segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

SOMOS UM COM DEUS

      A EXPERIÊNCIA DE SE PERCEBER “UM COM DEUS”

      Conversando com uma amiga:
      Olá, amiga, não foi o fato de cessarem as patologias (o que não ocorre com todos aqueles q tiveram a “experiência de Deus”) que levou Jung a considerar que alguém passou pela “experiência” de se perceber “um com Deus”.   

      Há muitos outros aspectos considerados: modificação quanto aos sentimentos, inteligência, saúde, discernimento e compreensão das coisas e da vida; serenidade e aceitação do que vier e que não pode ser modificado; melhor relacionamento com os demais e com o mundo; harmonização entre ondas das áreas cerebrais.

      Sobre o assunto, foram realizadas numerosas pesquisas que resultaram em aspectos de tão grande abrangência que, afirmam os pesquisadores, alcançam tantas, senão todas, áreas de interesse do ser humano, fato que levou cientistas e pesquisadores a afirmarem que, “quando os homens alcançarem esse estado único de consciência, não haverá problemas sem solução e o sofrimento será coisa do passado”.  

      Outros aspectos observados: maior alerta mental, alto grau de coordenação neurofisiológica (mente e corpo); importante redução do consumo de oxigênio e da concentração de lactato no sangue; maior eliminação do dióxido de carbono; atividade não usual das ondas alfa e beta; sincronia nas derivações cerebrais centrais; derivações centrais sincronizadas com ritmos ocasionais de ondas teta..., e outras mudanças, fatos que vêm mostrar que a experiência leva a um estado de consciência completamente diferente dos outros estados conhecidos pela ciência, como a vigília, sono e sonho, e do estado de relaxamento ordinário, hipnose e outros condicionamentos mentais.

      Há diminuição do ritmo cardiorrespiratório, alta coerência de ondas alfa, teta e beta entre hemisférios cerebrais; habilidade de a mente manter-se em repouso total, mesmo permanecendo alerta durante a execução de atividades diversas; profundo repouso fisiológico acompanhado de total alerta mental, estado antes desconhecido pela ciência; maior entrada de ar nos pulmões, correlação neurofisiológica elevada, isto é, enorme harmonia entre a mente e o corpo; independência acentuada ou total liberdade do sujeito para agir, independentemente de qualquer fato externo; disposição de animo equilibrada; aumento da criatividade e do sentimento de auto-realização; cessação ou diminuição da ansiedade e, conseqüentemente, das tensões e do estresse; modificações bioquímicas, como baixos níveis de cortisona no sangue, o que indica uma nova forma de atividades das supra-renais, fato relacionado à redução do estresse.

      Essa relação entre fisiologia e psicologia, que indicam aumento da criatividade e da produtividade, mostra que esse estado de consciência produz mudanças holísticas, isto é, sob todos os aspectos, bem como um novo modo de funcionamento do corpo e da mente, anteriormente desconhecido pela ciência.

         Novamente cito Jung:
       -‘Naturalmente é difícil compreender como essa figura abstrata, a percepção daquilo a que as religiões dão o nome de Deus, que nada é mais que uma experiência subjetiva, pois na psique do homem, desperta o sentimento da “mais sublime harmonia”... Contudo esse tipo de experiência não é, para mim, nem obscuro, nem longínquo. Muito ao contrário: trata-se de um fato que observo muitas vezes em minha vida de psicoterapeuta... Conheço um número consideravelmente grande de pessoas que, se quiserem viver, terão de levar a sério sua experiência íntima... que, para elas, é “tudo” e, sem a qual não poderão mais viver”.
            
      Amiga, é fato que a fé profunda pode, também, produzir efeitos curativos; é como o hipnotizador, que encosta uma caneta no braço do hipnotizado convencendo-o de que lhe encosta uma brasa; queima e empola a pele.

      Veja que tudo isso é possível desde q o sujeito esteja plenamente convencido de que aquele modo de proceder curará seu mal fisiológico. Mas, nada tem a ver com aquela experiência que foi denominada por homens notáveis, como Jung e Einstein, de “experiência de concordância universal”, uma experiência que elimina o ego e suas ilusões, acaba com a ignorância acerca daquilo que denominamos “transcendental”, e liberta de todos os sofrimentos, trazendo felicidade absoluta, despertando um amor quase incontrolável pelos semelhantes, que sofrem porq ainda não “perceberam”, e bem-aventurança.

          Por isso, muitos tentaram ensinar o “caminho” para chegar aonde haviam chegado, só se calando com a morte; assim, muitos foram executados por não se calarem.

      Amiga: “O que é a Verdade? “Eu sou o caminho, a Verdade e a Vida”, Jesus. O caminho está dentro de nós mesmos, neste Jesus dentro de nós, neste Deus interior, esta força, este Poder imenso?”.

      Cel: essa força, esse poder imenso é uma verdade que só podemos perceber qdo eliminarmos o ego, causador de toda ignorância e dos conseqüentes sofrimentos. Esse poder, a que damos o nome de Deus, está em nós como está em tudo, e somente o podemos perceber/vivenciar depois desse trabalho difícil da busca de Deus, trabalho que traz “aquela” experiência.

      Qto às palavras de Jesus, a tradução correta muda de modo radical a interpretação que, anteriormente, lhe dávamos: “O é o caminho, a verdade e a vida; ninguém vai ao Pai senão pelo ”; esta é a tradução correta, segundo doutores da lei e da língua judaica.

      Veja, tb, que Deus não negocia com ninguém; p ex: se eu agir como, conforme a lei de Deus, devo agir, nada Ele me dará em troca; não há troca nenhuma.

      Somente depois de muito trabalho, para nossa cultura ocidental dificílimo, o buscador elimina o ego e, com este, tudo o mais de “negativo” que possa existir.

      A eliminação do ego produz a experiência de saber quem somos realmente e vamos perceber, conforme numerosos testemunhos, que “eu e o Pai somos um”. Essa deve ser a “verdade que liberta”, como disse Jesus, como tb disse: “... e tudo o mais vos virá por acréscimo”.

      A experiência religiosa ou mística nada tem a ver com religião ou com acreditar ou não em Deus. É verdade que a religião ou crença poderá despertar a motivação para a busca dessa experiência, sobretudo qdo se percebe q as medicinas, filosofias, psicologias, ciências, religiões, enfim, q o mundo não oferece a solução definitiva para os sofrimentos de humanos e não humanos.

      Já vimos q Jung não considerou a “crença” em Deus como a verdadeira terapia, mas a “experiência” de Deus que, evidentemente, traz, não uma “crença” em Deus, mas a percepção daquilo que realmente somos, isto é, “um com Ele”.

      Tudo q lemos a respeito de Deus nada tem a ver com o Deus do Antigo ou do Novo Testamento, nem com o Deus de qualquer religião; tudo q se escreveu a respeito de Deus não passam de metáforas, artifícios usados na tentativa de explicar o inexplicável para a mente humana. Nem mesmo quem chega “lá”, pelo “conhecer a verdade q liberta”, poderá explicar, pois não há como se fazer essa comunicação. Por isso, quando perguntavam ao Buda sobre a experiência, ele respondia: “Essas perguntas são irrelevantes; venha e veja por si mesmo”, como Paulo tb disse “... e lá vi e ouvi coisas inefáveis”.

      E isto nada tem a ver com ser crente ou descrente; não estamos falando de “fé”, mas de experiência que, afinal, traz, não fé, mas convencimento absoluto. Vc sabe que, como está dizendo, a fé pessoal no pastor ou sacerdote, naquele objeto sagrado, naquele tipo de oração ou procedimento, podem curar; contudo, não traz aquela modificação de consciência, q acompanhará a pessoa até a morte cerebral, embora possa influir sobre isso.

      Essa é uma “experiência de concordância universal”, conforme notáveis como Einstein e Jung, lembra-se? Nada tem a ver com curas produzidas por quem quer que seja, como paranormais, passes etc.

      E vc está certa; curou o corpo, não a mente, embora a cura considerada “sobrenatural” possa influir na psique por muito tempo ou mesmo para sempre. Porém, o curado não teve sua consciência ampliada ao ponto de se perceber um com Deus. A mente condicionada continua operando e pronta a outros condicionamentos, como o de crer na cura pela fé. Muitas curas, como até por orações e sacrifícios podem, apenas, ser como um refrigerante num dia de calor; o efeito passa e o calor volta.

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