamentava-se: ‘Nada temos na psicologia acerca da libertação’. Ele lastimava o fato de a psicologia clinica e a psiquiatria ocidentais serem essencialmente voltadas para a patologia e terem poucos conhecimentos da saúde psicológica e, muito menos, da ‘iluminação’. Esses temas são bastante mal compreendidos. Muitos profissionais da saúde mental ainda consideram fenômenos como a maturação psicológica além das normas culturais, as experiências místicas e a iluminação como lendas na melhor das hipóteses, e patológicas, na pior ‘regressão psicológica no caso mais extremo, como descreve um conhecido tratado de psicologia.

      ‘Prazer e dor, louvor e censura, fama e vergonha, perda e ganho, mal e bem, são a mesma coisa. Assim eu e você’ (Buda).

      ‘Todos os Budas e todos os seres sencientes nada mais são do que Mente Universal. Acima e abaixo, fora e dentro de você, tudo existe espontaneamente, pois nada existe fora da Mente Buda’ (Zen).

      ‘Vê esse sereno homem do Tão, que abandona o aprendizado e não se empenha? Ele nem evita falsos pensamentos, nem busca a verdade, pois, na verdade, o ‘desconhecimento’ é a natureza búdica, e este corpo ilusório e mutável é o corpo da Verdade’ (Zen).

      O poeta americano Walt Whitman é um daqueles que tiveram vislumbres dessa experiência, daquilo que chamamos iluminação ou consciência cósmica. Ele, como outros que tiveram a mesma experiência, afirmou que ninguém conhece a verdade pelo fato de freqüentar templos e cultos, nem por ouvir sermões que emocionam, nem por pedir aos céus, ou por orar; nem por promessas ou por praticar as virtudes pregadas pelas diferentes igrejas e crenças, ou por sacrifícios.
     Como os místicos e os iluminados, ele afirma que, somente na solidão, no silêncio do “eu”, na perseverança da busca, é que nós podemos encontrar aquilo que é sagrado. E, depois disso, vamos perceber que sermões, escrituras, sacrifícios, rituais, cultos, ações, procedimentos, orações, promessas, isto é, exterioridades, não têm qualquer valor; desaparecem como fumaça.
      E afirmou, também, que: “Enquanto estamos na escuridão, não compreendemos as escrituras; quando chegamos à luz, elas não são mais necessárias”.

      Pascal, conhecido matemático, cientista e escritor francês:
     A partir de certo dia, ele se afastou da sociedade e se tornou recluso em sua própria casa (como Jesus, nas chamadas tentações, no deserto; Paulo, que foi viver entre tecelões, depois de sua visão na estrada de Damasco, e outros que, depois da experiência, se retiraram para, na solidão, tentar compreender o que lhes havia ocorrido).
     Depois de certo tempo, Pascal recomeçou a escrever, mas suas obras, agora, tinham um caráter mais elevado, diferente das anteriores. Sua compreensão de vida e de mundo tinha se modificado de maneira drástica. Quando morreu, um criado encontrou, costurado com cuidado dentro da bainha de seu gibão (túnica), um pergaminho onde estavam escritas as seguintes palavras:
     “Ano da graça de 1654, segunda-feira, 23 de novembro... desde cerca das dez e meia da noite até meia-noite e meia... FOGO, FOGO... transfiguração... Deus de Abraão, Deus de Isaac, Deus de Jacob... Certeza, alegria, certeza, sentimento de alegria e paz... Deus de Jesus Cristo, meu Deus e teu Deus... Esqueci-me do mundo e de tudo, exceto de Deus. Ele só é encontrado nos caminhos dos Evangelhos... a GRANDEZA DA ALMA HUMANA... agora vejo que ela é o próprio Deus. Pai justo, o mundo não te conhece, mas eu te conheci. Alegria, alegria, alegria, lágrimas de alegria! Eu não me separarei jamais de ti... Meu Deus, esta é a vida eterna que se ganha depois de te conhecer, o único Deus verdadeiro, e aquele que tu enviaste - o Cristo; com ele, tudo é Um... Renúncia total e doce... submissão total a Cristo... eternamente em alegria por um momento de aprendizado sobre a terra... jamais esquecerei o que hoje me ensinaste... Amém”.
     Esse pergaminho existe até hoje. Recebeu o nome de “amuleto místico de Pascal” e está na Biblioteca Nacional, em Paris.

      Edward Carpenter: ‘... Acabados todos os sofrimentos, acabadas todas as penas... abriu-se dentro de mim um profundo oceano de felicidade... todas as coisas foram transfiguradas, cantando felicidade sem fim... Naquele dia, no dia da tua libertação, ela virá a ti em lugar que desconheces, sem que saibas em que tempo (como na parábola do ladrão)... tu, então, estarás livre para sempre... (“... a verdade vos libertará”); deixa que a felicidade te invada... a morte já não te separará daqueles a quem amas... o mundo da igualdade... da felicidade total...’.
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SOBRE TERMOS OU NÃO O DOMINIO DOS PENSAMENTOS


      SOBRE TERMOS OU NÃO O DOMINIO DOS PENSAMENTOS
      Se não os dominamos, não temos livre-arbítrio?

      Um amigo teve razão ao perguntar: “Se não controlamos os nossos pensamentos, então somos... máquinas?!... ou marionetes?!...”

      Cel: nem vc, nem eu, ninguém, meu jovem, tem controle (ou domínio) sobre os pensamentos; apenas pensamos que são verdadeiramente nossos; no entanto, eles não são nossos pois chegam qdo menos esperamos, demoram pouco ou muito tempo, e se vão, independentemente de nossa vontade, às vezes nos trazendo satisfação, prazer, às vezes insatisfação e mal-estar. Por isso mesmo, Paulo disse: “É o Sr q opera em nós o ‘pensar’, o querer e o fazer...” e mais: “... como se tivésseis algum pensamento como de vós mesmos, pois ‘todos’ os pensamentos vêm de Deus!” Coisas semelhantes, falou Jesus.

      Porém, sendo o conteúdo dos pensamentos o causador de nossos desejos  e da conseqüente vontade de concretizá-los e, portanto, o causador de nossas decisões e escolhas de fazer ou não fazer, nem os desejos, nem a vontade, nem as escolhas são nossos.     
      Conseqüentemente, as ações e obras q fazemos também não somos por elas responsáveis.  

      Talvez, por isso, para q não estranhemos o fato de q sofremos mesmo não sendo nossas as ações ou obras erradas, Paulo também tenha afirmado: “Não é por vossas obras q sereis salvos, mas pela graça de Deus!” 

      Mas, para q o amigo acredite q não tem comando sobre seus pensamentos, faça um pequeno teste: tente ficar com um pensamento só, na sua cabeça; ou tente ficar com a mente vazia, sem qualquer pensamento; ou com um pensamento escolhido por vc; ou não permita q novos pensamentos entrem, ou q saiam... ou faça do modo q vc quiser; se vc conseguir fazer isso por meio minuto, ou um minuto q seja, já será uma vitória. Tente!

      No entanto, dentro dessa constatação de que os pensamentos não os controlamos e, portanto, não são nossos, como explicar o livre-arbítrio? Se a própria ciência mais avançada do mundo afirma q não temos livre-arbítrio, como sair desse dilema?

      Se o livre-arbítrio tem o significado de livre escolha, e se não temos comando sobre os pensamentos, e se são os pensamentos q determinam nossas escolhas, isso significa q, também, não temos comando sobre nossas escolhas! Assim, como explicar o livre-arbítrio? 

       Precisamos sim, na verdade, de raciocinar profundamente para tentar encontrar resposta para estas perguntas. Aliás, é o que todas as pessoas sensatas recomendam: refletir, raciocinar para melhor compreender!
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SOFRIMENTO DOS ANIMAIS




      Aos amigos de estudo

       Estávamos falando
 do sofrimento dos animais e alguns afirmaram q eles não sofrem como os humanos sofrem. Assim, me perdoem perguntar: algum dos amigos que já tenha convivido com animais, cães, gatos, cavalos, macacos e outros, concluiu q seus cérebros são de alguma forma construídos de modo a sentirem o q for menos do q os homens? E esse, q assim tenha concluído, tem conhecimentos veterinários ou psicológicos a respeito deles? Já presenciou os berros de desespero ao terem um membro esmagado num acidente? Já os viu enfrentarem enormes riscos para proteger seu filhote, seu amigo, quase ao ponto de se sacrificarem por eles? Já viu o desespero despertado pelo desaparecimento de um companheiro? Já sabe q muitos animais apresentam mais inteligência e mais sensibilidade que humanos, em determinadas situações? Comprovou, cientificamente, q seus cérebros não são capazes de processar as sensações como os cérebros humanos e, por isso, como disse um amigo, “concluiu que todo sentimento nos animais seria reduzido pelo pouco processamento de seus cérebros”?

      Vejam q muitos cientistas afirmam q os animais têm sensações e sentimentos como os seres humanos, e agem até mesmo com mais desprendimento e com mais amor do q nós. 

      Como disse
um amigo, devido a essa nossa ignorância a respeito dos animais, “fica impossível fazer comparações com a dor e o sofrimento que nós sentimos”. É uma verdade pois, eles, em situações idênticas às dos homens, podem até estar sofrendo mais do q nós!
      O amigo
X colocou q: “nos animais, deste planeta, talvez nem exista sofrimento para eles, uma vez que o sofrimento é resultado do estado moral”. 

      O amigo fez muito bem em colocar a palavra “talvez”, pois o q sabemos sobre a psique animal?
E há psicólogos de renome que afirmam, claramente, q não existe uma barreira ,
divisão ou diferença, entre a psicologia humana e a psicologia animal.

      E observem o q diz Candace Pert, Chefe de Química do Cérebro, da Divisão de Neurociência Clínica do Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos, famosa por suas descobertas sobre neurotransmissores, hormônios e sítios receptores. Suas descobertas evidenciam q, nos animais ditos irracionais, é grande a semelhança dessas substâncias e estruturas com as encontradas nos seres ditos racionais, nos humanos. Ela salienta q até um microscópico e primitivo protozoário, o tetrahymena, ser “monocelular”, sintetiza insulina e endorfinas iguais às dos seres humanos, e seu sítio receptor é igual ao nosso.

      Com suas pesquisas e descobertas, como aqueles psicólogos ela afirma, categórica e definitivamente, que os animais têm sensações e sentimentos iguais aos dos seres humanos! 

      Descobriu também q outros animais estudados, também têm receptores para endorfinas e conclui q isso aponta para a simplicidade e unidade da vida pois, cérebros de homens, de ratos e de protozoários microscópicos, estão funcionalmente vinculados, com componentes moleculares idênticos, que nos seres humanos influenciam as emoções. 

      E agora? Essas outras formas de vida têm vida emocional, já que apresentam requisitos fisiológicos e químicos para tal? Por que precisam de receptores para endorfinas, substâncias muito mais potentes que a morfina? 


      Em resumo, essas descobertas desafiam a maneira presunçosa,  arrogante e, com certeza, ignorante, com que nós, seres humanos, temos menosprezado e abusado do potencial de sentimento de formas de vida não humanas, a q, ignorantemente, chamamos de vidas ou espécies "inferiores".

      (Obs: não consegui eliminar o sublinhado).
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