quinta-feira, 1 de setembro de 2011

MONISMO E DUALISMO

Todas as religiões e crenças são dualistas, isto é, suas doutrinas asseguram e ensinam q nós, todos os seres, o universo, enfim, a biodiversidade, a criação, foi apenas criada por Deus, mas com Deus não se confunde, pois seriam coisas completamente distintas e separadas.


Enquanto isso, no Novo Testamento, o apóstolo dos gentios claramente declara q a Divindade está em tudo e, de tudo, dentro e fora, entendimento q se identifica perfeitamente com o do misticismo milenar e da ciência de hoje. Esta afirmação merece nossa reflexão: Qual o significado da expressão "dentro de tudo"? O que significa Deus estar dentro de tudo? E qual a abrangência desse “tudo”? Significa que Deus está “somente” no coração, no pensamento, ou na mente? Coração, pensamento, mente podem ser considerados como sendo o “tudo”? Será que o apóstolo desejava afirmar q o “tudo” somente envolve ou diz respeito às coisas belas e agradáveis, limpas, puras, que trazem felicidade e que inspiram e suscitam esperanças de um futuro de recompensas pelo bem que fizemos? Ou desejava afirmar q o “tudo” se refere a todas as coisas sem exceção de nenhuma, à criação toda?

Para os dualistas, nós estamos aqui e o Criador está "lá", distante, muitas vezes num céu hipotético e, quase sempre (ou sempre?), fora do alcance de nossa compreensão. Para chegarmos à sua perfeição inexiste qualquer possibilidade pois, por mais que nos aperfeiçoemos pelo esforço próprio, através de inúmeras vidas sucessivas, que se alongam indefinidadente ou por milhões de anos, nunca (o que significa, pela eternidade afora) o conseguiremos. Para os dualistas, Deus, a alma universal, perfeição absoluta, não se confunde com a alma individual, cheia de imperfeições, muitas delas extremamente monstruosas. Consequentemente, para as crenças dualistas, há a necessidade de eliminação das imperfeições, o que implica a exigência e necessidade de reencarnações sucessivas, destinadas ao aprimoramento do espírito. Para os dualistas, todos os atos por nós considerados errados ou maus, devem ser corrigidos, resgatados, e seus responsáveis estão sujeitos a leis punitivas que os alcançam numa ou noutra vida e que implicam sofrimentos torturantes e insuportáveis. Explica-se essa necessidade pela “lei de causa e efeito”, não a da física, é evidente, pois esta se aplica, tão somente, a objetos inertes e destituídos de faculdades intelectuais, mas a ela se assemelha pela interpretação que é feita das palavras do mestre nazareno: “A cada um, segundo suas obras”, a, por muitos conhecida, lei da colheita obrigatória: “o que semeias, colherás”. No entanto, o apóstolo também assegura: “Não sois salvos por vossas obras, mas pela graça de Deus”.

Para os monistas (em geral, erradamente considerados, por muitos, como pertencentes a esta ou àquela religião), a alma universal e alma individual se confundem; são uma só e a mesma coisa, como afirmado, por milênios, pelos místicos, e como o Mestre também afirmou, ao dizer: “Eu e o Pai somos um”. Portanto, sendo o “eu” e Deus uma só e a mesma coisa, o espírito já é perfeito e nenhuma necessidade ou finalidade existe na reencarnação, nem na busca de aperfeiçoamento espiritual, e inexistem lei de causa e efeito, leis punitivas, penalidades expiatórias e, consequentemente, mundos de provas e expiações, ou destinados a aprendizado e purificação do espírito, pois este é perfeito, como Deus é perfeito. Para os monistas, portanto, não há nem culpas nem culpados, pois “nossos” pensamentos, desejos e obras não são “nossos” (“É o Senhor q opera em nós o pensar, o desejar e o fazer”, ou: “... como se tivésseis algum pensamento como de vós mesmos, pois todos eles vêm de Deus”.

Espírito individual e espírito universal são um, uma só coisa; não há dois.

Enquanto, por séculos, ciência e religião, tradicionais adversárias, não se entendiam, pois a ciência não possuía métodos de como avaliar as premissas religiosas, hoje a situação, nesse aspecto, está completamente modificada e, em face de descobertas científicas, por muitos, de início, consideradas absurdas, pela primeira vez na história do mundo, “religião” e ciência podem se dar as mãos, pois têm, hoje, idêntica visão de mundo.

Contudo, aqui, com o termo “religião” não me refiro às religiões populares, dualistas, organizadas com base em escrituras ou livros sagrados, mas às tradicionais “escolas” de meditação, ou à fase esotérica, q muitas religiões possuem, q buscam levar o homem para além do ego, na direção de Deus.

Para poucos, é verdade, o correto é o monismo, pois as descobertas da ciência mais avançada do planeta e a conseqüente filosofia dos cientistas e da física quântica, também, levam na direção única do monismo.

Do mesmo modo, os depoimentos de sábios e místicos e “santos” do misticismo cristão asseguram: “há uma só mente e nós somos essa mente”. Assim, afirma Jung: “Seguramente, a alma não é algo insignificante, como as religiões ocidentais a consideram; ela é a própria Divindade radiante”.

Meister Eckhart, místico cristão, condenado pela Igreja à morte pelo fogo por afirmar que nós somos o próprio Deus, a própria divindade, afirmou: “A essência de Deus e a essência da alma são uma só e a mesma coisa. O conhecedor e o conhecido são um só. Os ingênuos imaginam poder ver Deus como se Ele estivesse ‘lá’ e nós ‘aqui’. Não é assim. Deus e nós somos um”.

Teilhard de Chardin, místico, cientista e padre católico, condenado, pelo Vaticano, ao silêncio até o dia de sua morte, por dizer coisas como estas: “Para que os homens de toda a Terra aprendam a se amar uns aos outros, não basta que saibam que pertencem a uma mesma coisa; devem adquirir a consciência, não de que pertencem, mas de que todos somos tão somente uma e a mesma coisa, um só ser. Assim, devemos abrir os olhos para a natureza imortal e onipresente e para a Mente Una que somos, para a realidade de que tudo e todos somos apenas Um”.

Paulo: “Já não sou mais eu que vivo; é o Cristo que vive em mim”.

Jesus, o sábio iluminado: “Eu e o Pai somos um”.



“Tu és Ele”, eis a verdade eterna. ‘Tu és Isto’, ‘Eu sou Aquilo’, ‘Eu sou Ele’, ‘Não conheço nenhum Deus senão meu próprio Eu’, ‘Conhece-te a ti mesmo e serás Deus’, eis as verdades que todos os antigos mistérios ensinavam e que, as religiões q vieram depois, se esqueceram de ensinar. Assim, também, ‘Eu e o Pai somos Um’.
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